2 - Punição como a de Messi é comum na Fifa

GUILHERME SETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A punição de quatro jogos de suspensão dada a Messi pelas ofensas dirigidas ao assistente brasileiro Emerson de Carvalho durante a vitória de sua seleção sobre o Chile por 1 a 0, na quinta (23) em Buenos Aires, gerou estrondo, mas foi coerente com as atitudes que o comitê disciplinar da entidade tem tomado ao longo das eliminatórias da Copa da Rússia de 2018.

Desde meados de 2015, quando as eliminatórias passaram a ser disputadas pelo mundo, a Fifa tem sido rigorosa na punição a ofensas a árbitros, com penas similares à que Messi recebeu, que incluiu multa de 10 mil francos suíços (cerca de R$ 32 mil).

Em outubro de 2016, o jogador Selnaes, da Noruega, virou-se para o bandeirinha e disse: "Vocês apitaram por qualquer coisa", seguido de palavrões, após a partida contra o Azerbaijão. A Fifa lhe deu punição de quatro jogos e multa de 5 mil francos suíços (cerca de R$ 16 mil).

No caso de Messi, o enquadramento no artigo 57 do Código Disciplinar aconteceu por ter xingado o bandeirinha brasileiro. Ele cumpriu seu primeiro jogo de suspensão já nesta terça (28), quando o time do técnico Bauza perdeu para a Bolívia por 2 a 0.

Segundo Wilson Seneme, presidente da comissão de arbitragem da Conmebol, que conversou com Carvalho somente depois que a Fifa divulgou a punição, o assistente não conseguiu ouvir as ofensas de Messi.

"A equipe de arbitragem mandou o relatório da partida para a Fifa, que pediu esclarecimentos. O Emerson então disse que não havia nem entendido as palavras de Messi, devido ao barulho do estádio. Ele só compreendeu as ofensas por meio da imprensa", afirmou Seneme.

Abundam casos de suspensões por aplicação do artigo 57, que prevê punições a qualquer tipo de ofensa a alguém no campo de jogo.

O técnico Winfried Schaeffer, da Jamaica, recebeu multa de 5 mil francos suíços (R$ 16 mil) e suspensão de dois jogos por xingar um árbitro. O treinador Jorge Luis Pinto, de Honduras, foi suspenso por quatro jogos por puxar o técnico Ramón Maradiaga, de El Salvador. A Federação de Honduras recorreu, mas a Fifa não recuou e o técnico teve de cumprir a punição --o que pode ser má notícia para a Associação do Futebol Argentino, que anunciou nesta quarta (29) que irá recorrer.