Morte súbita e volta à vida em seis minutos na Meia Maratona de Buenos Aires

A chilena Manuela Bugueño desmaiou ao cruzar a linha de chegada da Meia Maratona de Buenos Aires. Médicos constataram morte súbita e conseguiram reanimá-la em seis minutos. (Arquivo pessoal)


Ao terminar a Meia Maratona de Buenos Aires, no último domingo (22), Manuela Bugueño olhou para o relógio e desmaiou. Se ela fechou os 21km em 1h30m37s, ficando na 116ª colocação no feminino entre cinco mil mulheres e 1.261ª entre os 20 mil no geral, começava ali, na linha de chegada, uma outra corrida para a chilena de 30 anos. Agora por sua vida. Ela tinha tido uma morte súbita.

Após o desmaio, em menos de um minuto quatro voluntários da Cruz Vermelha socorreram Manuela e a levaram para o posto médico. “Cardiologistas e médicos emergencistas verificaram que ela estava em parada cardíaca e iniciaram a reanimação cardiopulmonar (RCP) e, em seguida, o desfibrilador”, afirmou o diretor médico da prova, Diego Pizzini ao site Infobae.

Segundo o cardiologista Roberto Campos, que atendeu Manuela, foram necessários 6 minutos para fazê-la voltar à vida após sofrer uma morte súbita.

“Ela teve a sorte de desmaiar bem em frente ao posto da Cruz Vermelha”, contou Campos ao Infobae. “Em menos de dois minutos começamos a trabalhar na reanimação cardiopulmonar (RCP) e, na segunda tentativa, conseguimos salvá-la. Usamos o desfibrilador e felizmente a Manuela respondeu rapidamente. Esses 6 minutos voaram para mim. Ela teve o colapso às 8h35m, às 8h41m já tinha recuperado o pulso e, às 8h57m, chegou, em uma ambulância, ao Hospital Fernández. Só ali, depois de 22 minutos, ela conseguiu falar o que sentia. A última coisa que ela lembrava foi de olhar para o relógio para ver seu tempo e depois acordar na cama do hospital”.

Família agradece a todos que salvaram vida de Manuela

Após a estabilização, a chilena foi transferida para o Hospital Alemão. “Agora falta fazer estudos para descobrir as causas do que aconteceu com Manuela. Se você tem alguma doença cardíaca ou qualquer problema genético, em princípio, você deve esperar para retornar à atividade esportiva de alta intensidade, como uma meia maratona.”

A jovem chilena agradeceu a todos que salvaram sua vida, e seu pai, Mario Bugueño, do Chile, enviou um vídeo aos médicos para agradecê-los. Ele destacou que “como família, eles não terão tempo suficiente para agradecer tudo o que fizeram para que Manuela pudesse estar com eles novamente, como filha, irmã, prima e neta de toda a nossa família.”

Segundo Campos, na Argentina ocorrem cerca de 35 mil mortes súbitas por ano. “Isso dá quase 100 por dia. Por isso é muito importante que todos saibamos fazer RCP. Desta forma, muitas vidas seriam salvas. É por isso que deve ser ensinado nas escolas e clubes”.

Morte súbita é causa de um falecimento por minuto no mundo

No mundo, a morte súbita causa três milhões de mortes por ano, com uma incidência global de um a dois por mil habitantes, o que representa mil episódios por dia ou um por minuto.

“Os primeiros quatro minutos são fundamentais no atendimento à morte súbita, antes que o cérebro tenha danos irreversíveis ou a própria morte”, disse o cardiologista esportivo Norberto Debbag ao Infobae. “Cada minuto que passa são 10% menos de sobrevivência, se for reanimado no primeiro minuto há 90% de sobrevivência; em dois minutos, 80% de sobrevivência, etc. Se a ressuscitação for alcançada após muitos minutos, o risco de danos neurológicos aumenta, o que felizmente essa garota correndo não teve”.

Meia Maratona de Buenos Aires tem boa estrutura médica

A estrutura médica montada pela organizadora Ñandú para a Meia Maratona de Buenos Aires tinha 27 desfibriladores externos automáticos (DEA) e 14 desfibriladores cardioversores em unidades de terapia intensiva móveis, totalizando 41 desfibriladores em todo o circuito. Além do Posto Médico Central (com médicos, cardiologistas, enfermeiros e técnicos), existiam 11 postos de pronto-socorro, 14 ambulâncias de emergência, quatro motocicletas com paramédicos, 12 motocicletas com DEA e 15 fisioterapeutas e 105 guarda-vidas, além de um centro de coordenação de emergência.

“O número de atendimentos ficou abaixo do que esperávamos, levando em conta a grandiosidade da prova, com mais de 20 mil participantes. Em geral, a maioria dos atendimentos foram de problemas musculares”, comentou Pizzini. (Iúri Totti)