100 dias de solidão: Última aparição do Palmeiras foi em 14 de março

Marina Bufon*
LANCE!


Gabriel García Márquez, reconhecido escritor colombiano e Nobel de Literatura, jamais pensaria que um livro seu, ‘Cem anos de Solidão’, poderia ter qualquer relação com futebol. Não tem, mas o fato atual é que o Palmeiras não entra em campo há 100 dias, e a solidão da torcida causada pela ausência de jogos do alviverde é dolorosa.

- Fico triste, parece tudo estranho sem esportes, sem futebol, sem Palmeiras. Sou contra a volta, mas a saudade está grande. A saudade é geral, mas aquela sensação de fazer lista para van para ir ao jogo, tomar uma cerveja fora do estádio, passar a catraca e subir aquela escada... Aquela subida da escada é mágica! – rememora a fisioterapeuta Nayara Dordetti, torcedora do clube e frequentadora do Allianz Parque. Ela mora no interior de São Paulo e organiza vans para torcedores irem às partidas.

- A sensação é de falta. Tem uma lacuna numa parte importante da minha vida, dá muitas saudades. Futebol e Palmeiras não são só o jogo em si, tem os pré e pós jogos ao redor do estádio, a cerveja com os amigos. Tenho saudades de tudo isso junto, além, claro, de xingar o juiz, o técnico e o time (às vezes), e de gritar gol – concordou Tainá Shimoda, jornalista e educadora, além de torcedora do Palmeiras.



O último compromisso do time foi no dia 14 de março de 2020, o 0 a 0 contra a Inter de Limeira. Ao lado do banco de reservas, o técnico Vanderlei Luxemburgo mandou a campo a seguinte formação: Weverton; Marcos Rocha, Felipe Melo, Vitor Hugo, Viña; Bruno Henrique (Patrick de Paula), Ramires (Zé Rafael), Dudu; Willian, Luiz Adriano (Lucas Lima) e Rony. Com o resultado conquistado, o Palmeiras estava em segundo lugar do grupo B, com a mesma pontuação do Santo André (19), melhor na classificação geral do campeonato.

Já na Libertadores, o Palmeiras havia acabado de vencer o Guaraní do Paraguai em casa, por 3 a 1, no dia 10 de março. Os gols foram todos marcados por Luiz Adriano. Com esse resultado, o time era o líder da chave B, com seis pontos, à frente dos paraguaios e também de Bolívar e Tigre.

- A sensação é de que entramos no fim do ano e ainda não voltamos. Quando estava começando a esquentar com a fase de grupos da Libertadores, tudo parou. Sinto falta do clima do dia de jogo, chegar ao estádio e encontrar os amigos, cornetar todos os jogadores, diretoria e técnico, principalmente (como todo bom palestrino). Assistir aos jogos antigos foi uma maneira de amenizar no começo, mas agora o buraco já é grande e as saudades aumentam a cada dia – analisou Fabio Casagrande, produtor de eventos, tradutor e torcedor.



De lá para cá foram poucas mudanças no time. Com a paralisação por conta da pandemia do coronavírus, que matou mais de 50 mil brasileiros até a tarde deste domingo, os atletas receberam férias primeiramente, depois extensão de férias e, por fim, o reinício das atividades, mas de forma remota. Com inovação, o clube planejou semanas de atividades para os atletas, cada um em suas casas, com o acompanhamento por parte da comissão técnica, em tempo real. Tudo on-line.

Diferentemente de outros clubes, o Palmeiras não demitiu funcionários, mas suspendeu contratos justamente para evitar cortes. Além disso, reduziu em 25% os vencimentos de jogadores, do técnico Luxemburgo, do gerente Cícero Souza e do diretor de futebol Anderson Barros; e manteve os rendimentos de atletas da base e do feminino. Além disso, o alviverde não contratou ninguém (em ajuste financeiro pela crise, desistiu do lateral Daniel Muñoz, então do Atlético Nacional), nem negociou ninguém, ou seja, não há perdas no retorno das competições.

Depois de 100 dias, então, os jogadores do Palmeiras retornarão à Academia de Futebol, mas apenas para a realização de testes e análises físicas, com todos os rígidos protocolos de segurança requeridos, nesta terça-feira. A expectativa é que as atividades presenciais retornem no dia 1º de julho.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini






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