Mentor emocional, Marcelo Suartz almeja título profissional no boliche

Marcelo Suartz durante o prêmio Brasil Olímpico em 2015 (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
Marcelo Suartz durante o prêmio Brasil Olímpico em 2015 (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Quem imagina o fato de jogar boliche constituir apenas uma forma de lazer se engana. Para derrubar os dez pinos e fazer um strike, na jogada máxima da modalidade ou chegar à partida perfeita (300 pontos) requer habilidade, treino e notadamente suporte emocional. Tudo que o paulista Marcelo Suartz, de 34 anos, desenvolveu a partir da infância e se prolonga atualmente, levando até para sua ocupação profissional.

Iniciou aos quatro de idade no esporte ao herdar o talento dos pais Edson e Marina [o genitor campeão brasileiro e a mãe recordista sul-americana]. Na bagagem do casal inspirador, já são quatro décadas jogando.

Antes, Suartz praticou de tudo: natação, vôlei e handebol. Segundo ele, houve um momento de dúvida na escolha a qual modalidade optar, que o levou ao diálogo com o pai. Este explicou haver progresso em um único esporte. “Então fiquei ainda entre o boliche e o futebol”, afirma. No entanto, como o Brasil é o país do esporte da bola e dos campos e a concorrência é desproporcional, seu diferencial foi a opção pelo boliche, pois confiava precocemente no sucesso. Com onze anos já chegara a várias conquistas.

Em paralelo ao esporte, planejava o futuro profissional. E aos 23 anos, estudava marketing nos Estados Unidos (Weber University, em Utah): lá conquistou prêmio de melhor jogador universitário do país, conforme a National Association of Intercollegiate Athletics (associação que congrega competições desta natureza).

O ápice da carreira como atleta viria em forma de medalhas históricas pelas participações nos Jogos Pan-Americanos. Todos os títulos individuais. Em 2011, levou o bronze em Guadalajara (México); 2015, o ouro em Toronto (Canadá) e 2019 conquistou a prata em Lima (Peru).

Mais recentemente tendo como parceiro na seleção o mineiro Bruno Costa {atleta que foi repórter e é filho de Walter Costa, que terminou em nono na única vez que o esporte foi disputado como exibição em Seul-1988}, Suartz participou do Pan-Americano em junho no Rio de Janeiro. Com a terceira colocação na classificação geral pela seleção, ele e Costa, além das paulistas Stephanie Martins e Roberta Rodrigues (feminino), obtiveram a condição de disputar os Jogos Pan-Americanos em novembro de 2023, em Santiago (Chile). Os norte-americanos foram os campeões em ambos os sexos na competição da Cidade Maravilhosa.

A constância vitoriosa no boliche e em outras atividades, ele credita o sucesso à consistência do uso da mente e do corpo. Fortalece sua atuação de atleta de alta performance acrescida do conhecimento de mentor voltado ao desenvolvimento humano. Foi por esta plataforma que obteve duas medalhas de prata (duplas) e bronze (individual) no Campeonato Sul-Americano do Paraguai, em agosto.

Geralmente, ele adotava uma logística antes de competir, chegando dois dias antes do evento. Não o fez desta vez, pois estava palestrando na Unicamp, no interior paulista. “Foi mais um teste comigo. E sei que é possível fazer bem as duas coisas”. Suartz até cria um mantra: “A vida é sobre fazer uma coisa e outra coisa.” Tudo perfeito.

Criador do método batizado de Strike, ele, que é também hipnólogo e coach – tendo ‘provado’ dos ensinamentos do renomado psiquiatra Roberto Shinyashiqui –, inclui em sua metodologia características de habilidade foco, concentração e resiliência. “temos de entender nem sempre ser possível fazer strike; capacidade de analisar uma estratégia e ainda estratégia, e voltar a mentem para momento presente, limpando-a”.

Além disso, deve-se esvaziar a mente, somando informação, acalmando-a e treinando. E se prover de domínio do nível físico potente nas pernas, braços, abdômen e ombros. Tudo alia o esforço sem perda do prazer no que se faz.

A receita para estar em evidência é o trabalho estilo formiguinha (incansável). Marcelo atuou no mundo corporativo em empresas multinacionais por uma década. Seguiu estudando e chegou à pós-graduação em engenharia de marketing (FIA). Ministrou até cursos on-line de boliche. Mas viu nas palestras, mentorias seu caminho profissional producente. A situação do boliche no Brasil não oferece suporte segundo Marcelo. “É tudo muito incipiente. Temos de arcar com custos de viagens e inscrições em competições”, compara o atleta, mesmo apoiado por patrocinadores. Apesar disto seu objetivo pela positividade o leva a sonhar com título que não tem: o de campeão profissional mundial.

Segundo o presidente da Confederação Brasileira de boliche, Guy Igliori, os atletas profissionais podem ganhar de 50 a 300 mil dólares anuais se atingirem muitas conquistas. Caminho que tenta trilhar Stephanie Martins, primeira brasileira na Liga Profissional Americana (2015) – Professional Women Bowling Association (PWBA).

Olimpíada de 2032

A cidade australiana de Brisbane sediará os Jogos Olímpicos de 2032. E Guy Igliori vê com grandes possibilidades de ter o boliche no evento. Pelo país contar também com atrativos de mídia e gestão coesas para torneios desta magnitude. Como por exemplo, a figura do australiano Jason Belmonte. jogador profissional australiano que atua no PBA Tour, nos EUA (país com maior número de conquistas mundiais tendo os suecos na sequência). Ele atraiu a atenção da imprensa pelo estilo de abordagem duas mãos na tacada (pá de duas alças). É fenômeno, com 30 títulos profissionais e patrimônio líquido de 600 mil dólares. Longe, porém, de atingir os 100 títulos da lenda norte-americana Walter Ray Williams Jr.