'Shakhtar dinamarquês' tem legião brasileira em cidadezinha de 50 mil habitantes

Jogadores do Midtjylland comemoram a conquista da última Copa da Dinamarca (Foto: Jan Christensen / FrontzoneSport via Getty Images)
Jogadores do Midtjylland comemoram a conquista da última Copa da Dinamarca (Foto: Jan Christensen / FrontzoneSport via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Três jogadores do Bahia, outro do Vasco, mais um do Ceará e, por fim, também um do Atlético-MG.

Todos eles liderados no último semestre pelo multicampeão Vagner Love, que chegou sem custos do futebol do Cazaquistão. Essa foi a legião de brasileiros que contribuiu para que o Midtjylland voltasse a conquistar a Copa da Dinamarca na temporada passada e ganhasse o apelidado de “Shakhtar Donetsk dinamarquês” em função de sua aposta recorrente nos talentos que surgem do outro lado do oceano.

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Ao contrário do Shakhtar, no entanto, os escandinavos trabalham com cifras mais modestas no mercado e agem com uma estratégia muito bem definida: comprar na baixa para não comprometer os cofres do clube.

Com um representante no Brasil, o Midtjylland tem virado figurinha carimbada na caça por jogadores no país.

O trabalho é todo ele sempre feito com base nos algoritmos que garantiram ao time a fama de mais fiel adepto do “Moneyball” na elite europeia e que parte da premissa de que, a exemplo do famoso caso retratado em filme do Oakland Athletics no beisebol, os números contam toda a história também no futebol.

Nenhuma peça se move do lado dos dinamarqueses sem que ela seja chancelada pelo badalado departamento de análise da equipe que já virou alvo de reportagem, inclusive, do jornal New York Times.

Deveria ser suficiente para garantir a maior probabilidade de sucesso do time em suas contratações. Em via de regra, costuma ser. Não apenas quando envolve o Brasil e um conjunto de variáveis dificilmente encontradas em outros lugares.

“O mercado brasileiro de transferências é caótico”, admite o chefe do time de analistas do clube, Soren Bjerg. “No espaço de poucos meses, o valor de um jogador pode mudar em algumas centenas de por cento. É algo, de fato, muito irracional e que flutua de acordo com a emoção do dia a dia. Então, se você consegue fisgar um atleta quando ele está menos valorizado, você pode tirar a sorte grande”, completa.

O Midtjylland ainda não conseguiu fazer nenhuma grande venda envolvendo o seu grupo de brasileiros, mas aposta alto as suas fichas no ex-vascaíno Evander. O meia de 24 anos foi eleito melhor jogador da equipe na última temporada e fechou a campanha como o quarto maior goleador canarinho na Europa, com 16 gols, atrás apenas de Arthur Cabral (Fiorentina, 29), Evanilson (Porto, 21) e Vinícius Jr. (Real Madrid, 21).

Desde 2018 em Herning, pacata cidade-sede do clube de apenas 50 mil habitantes e que fica a três horas de carro da capital Copenhagen, ele abriu as portas para os brasileiros no time e foi o responsável direto por fazer a cabeça do técnico para trazer Love, também empresariado pelo seu pai, Evandro Ferreira.

Na altura, criou até uma hashtag (#VagnerLoveInMidtjylland) nas redes sociais para trazer o torcedor para o seu lado.

Os outros representantes do Brasil no time são o zagueiro Juninho (Bahia), o lateral esquerdo Paulinho (Bahia), o atacante Júnior Brumado (Bahia) e o volante Charles (Ceará). Marrony recentemente deixou o clube para jogar pelo Fluminense.

Com laços estreitos com o Brentford, time inglês que possui o mesmo dono, eles sonham com uma transferência para a Premier League. O mais próximo disso que viram disso no passado recente, contudo, foi a ida do treinador de cobrança de laterais – isso mesmo –para o Liverpool. Ele transformou os britânicos em um dos melhores times do continente no fundamento. Atrás somente do próprio Midtjylland, claro.

Com o mercado mais uma vez aberto na Dinamarca, não será surpresa se os escandinavos voltarem a bater novamente na porta dos brasileiros atrás de reforços.