Menino cego adapta álbum da Copa do Mundo para o Braile e fica famoso no Qatar

Pedro Maron viralizou nas redes sociais e chamou atenção da mídia do Qatar (Reprodução/Instagram)


Morador de Brasília e apaixonado por futebol, o menino Pedro Maron, de 11 anos, resolveu dar um jeito de participar da brincadeira do colégio com os amigos e colecionar o álbum da Copa do Mundo do Qatar. De quebra, ficou conhecido no país do Mundial da Fifa. O LANCE! conversou com Marcos Barreto, pai do menino, que falou da repercussão do caso e a dificuldade da inclusão para pessoas com deficiência visual.

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- Pedro, em 2018, viu os amigos colecionando o álbum e ele chegou em casa perguntando: 'Mamãe, como faço? Meus amigos estão colecionando e também quero'. A maior parte da adaptação foi invenção dela. Em 2022 ele pediu o álbum de novo e já participou bem ativamente da produção. É uma versão aperfeiçoada. Esse álbum agora, cada seleção tem as páginas de um a 20. Então ele sabe que toda página tem 20 figurinhas, fica mais fácil dele localizar. Mas não tem ainda pra ele o mais importante, a grande emoção é abrir o pacote e saber se a figurinha está ou não. Ele precisa da gente. Nós dizemos qual é a figurinha e depois ele procura - disse o pai.

- Agora essa questão do álbum foi mais uma (falta de acessibilidade). Porque a gente já passou por isso muitas vezes. A acessibilidade não está avançada no Brasil e no mundo. É claro que quando a gente vê o resultado a gente fica feliz. Mas até aqui não foi a primeira e não foi a última. Eu espero que hoje, com muito acesso a tecnologia, dá para fazer. Dá pra aprimorar. Com boa vontade dá pra fazer. A primeira pessoa cega que conheci foi meu filho, para ser bem sincero. E a gente aprendeu. Então tem estrutura para fazer - completou.

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Pedro Maron publicou vídeos nas redes sociais mostrando como coleciona o álbum e as publicações viralizaram na internet. A repercussão foi tamanha que o pai do garoto revelou ter sido procurado por veículos do Qatar, país sede da Copa do Mundo, para dar entrevistas.

- Eu não sei como isso chegou no Qatar. A gente foi procurado pelo Instagram de um representante do veículo do Qatar. Aí Pedro deu entrevista para dois veículos do Qatar. Se tiver oportunidade para ir presenciar a Copa, a gente aceita. Pedro está doido para ir. Eu não comento muito isso com ele por que não quero alimentar uma expectativa. Mas ele gosta muito de futebol. Ele é muito curioso. Se você visitar o Instagram dele você vai ver que ele é muito inteligente. Com geografia, história, culturas diferentes. Ai o Qatar ele diz que quer conhecer a cultura árabe. Ele sabe mais do que a gente, a verdade é essa - disse.

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Marcos, que disse não torcer por nenhum time de futebol, afirmou que o filho é flamenguista e explicou como surgiu o amor da criança pelo Rubro-Negro.

- Em 2019, o Flamengo começou a jogar em Brasília. Eu não sou de frequentar o estádio, vou por causa dele. Aí ele começou a torcer para o Flamengo. Comprei um radinho de pilha para ele ouvir a narração da rádio, por que eu não sei narrar direito. Fica difícil. Eu não tenho time, eu assisto só Copa do Mundo - comentou.

Procurada pelo LANCE!, a Panini informou que a empresa não vai se pronunciar sobre o tema neste momento.