Investimento de patrocinadores evidencia crescimento do futebol feminino no Brasil

Jogadoras do Corinthians festejam um gol marcado no Brasileirão (Foto: Divulgação/Corinthians)


O investimento de grandes marcas patrocinando equipes do futebol feminino e entidades esportivas não para de crescer e evidencia que a modalidade já virou uma realidade no Brasil.


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Nesta semana, o Palmeiras acertou contrato de patrocínio com o Cartão de TODOS, válido até julho de 2023. Em maio deste ano, o Verdão já havia fechado com a Betfair para aumentar os investimentos na equipe. Além de estampar a parte da frente da camisa das atletas, o acordo contempla um cartão de benefícios licenciado pelo clube, nomeado como Cartão de TODOS Palmeiras, a ser lançado em breve.

- Como já diz nosso próprio nome, somos para todos. Ter um investimento focado nas mulheres, na equipe do Palmeiras, nos alegra muito. Faremos ativações, promoções e proporcionaremos experiências para que cada vez mais a modalidade seja apoiada pela torcida e tenha engajamento - comentou Victor Oliveira, gerente de comunicação do Cartão de TODOS.

No rival Corinthians, o acordo com a empresa de casa de apostas galera.bet foi ampliado em maio deste ano. A parceria, que já existia desde a disputa da Supercopa, em fevereiro, passou a valer até o final de 2023. A logomarca da empresa está estampada na região do ombro do Timão e exposta nas redes sociais, nas placas do Centro de Treinamento e nas entrevistas.

- Quando penso no futebol feminino, a primeira palavra que vem à cabeça é resiliência. Por muitos anos foi renegado e até proibido. E veja onde elas chegaram. Em uma época em que falamos tanto sobre a necessidade de igualdade em todas as esferas, apoiar essa modalidade significa dar força à mudança de postura, trazendo à tona o quanto essas meninas são profissionais, talentosas e merecedoras de seu sucesso - aponta Ricardo Bianco Rosada, CMO do galera.bet, empresa que também já era patrocinadora do Brasileirão Assaí Feminino.

- Podemos observar que há mais interesse das companhias em apoiar as equipes de futebol feminino. A modalidade está entrando no radar das grandes empresas e conseguimos assistir ao desenvolvimento dentro e fora das quatro linhas. Esse crescimento da categoria não é apenas algo momentâneo, é algo que veio para ficar - diz Armênio Neto, especialista em geração de receitas na indústria esportiva.

No Rio Grande do Sul, o Internacional é a primeira instituição a contar com o investimento focado principalmente no futebol. Em junho deste ano, o Colorado anunciou de uma vez só parceria com a EstrelaBet para o time masculino (omoplata) e feminino (máster).

- Os investidores olham para o Inter como um bom lugar para promover suas marcas, e os novos parceiros são de grande importância e comprovam a boa administração da modalidade. A escolha das empresas por nossa instituição mostra toda a nossa força e representatividade - afirma Jorge Avancini, vice-presidente de Marketing do Colorado.

Para Fabio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, a solidificação comercial da categoria impulsiona os investimentos dos times no esporte.

- Por conta do fortalecimento do futebol feminino, observamos um grande número de companhias interessadas em apoiar a categoria. Essas parcerias conquistadas pela modalidade impulsionam o desenvolvimento do esporte dentro e fora de campo. Grande exemplo disso é a quantidade de novos acordos sendo celebrados por equipes do futebol brasileiro - conta Wolff.

O executivo é um dos principais organizadores do Brasil Ladies Cup, torneio internacional que terá a segunda edição em novembro e já com 13 partidas confirmadas a serem transmitidas ao vivo no Sportv. Além de São Paulo (atual campeão), Flamengo, Palmeiras, Santos, Ferroviária, Internacional e Universidad de Chile, quem confirmou presença foi o Atlético de Madrid, da Espanha.

Um dos pontos altos da competição não é apenas o que acontece dentro de campo, mas também fora dele. O evento quer ser uma referência em futebol feminino ao também promover uma semana de intercâmbio de conhecimento com palestras de diversos temas, como Liderança, Gestão, Marketing e Mídia, troca de experiências por meio da clínica de futebol e ações sociais.

- É um meio importante de comunicação com o público feminino e engajamento em lutas por direitos e conquistas sociais. E existe o aumento da quantidade de atletas que podem gerar recursos para os clubes através de vendas e empréstimos, além da utilização de sua imagem - diz o diretor-geral do futebol feminino do Internacional, Cláudio Curra.

Ele entende que a fomentação do futebol feminino dentro e fora das quatro linhas pode proporcionar diversos tipos de benefícios.

- O público passa a consumir mais produtos vinculados à modalidade; as cotas de transmissão crescem e as premiações, igualmente. O valor e alcance de mercado das atletas também - avalia.

Hans Schleier, diretor de marketing da Casa de Apostas e parceiro comercial da TV Bandeirantes, emissora que está transmitindo o Campeonato Brasileiro Feminino, segue linha parecida.

- É fundamental fazermos parte desse processo de crescimento do futebol feminino. A categoria já é uma realidade. O investimento melhorou, os clubes estão com estruturas mais modernas e os torneios são bem desenvolvidos. Devemos acompanhar o mercado e incentivar - analisou.

Equipes emergentes também têm valorizado e garantido o seu espaço dentro da categoria. Pela primeira vez tendo disputado o Campeonato Brasileiro da Série A3, o Cuiabá tem expandido suas forças na modalidade e inclusive já possui categorias de base na modalidade feminina. A tendência é aumentar os investimentos para os próximos anos.

- O futebol feminino está crescendo muito e vai crescer muito mais nos próximos anos, falo isso em âmbito nacional. Tem muitas equipes no Brasil todo aumentando os seus investimentos e apostando na categoria, nós não somos diferentes - aponta Cristiano Dresch, vice-presidente do clube.

Já o time feminino do Avaí passou a ser totalmente gerido pelo clube no início deste ano, com a eleição do presidente Júlio César Heerdt e sua chapa. Com patrocínios de Pixbet, UNIARP e WOA, a ideia da nova gestão é revitalizar o futebol feminino, modernizar seus departamentos e projetar avanços esportivos significados para as próximas temporadas.

Em outras praças, clubes tradicionais também apostam suas fichas. No Rio, o Flamengo divulgou o "Elas Jogam", iniciativa em conjunto com o Mercado Livre. O projeto consiste em uma carta que garante bolsa integral para a escola do clube, kit com brindes e produtos. A empresa argentina estampa sua marca nas costas das jogadoras do clube carioca. Já o Fluminense anunciou no primeiro semestre o fechamento do acordo com a Universidade de Vassouras (Univassouras). Com contrato válido até o fim do ano, a instituição de ensino irá expor sua marca em todos os torneios da temporada. O pacto marca o primeiro patrocínio máster da história do futebol feminino do Tricolor das Laranjeiras.

Em Minas, o Atlético-MG, que está na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, conta com seis patrocinadores para o time feminino, sendo que dois deles, caso da Blink e Tim, são exclusivos. Pedro Melo, responsável pela área comercial do Galo, e que atua na captação e gestão de patrocínios, explica que o clube tem procurado montar times competitivos para estar sempre disputando o título dos torneios que participa, uma vez que isso também ajuda a atrair mais patrocinadores.

- Eu acredito que o futebol feminino tem crescido a cada ano e as empresas estão olhando para isso. No nosso caso, tem patrocinadores que estão no masculino e também patrocinam o feminino, porque compreendem a importância e a representatividade que as mulheres estão tendo no futebol - acrescenta Melo.

O executivo também destaca o crescimento da modalidade no âmbito dos negócios.

- O mercado está olhando mais para esse nicho. Obviamente não tanto quanto o masculino, mas já é possível notar um progresso. Neste momento, há vários clubes que possuem grandes empresas apoiando e acho que isso é uma grande demonstração de força do futebol feminino.

Estaduais também saem fortalecidos

Dentre as competições estaduais, a visibilidade é a mesma. O Campeonato Paulista Feminino, que começa nesta quarta-feira (10), anunciou um aumento na premiação oferecida, saltando de R$ 140 mil oferecidos em 2021, para R$ 1 milhão ao vencedor nesta temporada.

Somadas todas as premiações, serão distribuídos R$ 2,6 milhões, um recorde até então. No campo das transmissões, todos os embates serão televisionados, seja por meio de streaming ou canais de TV fechada. Além de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, participarão da disputa Ferroviária, RB Bragantino, Portuguesa, São José , EC São Bernardo, Pinda e Realidade Jovem.

Responsável pelo projeto lusitano há 14 anos, Prisco Palumbo relata a evolução do campeonato e as expectativas da Portuguesa para o estadual.

- Nos últimos anos, os campeonatos se reestruturam, é evidente a evolução técnica das meninas. Com o futebol feminino em alta, o interesse dos patrocinadores também cresce, o que reflete no aporte dos clubes. Para esta edição, fizemos uma preparação mais longa e esperamos que os resultados sejam mostrados dentro de campo.

Na última edição, o Paulistão registrou o recorde de público no país. Na finalíssima entre Corinthians e São Paulo, em Itaquera, mais de 30 mil pessoas acompanharam o Majestoso, que culminou com a vitória da equipe da casa.

Já no Estadual do Rio Grande do Sul, a mesma empresa patrocinadora das Gurias Coloradas do Internacional, a EstrelaBet, anunciou que também vai ser parceira oficial do Campeonato Gaúcho Feminino, com objetivo de aumentar ainda mais o fomento ao futebol feminino no país.