Instituto Vini Jr se une a escolas públicas e tem até app para rever conteúdo de aulas em forma de jogo

Vinícius Júnior com crianças atendidas pelo instituto que criou (Foto: Divulgação/Instituto Vini Jr)
Vinícius Júnior com crianças atendidas pelo instituto que criou (Foto: Divulgação/Instituto Vini Jr)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

O atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, fundou há um ano o “Instituto Vini Jr”, no Rio de Janeiro, com o objetivo de trabalhar com crianças da rede pública. E para isso, o craque voltou ao berço, à Escola Municipal Paulo Freire, em São Gonçalo (RJ), cidade natal do jogador e onde ele estudou na infância. Além deste colégio, o Instituto também trabalha em parceria com a Escola Municipal Afonso Pena, em Rio Preto (MG). O objetivo da organização é proporcionar aos estudantes dos colégios uma formação voltada em três pilares: educação, esporte e tecnologia, que juntos se transformam no “Base”, o aplicativo desenvolvido pelos profissionais do Instituto.

Esse app mistura tecnologia com esporte para facilitar o aprendizado, ou seja, os alunos reveem o conteúdo da sala de aula em forma de jogos. O Base foi elaborado em formato de uma competição de futebol. O software, por hora, foi desenvolvido para os estudantes do Ensino Fundamental I, que corresponde do 1º ao 5º ano. Cada ano é tratado como “temporada”. E cada bimestre é dividido em “competições”. Em cada uma, os alunos e alunas precisam responder questões das disciplinas que aprendem nas salas de aula. Como recompensa, recebem moedas, pontos e troféus para estimular o interesse nas atividades.

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Em entrevista exclusiva para o Yahoo Esportes, o diretor executivo do Instituto Vini Jr, Victor Ladeira, disse que o app Base foi bem aceito tanto por pais e professores e a tendência é de haver uma mescla das atividades online e presenciais para trazer uma escola com conceito inovador.

“O que nós propomos é diferente. É entender o processo e entender que as crianças são de uma geração que essas escolas não estão preparadas. Quando mudamos a linguagem e oferecemos aquilo que eles gostam [tecnologia e esporte] aí conseguimos influenciar a forma como se passa o conteúdo. A ideia não é que tudo seja aprendido no aplicativo, mas complementar o que o professor faz”, detalhou.

Segundo Victor, a pandemia trouxe muitos problemas para a educação, principalmente para os estudantes da rede pública e de cidades com maior índice de vulnerabilidade social. É justamente esses meninos e meninas que o Instituto quer “abraçar”. As atividades desenvolvidas no app Base estão de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que regulamenta o conteúdo que deve ser ensinado nas escolas brasileiras.

“A criança não vai aprender tudo pelo aplicativo. O app é um recurso pedagógico. Vai complementar o que os professores fazem. As atividades finais são físicas, para trazer também a questão do movimento, de tirar a criança da sala de aula”, disse Ladeira, que complementou explicando que a organização é presidida pelo Vinícius José Paixão, pai do Vinícius Júnior, e a sua diretoria é composta por 15 profissionais.

Tanto o app Base como Instituto Vini Jr são mantidos através dos recursos do atacante da Seleção Brasileira. No primeiro ano foi investido R$ 1 milhão. Neste segundo, a expectativa é que o custo dobre para R$ 2 milhões. Depois de um ano testando o aplicativo “Base” e capacitando os professores da Escola Municipal Paulo Freire, em São Gonçalo, e Escola Municipal Afonso Pena, em Rio Preto, o objetivo do Instituto é colocar o projeto para funcionar diariamente. A previsão é que no mês de junho se tenha o lançamento oficial das atividades em cada uma das escolas. Mais de 1.000 crianças serão atendidas pelo Base.

Em conjunto com o aplicativo também foi desenvolvido a ferramenta “Scout”, em que o professor terá acesso às atividades feitas pelo aluno como forma de acompanhar o desenvolvimento da criança. O Base não estará disponível em lojas de aplicativos. Será um app apenas para as Escolas Municipais parceiras do Instituto.

“Nós queremos chegar em um modelo para atingir impacto social comprovado e que essa mudança possa ser replicada pelo poder público. É a questão do fomento da política pública. Temos um método acordado com todo staff e agora convidamos parceiros que querem nos ajudar nesta expansão. Por ora o nosso foco é a “base”, porque é o que nós queremos transformar”, explanou.

Para este segundo ano, o objetivo do Instituto é ampliar para cerca de seis escolas atendidas, sem custo por parte do Poder Público. Para outros municípios que desejam conhecer mais o Base, ou empresas que queiram levar o projeto para as escolas municipais, o Instituto desenvolveu um sistema de parceria.

O custo do Base para cada escola é de R$ 50 mil anuais. Deste valor, 70 a 80% é usado para a compra de equipamentos e para a reforma de uma sala de aula, que ficará como legado físico do projeto. O resto será usado para a capacitação dos professores e a ida dos profissionais do Instituto até a escola. Nenhum valor vai para os cofres da organização.

“A gente quer usar esse lugar de destaque do Vini Júnior para entrar na escola pública, comprar essa briga e fazer da escola pública um lugar agradável. Ser um lugar em que as crianças realmente consigam aprender”, afirmou o diretor.

INCLUSÃO SOCIAL

No passado, a família do Vinícius Júnior era conhecida por ajudar pessoas com pouco que havia em casa. A mensagem do instituto reflete no lema da família, e, principalmente, aliar o esporte como ferramenta de educação para que um sujeito use esses valores nas realizações de sonhos, segundo Ladeira.

“Na maioria dos casos, a pessoas entendem bem a nossa mensagem. Vini Jr sempre que pode afirma que as crianças não vão se tornar jogador de futebol, apenas 1 ou no máximo 2 vão ser profissionais da bola. O nosso investimento é para esses 99%. O instituto é para canalizar os esforços da família em prol do bem comum”, disse.

FUTURO

Para os próximos anos, o desejo é que o Instituto Vini Júnior seja reconhecido pela ONU (Organizações das Nações Unidas), como formulador de uma tecnologia que impactou a educação pública brasileira.

“Queremos até 2030 ser umas das organizações que ajudou na melhoria da educação no Brasil. Fazer com que as crianças aprendam melhor. Tecnologia no dia a dia. Por isso essa preocupação com pesquisa, desenvolvimento, porque daqui alguns anos queremos mostrar os resultados dessa metodologia. É estar no debate para falar em alto nível sobre educação no Brasil. Colocar o Vini Jr como uma liderança neste assunto”, finalizou.

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