Márcia Fu relembra duelos com cubanas: “Maioria das vezes acabava em pancadaria”

Marcia Fu tenta bloquear ataque de Regla Torres nas Olimpíadas de 1996 (Foto: ANTONIO SCORZA/AFP via Getty Images)
Marcia Fu tenta bloquear ataque de Regla Torres nas Olimpíadas de 1996 (Foto: ANTONIO SCORZA/AFP via Getty Images)

Marcia Fu é uma lenda do vôlei brasileiro, integrante da geração que levantou a bandeira do vôlei feminino para uma projeção mundial. Fu juntou-se a Hilma, Ana Paula, Venturini, Ana Moser, Ida, Virna, Ana Flávia e cia para chegar ao pódio nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, com a conquista da medalha de bronze.

O título não veio, mas a tão sonhada medalha marcou de vez o vôlei feminino com um futuro promissor, confirmado posteriormente com o bicampeonato olímpico.

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Outro marco daquela geração certamente de grande parte dos amantes do vôlei foram as disputas com as cubanas, embates travados por muita rivalidade, equilíbrio e provocações. Mireya, Torres e cia fizeram de cada disputa um verdadeiro jogo de nervos.

No auge da rivalidade, cubanas e brasileiras se encontraram nas Olimpíadas de Atlanta, novamente, dessa vez, valendo pelas semifinais, a partida foi para o tie-break, vencida pelo time da ilha de Fidel, duelo marcado por brigas, cusparadas, brigas na rede protagonizadas por Mireya, Regla Torres, Ana Moser, Marcia Fu. Primeiro, sempre é bom recordar aqueles duelos com as cubanas.

Fu relembrou a rivalidade com as cubanas, a geração do vôlei brasileiro, as maiores jogadores da sua era, qual seleção é a favorita para a conquista olímpica, entre outros assuntos.

De fato, é o maior clássico do vôlei mundial?

Sim! Brasil e Cuba! São duas escolas de voleibol fortíssimas! Sempre quando nos confrontávamos a disputa era acirrada! Muitas jogadoras boas! Tanto da nossa equipe quanto na equipe delas. Então, certamente os jogos pegavam fogo.

Conte para nós um pouquinho dos bastidores de cada embate. As provocações, a relação, como era confrontar o time de Regla, Mireya e cia?

A bem da verdade, as cubanas inicialmente tinham um relacionamento bem amistoso conosco. A partir do momento em que elas perceberam que éramos uma ameaça para a equipe delas. Começaram a nos provocar e aquela amizade entre aspas que tínhamos passou para rivalidade. Dali para frente éramos inimigas. Porque começamos a nós despontar em importantes competições! A cada campeonato a disputa ficava pior. A maioria das vezes acabava em pancadaria por ambas as equipes. Não gostava de perder pra elas sobre hipótese alguma. A situação ‘esquentava’ nos vestiários. E por todos os lugares que nos encontrávamos. Dava choque para todos os lados.

Como avalia as gerações que sucederam a de vocês? O protagonismo conquistado por vocês foi de fato o fruto do bicampeonato olímpico?

Acredito que a nova geração conseguiu seguir muito bem, conquistando importantes competições. As meninas têm talento e muita dedicação a nossa seleção brasileira. Nós de certa forma abrimos as portas, no sentido figurado. Mas com trabalho sério e muito foco. A nova geração está se saindo muito bem. Sinto muito orgulho de ter participado desse processo!

Da sua geração, qual foi a maior atleta? No seu Top-5, quais são as maiores atletas de todos os tempos?

Na minha opinião, Fernanda Venturini foi uma das melhores jogadoras do mundo. Muito habilidosa e inteligentíssima na distribuição do jogo. Mireya Luis, cubana atacante de primeira, Ogyenco, russa excelente jogadora e Torres, cubana, eu também me incluo, atuava em todas as posições

Quais são as principais seleções que vão brigar com o Brasil pelo título olímpico? Qual é a sua favorita?

Não tenho favorita! Que vença a melhor! Se Deus quiser, a seleção brasileira, lógico.