Em ação contra o machismo, juíza 'condena' o feminismo: 'colaborou para a degradação moral que vivemos'

A juíza Adriana Gatto Bonemer no Tribunal de Justiça de SP em 2015 - Foto: JSP/Divulgação/BuzzFeedNews Reprodução
A juíza Adriana Gatto Bonemer no Tribunal de Justiça de SP em 2015 - Foto: JSP/Divulgação/BuzzFeedNews Reprodução

A juíza Adriana Gatto Martins Bonemer, de Franca, no interior de São Paulo, proferiu uma decisão controversa em uma acusação que envolvia um suposto machismo dentro de uma universidade. Em sua decisão, ela diz que a ação foi baseada em “panfletagem feminista” que, segundo ela, domina as universidades brasileiras. As informações são do BuzzFeed News

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O caso se tratava de uma acusação contra um ex-aluno da faculdade de Medicina da Unifran que, durante uma ação no trote universitário, fez as calouras proferirem um juramento com frases como “me reservo totalmente à vontade dos meus veteranos e prometo sempre atender aos seus desejos sexuais".

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Diante disso, o Ministério Público avaliou que o discurso era "machista, misógino, sexista e pornográfico" e que as estudantes foram expostas a uma situação humilhante. O MP ingressou uma ação civil pública e pediu uma indenização de cerca de R$ 39.900 reais.

A juíza Adriana Gatto, no entanto, desaprovou a atuação do Ministério Público. "A [peça] inicial retrata bem a panfletagem feminista, recheada de chavões que dominam, além da esfera cultural, as universidades brasileiras", avaliou a juíza, em trecho de sua sentença.

Em outro trecho, a juíza cita um livro da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL-SC), conhecida por ser um expoente do “antifeminismo” no país.

"É bom ressaltar que o movimento feminista apenas colaborou para a degradação moral que vivemos, bem exemplificada pelo 'discurso/juramento' que ora se combate", afirmou a juíza, que julgou improcedente a ação contra o ex-aluno de medicina.

De acordo com o BuzzFeed News, a juíza recebeu em setembro proventos da ordem de R$ 43.066,01 brutos (salário e extras). Em sua decisão, ela diz que as mulheres conquistaram "não o direito de trabalhar, mas o dever de trabalhar".

"As mulheres acharam que, para ser livres e iguais precisavam fazer as mesmas coisas que os homens. Subiram aos cargos mais elevados, mas também adquiriram seus vícios mais baixos", criticou a magistrada.

Para a juíza, o movimento feminista começou “pedindo direitos políticos e melhores condições sociais e terminou, para chegar lá, gritando por pílulas anticoncepcionais e abortivas, por liberação sexual e aceitação pública da degradação de seus corpos e almas".

Procurado pelo BuzzFeed New, o MP disse ainda não ter tomado ciência da decisão, não sabendo assim se deverá recorrer. A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça afirmou que a juíza não comentaria o caso porque isso violaria a Lei Orgânica da Magistratura.

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