Ídolo do Peñarol, ex-palmeirense se envergonha por briga no Uruguai

Victor Hugo Diogo Silva é um dos maiores ídolos da história do Club Atlético Peñarol. Com passagem pelo Palmeiras durante a década de 1980, o ex-lateral direito lamentou a confusão que marcou o final do jogo entre brasileiros e uruguaios na noite de quarta-feira, pela Copa Libertadores.

“Eu me sinto envergonhado e triste” afirmou Diogo, preocupado com a repercussão dos incidentes ocorridos no Estádio Campeón del Siglo. “Essas imagens saem para o mundo, mas não é a realidade do futebol uruguaio nem do Peñarol. Foi um evento esporádico”, completou, em entrevista à Gazeta Esportiva.

Pelo Peñarol, Diogo conquistou a edição de 1982 da Copa Libertadores sobre o Cobreloa, do Chile. Em seguida, com um triunfo sobre o britânico Aston Villa, ganhou o Mundial Interclubes. Representando a seleção uruguaia, venceu a Copa América 1983 e disputou a Copa do Mundo 1986.

“Do lado de fora, para promover a partida, criam uma atmosfera que não é adequada. Às vezes, os atletas entram em um clima de guerra. O futebol é um jogo e ganha quem faz as coisas melhor. Se fosse por valentia ou briga, seria fácil. Andar com guarda-costas em campo não é futebol”, condenou Diogo, que viu a disputa de quarta-feira pela televisão.

Em alta após os títulos no começo da década, o uruguaio foi contratado em 1984 pelo Palmeiras, ávido por encerrar uma longa fila. Raçudo, o ex-lateral direito jogava duro e colecionou alguns cartões vermelhos, mas defende que as diferenças sejam resolvidas durante os 90 minutos.

“O futebol é lindo e Peñarol e Palmeiras fizeram um grande jogo, mas o que houve depois foi um circo. O que acontece dentro do campo deve ficar no campo”, argumentou Diogo, vice-campeão paulista pelo clube alviverde na temporada de 1986.

Com sete gols em 146 partidas de 1984 a 1989, ele é o uruguaio que mais jogou pelo Palmeiras – a marca poderia ser maior, mas o atleta perdeu muitos compromissos por indisciplina. Capaz de atuar tanto na direita quanto na esquerda, ele era querido pela torcida e é lembrado pela potência na cobrança de arremessos laterais.

“Ganhar como visitante do Peñarol não é para qualquer um. O Palmeiras tem um grande time. É seguro, sabe o que faz e conta com jogadores que podem desequilibrar. Em casa, fica ainda mais forte. Vem muito bem e vai ser um grande competidor nas fases finais”, vislumbrou Diogo, morador da área metropolitana de Montevidéu.

Enquanto o Peñarol tem chances remotas de classificação, o Palmeiras já encaminhou sua vaga às oitavas de final da Copa Libertadores. Caso o time uruguaio não passe de fase, Victor Hugo Diogo Silva já sabe para quem torcer no torneio que conquistou em 1982.

“O Peñarol é minha casa e sou torcedor do clube. Se for mesmo eliminado, espero que o campeão seja o Palmeiras, time que me deu a chance de jogar fora do Uruguai e pelo qual sinto muita gratidão. Tem uma grande torcida e que me apoiou em muitos momentos”, recordou, aos 59 anos de idade.