Ídolo do basquete, Marcel trabalha durante pandemia e auxilia no combate ao coronavírus

Rodrigo Souza*
LANCE!


Um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro, o ex-jogador Marcel de Souza continua representando o seu país. Medalhista de bronze no Mundial de 1978 e campeão Pan-Americano em 1987, Marcel é formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e tem trabalhado como ultrassonografista na cidade do interior de São Paulo durante a pandemia do novo coronavírus (COVID-19).

- Trabalho em clínicas que atendem a população de baixa e média renda. Não sou capaz de atender pessoas com coronavírus em hospitais. Tenho 63 anos e sou do grupo de risco. Comecei a orientar as pessoas através das redes sociais sobre o que deveriam fazer ou não - disse Marcel ao L!.

Jundiaí tem 186 casos confirmados de COVID-19 e apenas 16 mortes causadas pela doença. Marcel, que tem trabalhado todos os dias durante a pandemia, garante que a situação na cidade está controlada e que as pessoas, na maioria, tem respeitado as recomendações. O ex-jogador também elogiou o trabalho da prefeitura local.

- A situação em Jundiaí está bem controlada. O pessoal reage dia após dia. Como tenho ido trabalhar todos os dias, vejo que tem dia que a cidade está mais cheia, outro está mais vazia. Não tem nenhuma forma de protesto. A prefeitura de Jundiaí tem feito um grande trabalho junto ao SUS e estamos tendo um grande sucesso - contou.






O novo coronavírus (COVID-19) é uma doença infecciosa que causa problemas respiratórios semelhantes a gripe, com sintomas como tosse e febre, mas em casos mais graves pode gerar dificuldade de respiração. Como prevenção, é recomendado o isolamento social, além de higienização como lavar as mãos com frequência. No Brasil, já são mais de 108 mil casos confirmados e sete mil mortes. Marcel reiterou a importância da quarentena.

- Temos duas certezas sobre o coronavírus. A primeira delas é que aglomeração facilita a transmissão. Isso é um fato. A segunda é que, no presente momento, a doença não tem tratamento. Os médicos prolongam a vida dos pacientes o máximo que eles podem. Minha mensagem é para ficar em casa. No Brasil, o vírus tem atingido pessoas de todas as idades, até criança. O melhor tratamento agora é não ficar doente. Fica em casa e aguarde. Vamos evitar - afirmou.


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Marcel
Marcel

Marcel é o segundo maior cestinha da história da Seleção Brasileira de basquete (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo maior cestinha da história da Seleção Brasileira de basquete, Marcel disputou quatro Olimpíadas na carreira: Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988) e Barcelona (1992). O ex-ala elogiou a postura do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que se posicionou contra a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio neste ano em virtude da pandemia.

- Excelente postura. O esporte é um exemplo. Foi muito boa a atitude do COB durante essa pandemia - disse Marcel que também elogiou o Comitê Olímpico Canadense, o primeiro a se posicionar contrário a Olimpíada em 2020, e também era contra a realização do evento.

- Simplesmente tem que ficar em casa até aparecer uma vacina ou até o vírus regredir. Quando me perguntaram se achava certo o adiamento da Olimpíada, falei que era isso ou morrer. Levar os melhores atletas para disputar os Jogos Olímpicos durante um mês implica que você vai levar junto um monte de pessoas que vão assistir e trabalhar. Tem voluntários, juízes, trabalhadores nas Vilas Olímpicas, nas lojas, nos hotéis... - pontuou.

Em meio a indefinição de outras ligas esportivas, o Novo Basquete Brasil (NBB) já teve uma definição sobre o futuro. Os clubes decidiram por unanimidade pelo cancelamento da temporada sem campeão. Pesaram fatores como a falta de recursos, a complexidade e dos custos da operação para dar sequência aos jogos, a imagem do evento diante do aumento do número de infecções e mortes no país e, sobretudo, a necessidade de preservar a saúde dos atletas. Como médico, Marcel não vê condição do retorno do esporte em 2020.

- O basquete é um esporte como todos os outros. É um esporte de contato, de lugar fechado e é impossível jogar hoje em dia. Nenhum esporte tem condição de retornar ao espírito competitivo. Retornar em julho significa começar os treinos um mês antes, em junho. Estamos em maio e estão morrendo mais de 400 pessoas por dia. Como eu posso permitir que atletas voltem a carga de treinamentos e ao convívio? Vamos chegar num esporte coletivo e dizer que não pode ficar numa distância menor de um metro e meio dos outros? - finalizou.

*Estagiário sob supervisão de Tadeu Rocha










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