4 de Julho aposta em Cartolouco para alavancar marketing do clube; prática é cada vez mais comum entre clubes pequenos

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Pensando em alavancar o marketing digital e movimentar as redes sociais, alguns clubes brasileiros saíram do comum e contrataram celebridades da Internet, mais conhecidas como influencers. Na última segunda-feira (7), o 4 de Julho surpreendeu seus torcedores ao anunciar a contratação de Cartolouco, jornalista que também é conhecido pela publicação de conteúdos digitais.

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Apesar do anúncio oficial feito pela equipe do Piauí, o youtuber, desta vez, não deve colaborar com atuações dentro das quatro linhas. Segundo a publicação do clube nas redes sociais, Cartolouco fará a cobertura em seu canal do segundo jogo entre o 4 de Julho e o São Paulo, válido pelas terceira fase da Copa do Brasil. Na primeira partida, o Tricolor Paulista foi derrotado por 3 a 2, e agora, no Morumbi, o visitante está a um empate das oitavas de final.

Recentemente Lucas Strabko, o Cartolouco, já esteve envolvido em um caso de grande repercussão. O jornalista foi contratado pelo Resende para a disputa do Campeonato Carioca 2021. De dentro do campo e da rotina do time do Rio de Janeiro, o influencer investiu em vídeos da experiência como jogador profissional em seu próprio canal oficial no Youtube, com média de visualizações ultrapassando 600 mil e aumentando a divulgação do clube.

Segundo levantamento da plataforma Social Blade, que contabiliza dados de páginas de redes sociais, o Resende ganhou cerca de 15 mil seguidores no Instagram desde a chegada de Lucas, atingindo a marca de 37 mil no total. Apesar do sucesso na Internet, dentro das quatro linhas o efeito não foi o mesmo, tendo o término de contrato entre as partes em maio, sem o influencer atuar em nenhuma partida..

Outras atitudes semelhantes aconteceram em dezembro de 2020. O São Bento anunciou Juninho Manella, que tem milhões de seguidores nas redes, com o mesmo intuito de alavancar o marketing do time de Sorocaba. Independente da habilidade com a bola, Jefferson Sales, apelidado de Gabigordo, assinou contrato com o Nova Cidade, assim como o sósia de Vitinho. O clube, que disputará a segunda divisão do Carioca, pretende que ambos mostrem a rotina de treinos e bastidores do time no dia a dia em uma websérie.

Para Renê Salviano, ex-diretor comercial de marketing e novos negócios do Cruzeiro, e há mais de 20 anos com experiência no mercado, sendo o fundador da empresa HeatMap, todo esse movimento se encaixa em uma verdadeira ação de marketing, que pode beneficiar as duas partes envolvidas.

- É um ato de conexão com determinado público através do perfil de cada influenciador e, por consequência, aumento da base de seguidores dos próprios e dos clubes - explicou o dirigente sobre as ações feitas pelos clubes.

- Ao tratar de um departamento profissional, eu discordo de ações em que influencers atuam junto com o time, são inscritos no campeonato, a não ser que seja primeiro avaliado pelo nível técnico do atleta”, analisou.

O especialista acredita que o atual modelo de contrato com Cartolouco faz sentido e pode servir de modelo para outros clubes que buscam seguidores.
- Eles possuem experiência comprovada em geração de conteúdo e podem criar em conjunto com o clube inúmeros projetos como webséries, ações nos bastidores de jogo, com fãs e até mesmo cuidar da rede do clube por um dia.

Marcelo Palaia, especialista em marketing esportivo, também acredita que essas ações de comunicação feitas pelos clubes ajudam a atrair mais seguidores para as redes sociais e impulsionam o lado digital. - Toda a repercussão e engajamento na Internet é importante para as marcas nos dias atuais. Isso é algo que mobiliza as pessoas e o nome dos clubes passam a estar em evidência. Estão sempre em busca de milhões de seguidores.

Para as equipes de menor expressão em cenário nacional, o desafio de aparecer com notoriedade, seja nas redes sociais ou na imprensa, é grande. Apesar dessas campanhas serem consideradas positivas, pensando no aspecto do marketing, é preciso olhar para o outro lado da história e para quem também está envolvido nisso. Aos que dependem do futebol para sobreviver, esse tipo de ação pode não ser vista com boas intenções, seja pelos jogadores, membros da comissão técnica ou até mesmo pela diretoria.

Para Marcelo Segurado, diretor-executivo de futebol, com passagens por Goiás e Ceará, é preciso cuidado com essa nova iniciativa.

- Isso precisa ser levado para o Sindicato dos Atletas Profissionais. Estão desrespeitando um mercado de quem está nessa luta desde seus dez, 11 anos de idade, muitas vezes saindo de casa para buscar um lugar ao sol.

O dirigente argumenta que esse tipo de ações de marketing precisam ser direcionadas aos jogadores. - Se um departamento deixar de fazer campanha em cima dos atletas, que são as reais estrelas, ele fracassa. E o departamento de futebol também, pois não deu conta de contratar um jogador que possa dar um resultado melhor do que um comediante. Para mim, fracassa o departamento de marketing, o de futebol e a direção do clube.