10 Cantos absurdos de torcidas de futebol

Torcedores do Paraná puxaram coros de “Bolsa Família” e “Vão trabalhar, seus Bolsa Família” para provocar os rubro-negros. Foto: Gazeta Press

Era o dia da Chapecoense comemorar a conquista do segundo turno do Campeonato Catarinense, levar para Chapecó a Taça Sandro Pallaoro e prestar homenagem ao ex-presidente do próprio clube, morto em desastre aéreo que vitimou 71 pessoas. Mas os gritos de “Ão, ão, ão, abastece o avião” entoados por um grupo de torcedores do Criciúma chamaram atenção dos presentes ao estádio Heriberto Hülse pela falta de sensibilidade com algo tão trágico. Infelizmente essa não foi a primeira vez que torcedores esqueceram a humanidade e se aproveitaram de momentos difíceis do rival para fazer provocações. Relembre aqui no Yahoo Esportes outras torcidas e gritos infelizes:

Por Vinícius Vale

Decime que se siente – Grito que ficou famoso na Copa de 2014 realizada no Brasil, o canto dos argentinos ganhou nova versão na Copa América de 2015 realizada no Chile. Se em nossa casa a provocação tinha teor exclusivamente esportivo, no caso dos chilenos a provocação era um pouco mais pesada. Os hermanos recordaram o histórico de confrontos entre os dois países e mostraram rancor com uma suposta traição na Guerra das Malvinas no início de década de 1980. O grito dizia:

“Chile, me diga o que sente, saber que está vindo o mar
Te juro, por mais que passem os anos
Nunca vamos nos esquecer
Que vocês são uns medrosos, traidores desleais
Nos botaram na guerra por medo
Por aqui não venha mais
Tomara que te tape o mar
Que os ingleses que te ajudem a nadar!”

Chelsea: cantos racistas – Antes de um jogo entre Chelsea e Paris Saint Germáin pela Liga dos Campeões de 2015, um grupo de torcedores ingleses impediu um homem negro de entrar no vagão do metrô em Paris. Além do ato extremamente racista, o cântico entoado pelos hooligans foi: “Somos racistas, somos racistas! Esse é o jeito que nós gostamos”. Sobrou para o clube londrino se explicar pela atitude dos seus torcedores na cidade do adversário.

Torcida do Porto cita acidente da Chapecoense para provocar rivais – A torcida do Criciúma não foi a primeira a citar o acidente da Chapecoense para provocar um rival. No começo de abril, em uma partida do campeonato português de handebol, torcedores do Porto deram um péssimo exemplo. O jogo era contra o rival Benfica e o grito provocador dizia: “Ah, quem me dera que o avião da Chapecoense fosse do Benfica”.

Millwall provoca sul-coreano do Tottenham – Você acha que as provocações no futebol europeu são só contra negros? Então não vai acreditar no que aconteceu recentemente no confronto em que o Tottenham bateu o Millwall por 6 a 0 em jogo válido pela Copa da Inglaterra. O sul-coreano Son Heung-min fez três gols dos Spurs e foi alvo de gritos que o ironizavam e diziam que ele fazia promoção de DVDs. “Três por cinco”. O preconceito quer afirmar que todos os asiáticos são vendedores de camelô. Depois do primeiro gol do asiático, o lateral Kyler Walker protestou apontando e tentando denunciar os racistas.

Paranistas mostram preconceito com nordestinos torcedores do Vitória – Voltamos ao Brasil, desta vez para falar de preconceito com nordestinos. Em jogo válido pela quarta fase da Copa do Brasil deste ano, que resultou na classificação do Paraná Clube diante do Vitória, torcedores do time da casa puxaram coros de “Bolsa Família” e “Vão trabalhar, seus Bolsa Família” para provocar os rubro-negros. Essa não foi a primeira vez em que torcedores do tricolor paranaense se envolvem em confusão por conta de preconceito. Em 2014, o volante Marino, do São Bernardo, acusou um torcedor paranista de tê-lo chamado de “macaco”.

Torcedores do Grêmio ironizam morte de Fernandão – A rivalidade entre Internacional e Grêmio é uma das maiores do país. Mas no Gre-Nal de 2014, torcedores do tricolor gaúcho passaram dos limites. Do setor dos visitantes que estavam no Beira Rio, a torcida gremista ironizou o recente falecimento de um dos maiores ídolos colorados com um grito de “Fernandão morreu, Fernandão morreu”.

Corintianos também atacam Fernandão – Todo mundo conhece a rivalidade entre Corinthians e Internacional, e claro que com o Colorado na zona de rebaixamento do Brasileirão o confronto do segundo turno de 2016 teria provocação por parte dos alvinegros paulistas. Mas o exagero foi lembrar de um ídolo do clube do sul que faleceu em um acidente aéreo. Ao fim do jogo que teve vitória do Corinthians, o grito entoado nas arquibancadas da Arena Itaquera foi: “Vocês vão cair igual ao Fernandão”.

Torcedores do Barcelona chamam CR7 de bêbado – Em 2015 a torcida do Barcelona chamada de “Almogavers” aproveitou um vídeo da festa de aniversário de Cristiano Ronaldo para atacar o ídolo do rival Real Madrid. No jogo contra o Levante começaram a cantar a música: “Ele é um bêbado, Cristiano é um bêbado!”. Preocupados com uma possível punição, os torcedores usaram um grito irônico, uma semana mais tarde em jogo contra o Málaga. Localizados atrás de um dos gols entoaram cânticos que diziam “Cristiano não bebe água”.

Cânticos anti-semitas em confronto holandês – Também em 2015, em confronto entre o Utrecht e Ajax, torcedores dos donos da casa destinaram cânticos anti-semitas e relacionados ao nazismo ao clube de Amsterdã, apelidados de “judeus” por causa da forte presença judaica na comunidade. O cântico entoado nas arquibancadas do estádio Galgenwaard foram “o meu pai foi comando, a minha mãe da SS (serviço de segurança nazista), juntos queimaram judeus porque ardem melhor” e “Hamas, Hamas, judeus para o gás”, em referência à forma como os judeus eram exterminados durante a Segunda Guerra Mundial.

Grito nazista na Alemanha – Em 2014, antes do confronto entre o Hamburgo e o Borussia Dortmund, uma homenagem ao ex-fisioterapeuta dos donos da casa Hermann Rieger, falecido dias antes, foi feita com o tradicional minuto de silêncio. Com o estádio inteiro em silêncio, um torcedor do Borussia gritou a expressão “Sieg Heil”, que significa “salve a vitória” ou “viva a vitória”. A frase usada durante o Nazismo, sobretudo nos anos 30, como cumprimento entre radicais políticos da época, rendeu a prisão do torcedor.