À beira de colapso, Uberlândia (MG) decreta toque de recolher

Matheus Ribeiro
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Vista geral da região central de Uberlândia (Prefeitura de Uberlândia)

UBERLÂNDIA (MG) - Segunda maior cidade de Minas Gerais e uma das mais ricas do interior do país, Uberlândia se aproxima de um colapso total do sistema de saúde devido a um aumento desenfreado de casos e mortes por causa do novo coronavírus. A situação é tão grave que a cidade não tem mais capacidade para acolher pacientes de munícipios vizinhos e o prefeito Odelmo Leão (PP) declarou toque de recolher a partir desta terça (23).

Apenas no último final de semana, Uberlândia registrou 989 casos de coronavírus e 20 mortes por causa da doença. Na última semana, a cidade bateu seu recorde de mortes em 24 horas duas vezes, na segunda (15), com com 14 óbitos, e sexta (19), com 15.

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De acordo com o último boletim divulgado pela prefeitura local, neste domingo (21), a cidade acumulava 65.456 casos e 966 óbitos desde o início da pandemia. Mas estes não são os números que mais assustam. A ocupação de leitos de UTI na rede municipal, nem todos para pacientes de coronavírus, chegou a 99%, mesma porcentagem dos leitos destinados apenas a pacientes com coronavírus, somando redes pública e privada.

Uberlândia, que normalmente é uma cidade que recebe muitos pacientes de outras cidades do Triângulo Mineiro, precisou enviar pacientes para outros munícípios. Nesta segunda, Alfenas, no Sul do estado, recebeu quatro pacientes enviados por Uberlândia.

Também no domingo, assessor técnico da rede de urgência e emergência da Secretaria de Saúde de Uberlândia, Clauber Lourenço. informou através de uma transmissão nas redes sociais que seria um "ledo engano" achar que a variante brasileira do coronavírus não tivesse chegado a Uberlândia, vide que Uberaba (a 100 km de distância) recebeu pacientes de Manaus e que o novo comportamento da doença, que matou pessoas abaixo de 30 anos recentemente, poderiam comprovar isso.

Nos últimos dias, a prefeitura tentou tomar medidas mais extremas em relação ao aumento de casos. Após um decreto que restringia o funcionamento de atividades não essenciais e a proibição da venda de bebidas álcoolicas de 18h às 5h, o prefeito Odelmo Leão continuou insistindo que não seria necessário um lockdown.

No entanto, Leão anunciou uma nova série de medidas nessta segunda, que passam a valer a partir de terça (23). Entre elas, as principais são um toque de recolher de 20h às 5h e a proibição da venda de bebidas álcoolicas durante o dia inteiro. Além disso, um hospital de campanha será montado no auditório do Hospital Municipal. Caso seja necessário, a cidade usará também o estacionamento da unidade de saúde para aumentar o número de leitos.