"Lulinha paz e amor voltou com força total", diz candidato petista

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante comício em Curitiba

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira que o "Lulinha Paz e Amor está de volta com força total", em uma referência ao perfil conciliador que adotou na campanha eleitoral de 2002 que o levou pela primeira vez ao Palácio do Planalto.

As declarações foram dadas em entrevista ao Programa do Ratinho, do canal SBT.

"Eu converso com todo mundo, eu não quero saber de que partido a pessoa é. Eu respeito as pessoas, não é o cidadão individual, então não tem problema para mim", disse Lula, ao repetir que pretende chamar todos os governadores e prefeitos, caso seja eleito, para determinar o que precisa ser feito no país.

"Eu quero paz e amor. Lulinha paz e amor voltou com força total", acrescentou.

Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, foi perguntado se é um político de esquerda, e questionado pelo fato de alguns países da região com governos de centro-esquerda, como a Argentina, estarem passando por dificuldades econômicas. O petista se definiu como um "socialista refinado".

"Eu me considero um cidadão de esquerda, eu me considero um socialista refinado. Porque eu defendo a propriedade privada, a liberdade de organização, o direito de greve", afirmou. "O que eu quero é construir um mundo mais harmonioso, mais justo. Eu já fiz isso, esse país era mais feliz."

Lula também defendeu o investimento em infraestrutura no país como uma fórmula para criar empregos e, perguntado sobre o investimento em ferrovias, defendeu sua necessidade para ampliar o modal de transporte de carga. O ex-presidente afirmou que o país deve usar mais o transporte de ferrovias e hidrovias, e reduzir o uso de caminhões a trechos mais curtos.

"Precisa fazer mais ferrovias", defendeu, esclarecendo que nem sempre será possível fazer apenas com recursos privados. "Uma ferrovia não é uma coisa estratégica que tem que estar na mão do Estado. Mas, muitas vezes se o Estado não for indutor daquele investimento ele não acontece. Então o Estado tem que estar preparado para ter dinheiro para emprestar para quem queira fazer."

No único ponto em que fez críticas diretas ao presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) --que aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais-- o ex-presidente afirmou que Bolsonaro errou na pandemia e que, apesar de não ser responsável por ela, zombou e brincou com a doença e piorou o número de mortes por ser "ignorante".

"É uma estupidez de alguém que é um pouco ignorante. É o que ele é mesmo, aquele jeitão bruto, de capiau do interior de São Paulo. Tem gente que acha que ser ignorante é bonito. Não é", disse Lula.

Em entrevista a Ratinho na semana passada, Bolsonaro havia se definido como "um pouco xucro" e disse que "fala palavrão".

Ao encerrar sua fala no SBT, Lula fez um apelo para que as pessoas compareçam às urnas no dia 2 de outubro, primeiro turno das eleições deste ano.

"Por favor, vá a urna, escolha quem você acreditar que vai consertar esse país, mas vote, para você ter o direito de reclamar, de xingar, de cobrar. Se você não for votar você não vai poder cobrar nada de ninguém", pediu o ex-presidente.

Uma das preocupações do PT é que os eleitores de renda inferior a dois salários mínimos, jovens e da Região Nordeste --grupos em que Lula tem boa liderança-- não compareçam às urnas.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)