Insatisfeitas com treinador, jogadoras rejeitam defender a Espanha

FOLHAPRESS - Quinze jogadoras espanholas de alto nível, todas em condições de defender a seleção do país, renunciaram temporariamente a possíveis convocações do treinador Jorge Vilda.

Em email enviado individualmente à RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol), elas expõem que a atual situação afeta o estado emocional e a saúde mental de cada uma.

No fim de agosto, líderes das selecionáveis expressaram em reunião com dirigentes que a maioria das jogadoras está muito insatisfeita com o comando do treinador, que assumiu em 2015 e tem contrato até 2024.

O descontentamento inclui os resultados em campo, os métodos de treinamento, a gestão das contusões e o clima ruim no vestiário.

No Campeonato Europeu, em julho, uma das melhores gerações da história da seleção espanhola parou nas quartas de final, ganhando dois jogos e perdendo outros dois (para Alemanha e Inglaterra, que se sagraria campeã).

As jogadoras que decidiram se afastar da equipe nacional são Ainhoa Vicente Moraza, Patri Pebble, Leila Ouahabi, Lucia Garcia, Mapi León, Ona Batlle, Laia Alexandri, Claudia Pina, Aitana Bonmatí, Andrea Pereira, Mariona Caldentey, Sandra Paños, Lola Gallardo, Nerea Eizaguirre e Amaiur Sarriegi.

Sete delas defendem o Barcelona, atual tricampeão espanhol, e nenhuma joga pelo Real Madrid.

A RFEF rebateu prontamente a atitude das atletas, reprovando-a com veemência.

"A federação não permitirá que jogadoras questionem a continuidade do técnico, já que essa tomada de decisão não é da competência delas. Esse tipo de manobra está longe de ser exemplar e é prejudicial aos valores do futebol."

"De acordo com a legislação espanhola", prosseguiu a RFEF, "o não comparecimento a uma convocação nacional é uma infração gravíssima e pode resultar em sanções de dois a cinco anos de afastamento. A RFEF não levará as coisas a esse extremo, mas só terá futebolistas comprometidas."

"Esse fato passou de uma questão esportiva para uma de dignidade. A seleção nacional não é negociável. É uma situação sem precedentes na história do futebol, na Espanha e no mundo", concluiu a federação em seu comunicado.

Alexia Putellas, atual melhor jogadora do mundo (prêmios Bola de Ouro e Fifa The Best), que não acompanhou colegas de Barcelona na recente lista de reclamantes, saiu em defesa delas em mensagem em rede social.

"Jamais pedimos a renúncia do treinador, como foi publicado. Sabemos que nosso trabalho não é decidir isso, porém podemos expressar, de forma construtiva e honesta, o que pode fazer o time melhorar a performance."

Quem também proferiu apoio ao movimento das 15 atletas foi a norte-americana Megan Rapinoe, símbolo na luta por melhorias no futebol feminino, em questões que envolvem a comparação com o futebol masculino (salários e condições de treinamento, por exemplo).

"Há uma 16ª [jogadora] com vocês [nos EUA]. Tantas atletas juntas assim é pujante. Todos devemos ouvir [suas palavras]."

Desfalcada de várias jogadoras de renome, a Espanha fará dois amistosos em outubro, contra Suécia e Estados Unidos, e a RFEF indicou que o treinador Vilda pode dar oportunidade a atletas mais jovens.

A equipe está em preparação para a Copa do Mundo de 2023, que será realizada na Austrália e na Nova Zelândia nos meses de julho e agosto. Participarão 32 seleções, e o Brasil é uma delas.