[Opinião] Números x atitudes: como trabalhar a massa de torcedores?

Eduardo Esteves*, especial para o Yahoo! Brasil
Yahoo! Esportes

O Ibope divulgou na última terça-feira um levantamento a respeito dos hábitos de consumo esportivo da população em relação à TV e internet. Foram 9 mil entrevistados, de 12 regiões metropolitanas, com abrangência de 50 milhões de brasileiros. Como não podia deixar de acontecer, foi levantado também qual clube detém a maior torcida do país. Desta vez, houve um empate. Flamengo (13%) e Corinthians (13%) apareceram como líderes do ranking, que claramente mostra um crescimento considerável da torcida corintiana.

Por se tratar de uma pesquisa que se concentra em regiões metropolitanas, era de se esperar que o Corinthians atingisse um bom número, uma vez que a força do Flamengo em regiões interioranas é quase que total. Mas o ponto chave vai muito além de qual clube possui maior torcida.

Independente do tamanho de sua torcida, hoje, os clubes conhecem seus torcedores? Eles sabem quem os assiste, acessa e consome? A verdadeira preocupação deveria se basear em qual dos dois clubes trabalha melhor a sua massa, qual deles conhece as suas características e desenvolve ações diferenciadas e diretas ao seu público. Com quem falar? Quando falar? O que falar? Com o foco no tamanho, estas perguntas ficarão sem respostas.

Os programas de sócio-torcedor poderiam ser um aliado muito importante dos clubes nesta busca por informações. Cruzando alguns dados obtidos com o cadastro, como por exemplo, consumo, classe social, preferências e hábitos de lazer, já se faria um banco muito relevante de informações. Este banco de dados levaria a ações de marketing muito mais efetivas, impactando fortemente um cliente do clube.

Outro setor que seria muito beneficiado com estes dados seriam os patrocinadores do clube. Não se limitando apenas a exposição, as empresas teriam muito mais informações e melhor acesso aos potenciais clientes da marca. Com melhor retorno, cresce o interesse no clube, crescem os valores investidos e o grau de satisfação.

Corinthians e Flamengo possuem hoje as marcas mais valiosas do futebol brasileiro, 867 e 689.5 milhões de reais (dados BDO/RCS), respectivamente, mas não trabalham de maneira correta o seu maior ativo: o torcedor. São milhões de brasileiros, espalhados por todo país, que poderiam ser contemplados, por exemplo, com lojas oficiais, torneios contra equipes locais, escolhinhas de futebol e etc. Seria um trabalho melhor desenvolvido e embasado.

Diariamente surgem novas e relevantes pesquisas que mapeiam o torcedor brasileiro e o esporte como um todo. A partir disso, basta que os profissionais do esporte saibam interpretá-las da melhor e mais competente maneira possível, que o retorno, seja na satisfação e no financeiro, virá naturalmente.

* Eduardo Esteves é consultor de marketing esportivo. Quer ficar por dentro do assunto? Acesse www.mktesportivo.com ou entre em contato via Twitter (@mkt_esportivo).













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