Único país árabe e africano ainda na Copa, Marrocos tenta refazer sua história em mundiais contra a Espanha

Na primeira Copa do Mundo num país árabe, vê-se as seleções dessa etnia caírem uma a uma. Primeiro, o Catar, anfitriões que fizeram a pior campanha do país-sede de todos os tempos; depois, a Arábia Saudita e a Tunísia, que caíram na primeira fase, mas encantaram com suas torcidas. Hoje, o Marrocos tenta ser a resistência diante da favorita Espanha, no Estádio Cidade da Educação, em Doha, às 12h.

Nesta fase, o Marrocos carrega nas costas não apenas o mundo árabe na Copa do Catar. Último representante africano na competição, busca reescrever sua história em Mundiais, e avançar pela primeira vez às quartas de final como já fizeram Gana, Senegal e Camarões - todas derrubadas na fase de grupos este ano. E, por que não, ir mais longe?

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Com mais de 35 mil marroquinos morando no Catar, a crença não é só da torcida fanática que tem tomado as arquibancadas - ou tem feito fila nos arredores das entradas do estádio para tentar uma brecha da organização e tentar um lugar lá dentro. Anteontem, a Federação Real Marroquina de Futebol (RFMR) informou que a Fifa disponibilizou mais cinco mil ingressos para os torcedores do país.

É para esses torcedores apaixonados, aqui em Doha ou no Marrocos, que os jogadores prometem dar mais de 200% dentro de campo. O discurso de entrega total permeia as palavras de todos os envolvidos. O técnico Walid Regragui também reverbera.

- É uma sensação fascinante a arquibancada com a torcida do Marrocos, eles conseguirem ingressos para estarem ali. Também somos a última equipe africana na competição. Espero que meu time faça um bom jogo para fazer história e dar orgulho ao país - disse.

Regragui reconhece que vencer a Espanha será um feito tão histórico quanto ir às quartas de final pela primeira vez. Em 1986, os marroquinos pararam na Alemanha. O treinador tenta não jogar todo o peso nas costas da seleção. Ele já sabe a dificuldade de bater os espanhóis na bola, o mental também precisa estar em dia.

--Creio que no futuro teremos mais partidas históricas. Não podemos voltar a 1986 e eliminar a Alemanha. Agora, temos 24 horas para preparar o time e fazer história. Mas temos que encontrar um equilíbrio. Sabemos que é uma partida que pode passar para a história, mas não quero a pressão sobre os jogadores - analisa.

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