Na contramão das SAFs, Athletico-PR e Fortaleza são bons exemplos de gestão no Brasil

No primeiro turno, os times empataram sem gols na Arena Castelão (Divulgação/Twitter Athletico PR)


Athletico-PR e Fortaleza duelam na próxima quarta-feira (5), pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, em confronto que coloca, frente a frente, dois projetos que são referência de gestão no futebol brasileiro nos últimos anos.

Isso porque, em meio à alta consideração dos projetos envolvendo o sistema de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), visto habitualmente como "salvação" para muitos clubes, rubro-negros e tricolores apostaram em um trabalho com base em austeridade financeira e objetivos claros que vem sendo cumpridos com louvor dentro e fora dos gramados.

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Nos últimos seis anos, as duas equipes ampliaram a projeção no cenário nacional uma vez que, juntas, somam 13 títulos além de campanhas relevantes em competições nacionais e internacionais.

No caso do Furacão, após o retorno à Série A em 2012 e a disputa da final da Copa do Brasil em 2013, a ascensão é mais evidente a partir de 2018. O clube conquistou por duas vezes a Sul-Americana (2018 e 2021), uma Copa do Brasil (2019) além do tricampeonato no Paranaense: 2018, 2019 e 2020. Também destacam-se o vice da Copa do Brasil de 2021 e a volta a uma final de Libertadores, neste ano, algo que ocorreu pela última (e até então única) vez em 2005.

Outro fator que chama atenção no Athletico é a busca pela formação de talentos com potencial de revenda. Entre 2018 e 2019, por exemplo, o clube arrecadou mais de R$ 300 milhões com as vendas de nomes como Léo Pereira, Robson Bambu, Renan Lodi, Bruno Guimarães, Pablo e Rony.

Já para o Fortaleza, a reformulação iniciou a partir da eleição do atual presidente, Marcelo Paz, em 2017. Desde então, o Tricolor conquistou a terceira divisão do Brasileirão daquele ano, além da Série B no ano seguinte. No âmbito regional, levou a Copa do Nordeste (2019 e 2022) e três edições do Campeonato Cearense: 2019, 2020 e 2022. Os títulos conquistados nos últimos anos credenciaram o Fortaleza como a equipe nordestina mais vitoriosa do século XXI com 17 taças no total.

Outras marcas expressivas conquistadas pelo clube durante o período foram a quarta colocação no Brasileirão e terceiro lugar na Copa do Brasil, ambas em 2021, além da classificação para as oitavas de final da Libertadores em sua primeira edição disputada.

Fora de campo, atualmente o Leão do Pici possui dívidas trabalhistas zeradas e conseguiu manter o crescimento financeiro apesar da pandemia. Nesse período, o clube foi de um orçamento de R$ 24 milhões, há cinco anos atrás, para registrar em 2021 o maior superávit da história de um clube da região nordeste graças a arrecadação de R$ 156 milhões.

- A fórmula para os resultados obtidos baseou-se em uma gestão com profissionais, tanto dentro quanto fora das quatro linhas, controle financeiro e não se deslumbrar nem nos momentos bons nem nos ruins. É fundamental ter equilíbrio na tomada de decisões e muito cuidado com cada centavo do clube - afirmou Paz.