5 vezes em que governo e Seleção Brasileira se misturaram

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TOPSHOT - Brazilian President Jair Bolsonaro holds the Copa America trophy as members of the Brazilian national team celebrates after winning the title by defeating Peru in the final match of the football tournament at Maracana Stadium in Rio de Janeiro, Brazil, on July 7, 2019. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP)        (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Bolsonaro e a Seleção com a taça da Copa América de 2019 (MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)

A partir deste fim de semana, o Brasil começa a receber mais uma edição da Copa América. Mas desta vez, a participação do Governo Federal, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi maior do que talvez em qualquer edição.

Bolsonaro e companhia fizeram um grande esforço para realizar o torneio, mesmo durante mais uma crescente da pandemia do coronavírus, e chegou a ser reportado que o presidente pediu que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) demitisse o técnico Tite para ter um profissional "mais alinhado com o governo".

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Pensando nisso, confira cinco ocasiões em que governo e Seleção Brasileira se misturaram durante a história:

O possível veto a negros no Sul-Americano de 1921

Depois de um charge racista em um jornal argentino fazer com que sete atletas boicotassem um amistoso entre Brasil e Argentina após o Sul-Americano de 1919, a então Confederação Brasileira de Desportos tentava se afastar de animosidades com os 'hermanos' perto da edição de 1921, que seria disputada na Argentina.

Preocupado com a imagem do Brasil no exterior, o presidente da República Epitácio Pessoa teria recomendado que os jogadores negros não fossem convocados para o torneio. Arthur Friedenreich e outros importantes membros da Seleção que eram negros acabaram não integrando a equipe. Pessoa sempre negou o veto.

No ano seguinte, o veto caiu para o Sul-Americano que seria realizado no país e a Seleção foi campeã, batendo o Paraguai por 3 a 0 na final.

Demissão de João Saldanha em 1970

O Brasil conquistou o tri mundial em 1970 com Zagallo, mas começou o ano sendo comandado por João Saldanha, um assumido apoiador do Partido Comunista. No entanto, não foi sua convicção política que o tirou da Seleção, e sim não querer convocar Dadá Maravilha, atacante do Atlético-MG, de quem Emilio Garrastazu Médici, presidente do regime militar naquele momento, era fã. 

"Eu e o presidente, ou o presidente e eu, temos muitas coisas em comum. Somos gaúchos. Somos gremistas. Gostamos de futebol. E nem eu escalo ministério e nem o presidente escala time. Você está vendo que nós nos entendemos muito bem", disse Saldanha após ser perguntado pela preferência de Médici. 

Saldanha acabou demitido duas semanas da declaração e Dadá Maravilha foi convocado para Zagallo para a Copa de 70.

Preparação física em 1970

O regime militar via a Copa do Mundo de 1970 como uma oportunidade para elevar o espírito ufanista nacional e unificar o país, já que seria a primeira transmitida ao vivo por aqui. Por isso, os militares resolveram investir na preparação física da Seleção, tida como um dos principais motivos para o fracasso em 1966.

Cuidando do preparo na escola de educação física do Exército, a Seleção chegou em alta ao México. "Para mim, de todas as Copas do Mundo que eu participei, sem dúvida a de 1970 era a que estava melhor preparada", afirmou Pelé em entrevista ao documentário Pelé, Argentina e os Ditadores, da BBC.

O voo da muamba em 1994

Após o título da Copa do Mundo de 1994, a Seleção foi bastante festejada no Brasil por quebrar uma seca de 24 anos. Mas não existiu uma recepção muito importante, a da Receita Federal. Isso porque o chefão da CBF, Ricardo Teixeira, fez uma ligação para Brasília quando soube que o avião que tinha embarcado no Brasil com 3 toneladas voltou com 14. O limite legal de gastos por pessoa era de 500 dólares. No entanto, os jogadores e funcionários da CBF usaram e abusaram desse limite. O lateral Branco chegou a trazer uma cozinha completa avaliada em 18 mil dólares.

Anos depois, Teixeira e a CBF resolveram bancar o ICMS que deveria ter sido pago por todos os integrantes do voo. Segundo a CBF da CBF e Nike, a confederação pagou 46,2 mil reais de ICMS.

Transmissão da TV Brasil em 2020

Como a Globo ainda não tinha fechado os direitos de transmissão para jogos do Brasil fora de casa nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, o confrontro contra o Peru, em outubro de 2020, quase não foi transmitido pa TV aberta. Mas tudo mudou quando o então secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, entrou com um pedido para que a TV Brasil pudesse fazer a transmissão. 

“Uma Nação apaixonada pelo futebol ficará sem ver hoje a Seleção jogar contra o Peru, pelas Eliminatórias. O jogo será transmitido apenas pela TV fechada. Em conversa há pouco com a direção da CBF, pedi autorização para a TV Brasil transmitir a partida. Vamos torcer”, postou Wajngarten. Horas depois, a CBF anunciou que o jogo seria exibido pela TV Brasil, mas até hoje não se sabe exatamente o que rolou para comprar os direitos, que eram da Federação Peruana de Futebol.

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