Mo Farah revela que foi traficado para o Reino Unido quando criança

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Astro do atletismo, Mo Farah revelou em forte entrevista que foi vítima de tráfico humano e que tem um nome verdadeiro.
Astro do atletismo, Mo Farah revelou em forte entrevista que foi vítima de tráfico humano e que tem um nome verdadeiro. Foto: (ERIC FEFERBERG/AFP via Getty Images)

Principal nome do Reino Unido no atletismo, tendo ganho as medalhas de ouro nas provas dos 5.000 e 10.000 metros nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 e no Rio de Janeiro, em 2016, o fundista Mo Farah, revelou em entrevista publicada pela BBC inglesa que foi vítima de tráfico humano em sua infância e não chegou à Inglaterra como refugiado, versão que era usada pelo atleta até hoje. Nascido em Botsuana, Farah ainda afirmou que seu nome verdadeiro não é o connhecido por todos, mas, sim, Hussein Abdi Kahin.

Em um documentário, que será divulgado na íntegra na próxima quarta-feira, o atleta contou que foi vítima do que se chama de escravidão moderna e que foi obrigado a cumprir tarefas domésticas e cuidar de crianças, como se fosse uma babá, mesmo sendo criança. De acordo com Mo Farah, ele só recebia comida se realizasse todas as atividades determinadas pela família dona da residência em que ele morava.

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Levado de avião do país do leste africano aos nove anos por uma mulher que nunca conheceu, Mo Farah, ainda revelou que seus pais nunca pisaram no Reino Unido e que sua mãe e dois irmãos vivem em uma fazenda da família na Somalilândia, comunidade que declarou independência em 1991, mas não é reconhecida internacionalmente.

Animado e sem saber que estava sendo sequestrado, Mo Farah estava feliz porque nunca havia andado de avião e, de acordo com a mulher que o levou para a Inglaterra, iria morar com parentes. Documentos falsos de Mo já estavam prontos quando eles chegaram ao Reino Unido, onde foram para um apartamento em Hounslow, no oeste de Londres.

Papéis que continham o contato e detalhes de seus parentes foram rasgado pela mulher, conforme disse Mo Farah: "Bem na minha frente, ela rasgou e colocou no lixo. Naquele momento, eu sabia que estava em apuros". O atleta também era ameaçado de nunca mais ver sua família caso não obedecesse as ordens dadas: "Se você quiser ver sua família novamente, não diga nada".

Aos 12 anos, Mo Farah teve seu primeiro contato com uma escola, quando foi matriculado no 7º ano no Feltham Community College. Um professora de educação física, Alan Watkinson, a quem o atleta confessou sua verdadeira identidade e sua condição de escravidão, buscou serviços sociais para que ele fosse acolhido por outra família, da mesma região que a dele: "Ainda sentia falta da minha família real, mas a partir daquele momento tudo melhorou. Senti que muitas coisas foram tiradas dos meus ombros e me senti como eu. Foi quando Mo saiu - o verdadeiro Mo".

A cidadania britânica, sob o nome de Mohamed Farah, que o atleta recebeu em julho do ano de 2000, pode ser removida pelo Governo Inglês por conta de "fraude ou deturpação".

A BBC chegou a fazer contato com a mulher que levou Mo Farah a Londres, mas não recebeu respostas.

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