2 - Com passagem pela base do Fla, Pedro ganha espaço no Flu

LEO BURLÀ

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A timidez com as palavras em nada combina com a desenvoltura que o atleta vem demonstrando em campo. Considerado um dos melhores atacantes já formados em Xerém, Pedro é uma das maiores apostas do ano no Fluminense.

Não fosse um acidente de percurso, o jovem de 19 anos poderia vestir a camisa rubro-negra em vez da tricolor. Natural do bairro do Méier, ele chegou ao Flamengo com oito anos. Entre gols no futsal e no campo, ficou seis anos na Gávea. A trajetória foi interrompida por um diagnóstico de Gilmar Popoca, hoje técnico dos juniores do Flamengo: Pedro era frágil fisicamente.

Entre a saída do Flamengo e o desembarque em Xerém, rodou por clubes pequenos do Rio até chamar a atenção de um empresário que ficou impressionado com seu desempenho no Artsul. No Carioca Sub-20 de 2013, marcou 16 gols e terminou com a artilharia. Era o passaporte carimbado para as Laranjeiras.

"Pedro é um finalizador, um jogador com faro de gol. Tem muito tempo que nós não vemos um jogador deste tipo com tanto potencial. Ele finaliza muito bem e sabe atuar fora da área", atestou Marcelo Veiga, coordenador técnico da base do Fluminense.

Na base do Flu, desandou a fazer gols. Segundo suas próprias contas, já foram "uns 150" desde que começou. Em 2016, marcou 31 vezes e ligou o alerta no clube: com o crescente assédio, teve seu contrato esticado até 2021.

FRED

Pedro foi integrado aos profissionais em 2016 e já balançou a rede uma vez na temporada. A adaptação foi facilitada pelos anos de casa e por um padrinho mais que especial. Então ídolo e capitão do clube, Fred acolheu o jovem. Não bastassem os conselhos em treinos, o hoje atacante do Atlético-MG chamou a revelação para campeonatos de vídeo game em sua casa.

"Prestava muita atenção no posicionamento dele e ele me passou muito da sua experiência", ressaltou.

Os tempos de anonimato vão ficando para trás. Usado com cada vez mais frequência por Abel Braga, "Queixinho", como é chamado "carinhosamente" no vestiário, vê o reconhecimento na rua aumentando aos poucos.

Hoje, mora com seus pais em Jacarepaguá, mas garante ainda levar uma vida normal, apesar de já ter sido protagonista de uma sessão de autógrafos em um shopping na Zona Oeste do Rio. O evento teve boa parte do público formado por familiares e amigos, mas ele sabe que a atenção só tende a aumentar com o passar do tempo e dos gols.

"Tenho de saber lidar, tenho a cabeça boa. Apareceu mais gente, mas ainda não está muito difícil. Dá para ir na padaria ainda", disse.

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