'É melhor ter Jogos sem público do que não ter nada', diz presidente do Comitê Paralímpico

Andrew MCKIRDY
·3 minuto de leitura
Os Jogos Paralímpicos de Tóquio estão previstos para começar em 24 de agosto

O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (CIP), o brasileiro Andrew Parsons, disse estar "muito otimista" com a realização dos Jogos de Tóquio, previstos para 2020, mas que serão realizados este ano por conta da pandemia do coronavírus, e afirmou em entrevista à AFP que é melhor realizar a competição sem a presença de público do que cancelá-la.

Como a pandemia continua a se alastrar em todo o mundo, o comitê organizador Tóquio-2020 não descarta a possibilidade de realizar o evento diante de um pequeno público, ou mesmo a portas fechadas.

Mas para Andrew Parsons, esse sacrifício seria aceitável se o evento puder atrair um grande público. “Os Jogos Paralímpicos são uma oportunidade de mudar o mundo”, declarou o dirigente, a pouco mais de 200 dias do início previsto para a competição.

“Entendemos que os Jogos não serão os mesmos sem o público, mas seu impacto é muito forte e vai além da cidade e do país organizador”, avaliou o brasileiro.

Os Jogos Paralímpicos não dizem respeito "apenas aos dois milhões de pessoas" que acompanham pessoalmente as provas, mas também "aos quatro bilhões de pessoas que as assistem em todo o mundo".

A experiência seria diferente, mas “ter as Paralimpíadas, mesmo sem público ou apenas com espectadores japoneses, é melhor do que não ter nada”, afirmou.

- Otimismo com os dois eventos -

Apesar da profunda preocupação com a possibilidade de os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos serem disputados com segurança, Parsons estava "muito otimista", descartando também a ideia de que apenas um dos eventos ocorreria.

“Não é viável para o CIP, mas é claro que vamos cooperar estreitamente com as autoridades japonesas, o comitê organizador e o COI. E todos concordamos” em dizer que não há como realizar os Jogos Olímpicos sem Jogos Paraolímpicos. "Ambos acontecerão", insistiu.

O dirigente brasileiro ecoa um otimismo presente nas declarações desta terça-feira do presidente do comitê organizador em relação à evolução da crise sanitária: os Jogos acontecerão "aconteça o que acontecer", disse Yoshiro Mori.

As Olimpíadas de Tóquio estão programadas para 23 de julho a 8 de agosto, e os Jogos Paralímpicos de 24 de agosto a 5 de setembro.

Andrew Parsons reconheceu que certos atletas podem ficar "insatisfeitos" com o processo de classificação, por conta da pandemia.

Apenas 57% dos atletas garantiram vaga para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, e as eliminatórias devem ser retomadas até março.

“Certamente alguns ficarão frustrados com o processo de classificação”, admitiu Parsons, garantindo que o CIP trabalha com federações esportivas em diferentes cenários.

- "Muitos obstáculos" -

"Mas não podemos fazer nada. Temos que proteger as pessoas", o que significa "não podemos obrigá-las a participar das classificações se isso as colocar em perigo", destacou.

As vacinas não serão obrigatórias para a participação nos Jogos, lembrou Parsons, o que incentiva os atletas a receberem esse "nível adicional de proteção", que se soma às medidas de saúde que os organizadores devem anunciar detalhadamente esta semana.

Parsons admite que o CIP e o COI, trabalhando em conjunto na questão das vacinas, enfrentam "muitos obstáculos" para encontrar uma solução justa.

“Cada uma de nossas ações deve beneficiar todos os nossos membros, todos os nossos atletas” e “não só este ou aquele país”.

“É uma dificuldade, temos que ser justos com todas as nações”, lembrou.

O objetivo é "oferecer a melhor proteção possível" a cada um, quando alguns atletas paralímpicos apresentam sistemas imunológicos frágeis que os tornam mais vulneráveis à covid-19.

Afirmando estar animado pela realização no mundo de diversos eventos esportivos desde o início da pandemia, o presidente do CIP acredita que os Jogos poderão acontecer com segurança.

Os atletas estão determinados a participar, seja qual for o número de pessoas nas arquibancadas, destacou o dirigente brasileiro.

"Queremos que eles tenham a oportunidade de participar", concluiu

amk/sah/mac/ras/psr/iga/lca