40 anos dos Jornais de Bairro: urbanizadas, praias da Barra aquecem turismo na cidade

Em 1982, quando O GLOBO-Barra foi criado, a Barra da Tijuca começava seu processo inexorável de urbanização e crescimento, e o Plano Lucio Costa, concebido com o objetivo de nortear essa expansão, no fim dos anos 1960, podia tanto ser seguido quanto solenemente ignorado nos projetos. A população na Área de Planejamento 4 da cidade, que engloba Barra e Jacarepaguá, era de 400 mil habitantes, e a Avenida das Américas, via expressa que ligava Rio a Santos, tivera um trecho duplicado mas ainda não contava com sinais de trânsito.

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A Avenida Lucio Costa, na orla, chamava-se Sernambetiba, e o campeão de voo livre Pepê fazia sucesso também com sua barraca de sanduíches naturais na beira da praia, que atraía tantos visitantes à região quanto o Bar do Oswaldo ou o trecho da Estrada da Barra da Tijuca conhecido como Rua dos Motéis. Pescadores se esbaldavam no início da Praia da Barra e nas lagoas, e o Recreio dos Bandeirantes era predominantemente rural.

O GLOBO-Barra preparou uma série de matérias que relembram seis profundas mudanças pelas quais a Barra e os bairros vizinhos passaram nas últimas quatro décadas, todas devidamente documentadas pelas páginas do caderno. Esta é sobre suas praias.

Praias urbanizadas, lindas e limpas

Oficialmente, a orla da Barra tem apenas quatro praias: Barra, Recreio, Prainha e Grumari. Mas ao longo de seus quase 20 quilômetros de extensão, alguns trechos ganharam apelidos famosos, como Quebra-mar, Pepê, Reserva, Pontal, Macumba e Abricó. Com poucas exceções, como a problemática área do Posto 2, todas fazem parte do roteiro turístico da cidade, pela beleza e por abrigarem paraísos escondidos, com água cristalina e areia limpa. Kitesurfistas e surfistas veem em suas ondas um atrativo extra. No entorno de muitas delas, quiosques de alta gastronomia recebem os banhistas.

— As praias da Barra hoje estão entre as preferidas no mercado sul-americano (de turismo) em função de sua alta qualidade — atesta Alfredo Lopes, presidente do Hotéis RIO, enfatizando uma promessa que contribuirá para evitar a poluição da orla do bairro e criar outra opção de lazer e mobilidade. — E com a privatização da Cedae, a Iguá, vencedora da concorrência na região (para distribuir água e realizar coleta e tratamento de esgoto), recebeu a incumbência de despoluir o sistema lagunar da Barra, que passará a ser navegável.

Em parceria com a Associação Comercial e Industrial da Região do Recreio e Vargens (Acir), a Hotéis RIO promoverá o 18º Fórum de Meio Ambiente no Hotel Ramada, no Recreio Shopping, no dia 7, às 10h, quando este tema será abordado.

De 2010 a 2021, a Prainha, localizada no final da Praia do Recreio, com 700 metros de extensão e cercada por morros cobertos de vegetação da Mata Atlântica, ostentou o selo Bandeira Azul, certificação internacional que premia praias que seguem critérios de gestão ambiental, qualidade da água, educação ambiental, segurança e serviços, turismo sustentável e responsabilidade social, ficando sem a chancela apenas na temporada 2018/2019. Em 2020 e 2021, a Reserva também recebeu o reconhecimento. Segundo a coordenação do programa, ambas foram candidatas para a temporada 2022/2023, mas a prefeitura não entregou toda a documentação exigida.

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A Secretaria municipal do Ambiente e Clima esclarece que está desenvolvendo ações para atender aos critérios do programa a fim de reaver o selo ou conquistá-lo em novas áreas. A iniciativa abrange atividades educativas sobre a preservação das praias para salva-vidas, comerciantes locais e fiscais ambientais; turismo guiado; ações de limpeza das praias; projetos de tecnologias verdes; e debates sobre sustentabilidade envolvendo moradores e frequentadores. A pasta afirma que, além de Prainha e Reserva, Grumari e Recreio têm potencial para obter a certificação internacional.

Outro marco na região foi a criação, por iniciativa de surfistas, do Parque Natural Municipal da Prainha, uma área de preservação ambiental inaugurada em 2001, com trilhas ecológicas ligando a Prainha a Grumari. Com 147 hectares, o local é conhecido pela combinação exuberante entre a vegetação e o mar.

Amanhã: crescimento imobiliário

A série sobre as mudanças na região da Barra da Tijuca já abordou as transformações na mobilidade, no perfil dos moradores e nas praias. Amanhã, o tema será o crescimento imobiliário, a reboque ou como indutor do adensamento populacional.