O americano que “se deu bem” com o 11/09/2001

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CJ Hobgood foi o campeão mundial de surfe de 2001 (RYAN MILLER/ASP)
CJ Hobgood foi o campeão mundial de surfe de 2001 (RYAN MILLER/ASP)

Por Emanoel Araújo

O dia 11 de setembro de 2001 está marcado para sempre na memória de todo o planeta. Os atentados terroristas que mataram quase três mil pessoas nos Estados Unidos mudaram o rumo da História e suas consequências alcançaram uma em escala mundial. Até mesmo no surfe.

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O medo pairava por todo território americano, mas um surfista acabou encontrando um atalho para o seu maior feito como profissional no meio de tanto caos.

:: A TRAJETÓRIA

Os irmãos gêmeos Hobgood se aventuravam no mar desde pequenos (ARQUIVO PESSOAL)
Os irmãos gêmeos Hobgood se aventuravam no mar desde pequenos (ARQUIVO PESSOAL)

Clifton James Hobgood, mais conhecido como CJ, nasceu na cidade de Melbourne, na Flórida (EUA). Desde pequeno pegava ondas com seu irmão gêmeo Damien e, aos 10 anos de idade, se destacava nos campeonatos nacionais.

O caminho não poderia ser outro e, em 1999, o garoto prodígio fez sua estreia no Circuito Mundial de Surfe. Em seu primeiro ano, fez uma final no Taiti com o campeão mundial daquela temporada e, como prêmio por essas e outras primeiras atuações na elite, ganhou o Rookie of the Year (novato do ano). No ano seguinte, veio o primeiro título na elite: o Quiksilver Pro France, em Hossegor.

CJ era presença garantida nas revistas especializadas do começo do século (ARQUIVO PESSOAL)
CJ era presença garantida nas revistas especializadas do começo do século (ARQUIVO PESSOAL)

A carreira ia bem, mas CJ não era apontado como um candidato ao título quando a temporada de 2011 começou. O americano começou o ano com um 5º lugar em Bells Beach (AUS). Foi vice-campeão no Taiti. No Arpoador, no Rio de Janeiro, caiu nas semifinais. Em Jeffreys Bay, amargou uma 9ª colocação. Em 12 de julho de 2001, CJ saiu da África do Sul como o líder do ranking mundial.

A parada para férias do evento mundial durou pouco menos do que três meses e foi interrompida por uma tragédia que tirou a vida de 2.996 pessoas. As consequências foram enormes e a perna europeia do Circuito Mundial de Surfe também foi cancelada. Dessa forma restou apenas um evento no calendário do mundo das pranchas naquele ano: Sunset Beach, no Havaí.

:: O ASTERISCO MAIS COMEMORADO DA HISTÓRIA

CJ e Layne Beachley com seus troféus de 2001 (ASP)
CJ e Layne Beachley com seus troféus de 2001 (ASP)

Talvez pelo nervosismo, pela pressão ou mesmo pelas difíceis condições de Sunset, CJ perdeu ainda na segunda fase daquele evento. O título, que parecia tão certo, agora era uma missão quase impossível. O americano tinha que torcer contra oito adversários para levantar a sonhada taça. E a raríssima combinação aconteceu.

Sunny Garcia (HAV), Cory Lopez (EUA), Taylor Knox (EUA), Shane Powell (EUA), Jake Peterson (AUS), Ben Bourgeois (EUA), Mark Occhilupo (AUS) e Daniel Wills (EUA) foram caindo, um a um, e CJ Hobgood se tornou apenas o segundo surfista na história a conquistar um título mundial sem vencer nenhuma etapa.

Seu nome está para sempre na lista dos campeões mundiais, mas sempre com um asterisco ao lado. O que ele acha disso? Diz aí, CJ:

“Acho que isso [o ataque terrorista] me deu mais desejo de vencer do que se não tivesse acontecido. E esse asterisco ao lado do meu nome é uma coisa boa, eu não o tiraria”

CJ HOBGOOD – Campeão mundial de surfe de 2001

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