Nadal venceu Roland Garros pela 14ª vez com o pé dormente

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Rafael Nadal, campeão pela 14ª vez do Grand Slam de Paris, enfrentou Casper Ruud com o pé esquerdo dormente na final deste domingo (5).

"Tive meu médico aqui comigo. Jogamos sem sentir meu pé, com uma injeção no nervo, então meu pé estava adormecido. É por isso que fui capaz de jogar", disse à Eurosport depois da partida.

O tenista espanhol também lembrou que ficou um mês sem treinar e que, além da lesão no pé, enfrentou uma fratura na costela.

As dores no pé esquerdo do tenista espanhol são decorrentes da síndrome de Müller-Weiss, uma doença degenerativa rara que afeta um dos ossos da parte central do pé. Nadal recebeu o diagnóstico em 2005.

"Este osso se submete a tensões significativas e, por razões desconhecidas, perde sua vascularização e se torna necrótico", disse Denis Mainard, presidente da Associação Francesa de Cirurgia do Pé, à agência AFP.

Nos casos mais graves, "o osso vai se desintegra, pode se fragmentar e, ao final, evoluir para uma osteoartrite com redução do arco plantar", afirma.

A síndrome de Müller-Weiss tem cinco estágios: o primeiro não revela sintomas, o último é a osteoartrite.

As causas são desconhecidas. "Dos dois autores que inicialmente a descreveram, Müller acreditava que fosse de origem traumática, Weiss, vascular. No momento, considera-se que a origem seja vascular", diz Mainard.

Alguns fatores podem aumentar o risco de aparecimento: excesso de peso, pés chatos e fratura por fadiga. O diagnóstico costuma ser difícil na fase inicial, porque os sintomas se desenvolvem silenciosamente.

Além do repouso, o uso de palmilhas ortopédicas pode reduzir a dor, mas quando são intensas não há outra opção senão anti-inflamatórios ou infiltrações.

Para os pacientes que não suportam a dor e não conseguem andar, é necessária uma intervenção cirúrgica para bloquear as duas articulações que envolvem o osso navicular. "No caso de o osso navicular se desintegrar, um transplante ósseo também é necessário para restaurar o comprimento do arco medial do pé", afirma Mainard.

"Praticar esportes de alto nível após uma operação dessas me parece difícil", conclui.

Em Roland Garros, Nadal disse que competir mais uma vez o Aberto da França, aos 36, significa muito para ele. "Não sei o que vai acontecer no futuro, mas vou continuar lutando", afirmou.

"Busquei um nível que eu pensava já não ter", disse Nadal após o triunfo sobre o rival Novak Djokovic, nas quartas de final. Um triunfo que, mesmo com seu histórico quase inacreditável no Aberto da França, era considerado improvável por muitos.

Então líder do ranking mundial e defensor do título, o também veterano Djokovic, 35, havia chegado às quartas sem ter perdido um set. Em razão das dores crônicas no pé, Nadal desembarcou em Paris dando sinais de que a competição poderia ser a sua última.

"Aceitaria perder a final em troca de um pé novo", disse, meio de brincadeira, meio a sério, antes da partida do título.

Com ao menos um par de títulos em cada um dos outros três campeonatos da série Grand Slam --dois no Aberto da Austrália, quatro no Aberto dos Estados Unidos e dois no tradicional Torneio de Wimbledon--, Nadal chegou a 22 taças do circuito Major. Ninguém ganhou tanto, tendo ficado para trás Djokovic e o suíço Roger Federer, 20 conquistas cada um.

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