70 jogos do Fluminense: time encara calendário apertado em 2021 com desfalques e protagonismo de Xerém

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Em ritmo de ajuste dos campeonatos por conta da pandemia da Covid-19, o ano de 2021 foi intenso para o futebol brasileiro. O caso do Fluminense não foi diferente: entre Brasileiro de 2020, Carioca, Brasileiro de 2021, Libertadores e Copa do Brasil, o Tricolor completa 70 jogos nesta quarta-feira, contra o Santos. Contudo, a sequência apertada teve um efeito: uma lista de lesionados e oportunidades para novos personagens.

No início do ano, o Tricolor participou de 11 rodadas pela edição da última temporada do Brasileirão, na disputa por uma vaga na Libertadores. O objetivo foi atingido e, logo em seguida, a equipe iniciou o Campeonato Carioca, em que avançou até a final, e completou 15 jogos. Pelo torneio continental, o Flu chegou às quartas de final, em 10 partidas. Na Copa do Brasil, foram seis jogos até a eliminação, também nas quartas.

Ao todo, o elenco acumula 32 vitórias, 19 empates e 18 derrotas nas quatro competições em que disputou em 2021, além de ter marcado 96 gols e sofrido 73. Dos 207 pontos possíveis, 115 foram conquistados. A maratona tricolor é a segunda maior da história, perdendo apenas para 2002, quando o clube fez 85 partidas. Assim como na temporada anterior, o objetivo do Fluminense segue sendo a classificação para a Libertadores.

Como esperado, o físico dos atletas foi um dos componentes de mais difícil gerenciamento durante o período. Ainda que o número de lesionados seja inferior ao de 2020, em que o Tricolor teve 22 jogadores no departamento médico, o time perdeu peças importantes ao longo dos dez meses. Fred, Manoel, Nino, Ganso, Bobadilla, Abel Hernández, Caio Paulista, Gabriel Teixeira, Samuel Xavier, Lucca, Yago Felipe, Luccas Claro e Hudson desfalcaram o time por lesões ou desconfortos musculares.

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À revelia das dificuldades, a solução foi dar rotatividade ao grupo. Nas partidas contra Sport, antes do confronto com o Cerro Porteño pelas oitavas da Libertadores; Grêmio, antes da partida contra o Criciúma pelas oitavas da Copa do Brasil; e América-MG, antes da decisão contra o Barcelona-EQU pelas quartas do torneio continental, o clube entrou em campo com times mistos. Desde que assumiu o comando da equipe, Marcão repetiu a mesma escalação apenas duas vezes.

Assim, o Fluminense acabou encontrando nos desfalques uma maneira de dar chances a jogadores, muitos deles oriundos da base. Somente em 2021, o clube utilizou 25 Moleques de Xerém, um recorde na história do clube. A partir da lesão de Hudson, André teve sua transferência para outro time cancelada e ganhou não apenas oportunidade no elenco principal, mas também destaque. O mesmo ocorreu com Calegari, que fez boas atuações na ausência de Samuel Xavier na lateral direita.

Luiz Henrique também recebeu mais espaço com o desfalque de Caio Paulista na ponta direita. Após o retorno do atacante, Marcão definiu a permanência do jovem, enquanto o camisa 70 foi deslocado para o lado esquerdo do ataque. Na zaga, David Braz conquistou a torcida na ausência de Luccas Claro e Nino, assim como Manoel, que substituiu o campeão olímpico durante a Tóquio-2020.

Entre as novidades, a maior delas talvez seja a mudança recente no ataque. Sem Fred, que lesionou o dedo do pé esquerdo, e Bobadilla, que estava na Argentina acompanhando o nascimento da filha, John Kennedy entrou como titular. O jogador, que vinha se destacando logo após subir para o profissional, sofreu um afastamento em decorrência de sequelas da Covid-19 e desde então revezava entre sub-20 e profissional. Com a ausência de dois centroavantes, o Moleque de Xerém emergiu e, em pouco tempo de retorno, brilhou ao garantir a vitória do Fla-Flu 435, no último sábado.

Desta forma, o Tricolor se prepara para a reta final do Brasileiro, momento decisivo para estabelecer qual competição internacional o Flu irá competir na próxima temporada. Mesmo sem muitas opções no plantel, o clube tem encontrado no revezamento dos atletas e nas 'armas secretas' de Xerém uma fórmula para seguir vivo na competição. Com 11 rodadas pela frente, o caminho do Fluminense pode, ainda, revelar surpresas.

*Estagiária sob a supervisão de Hugo Mirandela

Confira os anos em que o Fluminense mais entrou em campo
1- 2002 (85 jogos)
2- 2021 (80 jogos)
3- 1975 e 2005 (77 jogos)
4- 1960 (76 jogos)
5- 2017 (75 jogos)
6- 1978 e 2009 (74 jogos)
7- 1992 e 2003 (72 jogos)
8- 1976 e 2008 (71 jogos)
9- 1979 (70 jogos)
10- 1959 (69 jogos)

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