Liga Russa começa em meio a êxodo de estrangeiros e brasileiros em alta

Jogadores do Zenit comemoram o título da Supercopa Russa (Foto: Mike Kireev/NurPhoto via Getty Images)
Jogadores do Zenit comemoram o título da Supercopa Russa (Foto: Mike Kireev/NurPhoto via Getty Images)

Em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, a temporada 2022/23 da Liga Russa começa nesta sexta-feira (15) em um cenário de incerteza, um êxodo de atletas – principalmente europeus – e o Zenit como favorito absoluto para conquistar o seu quinto título seguido.

Por causa do conflito, a Fifa autorizou atletas estrangeiros a suspenderem unilateralmente seus contratos com equipes do país até junho de 2023. E muitos fizeram uso desta cláusula ou chegaram a acordo com seus times para serem emprestados, vendidos ou até mesmo rescindirem seus contratos.

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No primeiro caso, está por exemplo o zagueiro paraguaio Fabián Balbuena. Ele paralisou seu contrato com o Dínamo de Moscou por um ano e está próximo de acertar com o Corinthians. O time paulista, aliás, se aproveitou do desejo de Yuri Alberto em não retornar ao Zenit após as férias e acertou sua contratação. Mas para isso cedeu Ivan e Mantuan ao time de São Petersburgo.

O Spartak sofreu com o êxodo de europeus, perdendo de uma vez só o holandês Guus Til, o tcheco Alex Kral e o sueco Jordan Larsson. O CSKA ficou sem o atacante da seleção nigeriana Chidera Ejuke. Todos acertaram com outras equipes do continente. O brasileiro naturalizado russo Mário Fernandes paralisou seu contrato, mas não acertou com ninguém. Quer descansar e curtir o nascimento de seu filho, previsto para o fim de setembro.

Os poloneses Grzegorz Krychowiak e Sebastian Szymanski deixaram Krasondar e Dínamo, respectivamente. Maciej Rybus foi na contramão de seus compatriotas e trocou o Lokomotiv pelo Spartak. Como “castigo”, acabou banido da seleção da Polônia e não poderá jogar a Copa do Mundo.

Ao mesmo tempo em que vê um êxodo de atletas que estavam no país, a Rússia também vê a chegada de atletas jovens, promissores e sem tanto destaque ainda, muitos da América do Sul.

Foi o caso de Ivan e Mantuan, do brasileiro Lucas Fasson que acertou com o Lokomotiv e do argentino Brian Mansilla, que foi ao Orenburg, entre outros.

Ainda que haja êxodo, o número de estrangeiros não é pequeno. São 96 os atletas de outros países que defenderão as 16 equipes da liga, isso sem contar os naturalizados. Claro que o número poderá mudar devido às incertezas referentes à guerra.

Mas ele ainda poderia ser maior, uma vez que uma mudança de regulamento permite agora 13 estrangeiros, contra 8 da última temporada.

São 11 os brasileiros: Ivan, Rodrigão, Douglas Santos, Wendel, Mantuan, Claudinho, Malcom (Zenit), Lucas Fasson (Lokomotiv), Bruno Fuchs (CSKA), Fernando Costanza (Krylya Sovetov) e Kaio (Krasnodar). E ainda dois naturalizados: Guilherme Marinato (Lokomotiv) e Joãozinho (Sochi).

Esta legião faz com que o Brasil seja o país com mais estrangeiros uma vez mais, seguido por Belarus (8), Croácia (7) e Nigéria (6). Da América do Sul, são 4 colombianos, 4 argentinos, 2 paraguaios e 2 uruguaios.

“A situação é muito dinâmica. Não podemos dar garantias sobre os estrangeiros”, disse Dmitry Zelenov, assessor de imprensa do Spartak.

“Tudo pode acontecer. Não posso dar garantias sobre estrangeiros por causa da regra da Fifa. Temos que estar preparados para tudo", afirmou recentemente o técnico do Zenit Sergey Semak ao comentar o interesse do Flamengo no volante Wendel.

Graças ao seu poder financeiro e o fato de ser o time dominante na Rússia há anos, a equipe de São Petersburgo só sofreu com a perda de Yuri Alberto na troca com o Corinthians e trouxe dois jogadores estrangeiros que já estavam na Rússia, o brasileiro Rodrigão e o colombiano Cassierra. E por isso será grande surpresa se não levar mais um título.

Os brasileiros, por exemplo, se sentem bem no Zenit e não querem deixar o clube brigados ou contra a vontade dos dirigentes.

“Tenho mais quatro anos e meio de contrato com o Zenit. Há propostas e creio que vai haver mais. Mas como falei. Se for para sair, que seja bom para mim e para o clube e nada turbulento. Mas quero ficar, estou feliz aqui. Se for para acontecer algo, que seja bom para os dois lados”, afirmou o meia-atacante Claudinho.

Vale lembrar que nesta temporada, os clubes russos estão impedidos de jogar qualquer competição europeia.

Em que pesem as incertezas, a certeza é que a bola rola para o primeiro jogo às 14h (de Brasília) desta sexta-feira. O Zenit visita o Khimki nos arredores de Moscou.

O campeonato será jogado até o dia 3 de junho, com a pausa de inverno antecipada para 13 de novembro já por causa da Copa do Mundo.

Dos 16 times, três vieram da segunda divisão: Torpedo, Orenburg e Fakel.