Como o técnico do Celtics superou a rejeição para chegar à final da NBA

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Nos Celtics, Ime Udoka está em sua primeira experiência como técnico principal (Foto: Adam Glanzman/Getty Images)
Nos Celtics, Ime Udoka está em sua primeira experiência como técnico principal (Foto: Adam Glanzman/Getty Images)

Ime Udoka precisou fazer jus ao seu nome quando decidiu se tornar treinador de basquete. A palavra Ime significa “paciência” no idioma nativo do estado de Akwa Ibom, no sul da Nigéria, região onde seu pai nasceu e viveu até 1970, quando migrou para os Estados Unidos. Paciência e resiliência foram duas coisas que ele teve que carregar durante os últimos anos, até mostrar o seu valor e ser o primeiro técnico de origem africana a treinar um time da NBA. E ele fez o que nenhum treinador conseguiu nos últimos 12 anos: levar o Boston Celtics à final da liga.

Ser o treinador principal de uma equipe sempre foi o objetivo de Udoka. Ao menos três times tiveram a chance de concretizar este objetivo antes de Boston, de acordo com o próprio treinador. Em entrevista concedida a Chris Haynes, do Yahoo Sports, após a vitória do Celtics contra o Miami Heat na final da Conferência Leste, ele revelou que Indiana Pacers, Cleveland Cavaliers e Detroit Pistons o rejeitaram como técnico.

Leia também:

“Isso foi difícil, porque eu acredito que estava pronto”, disse Ime na entrevista.

Mesmo com apenas 44 anos, a experiência de Udoka na área técnica vem de muitos anos. Ele se tornou assistente de Gregg Popovich no San Antonio Spurs em 2012, pouco depois de se aposentar como jogador, onde trabalhou por oito temporadas. Ainda teve passagens, também como assistente, pela seleção de basquete dos Estados Unidos e pelo Philadelphia 76ers (2019/20) e Brooklyn Nets (2020/21).

“Eu nunca deixei de acreditar. Eu apenas continuei tentando, aprendendo e crescendo. Sabia que a oportunidade ia surgir em algum momento. Estamos fazendo um ótimo trabalho, mas não podemos parar por aqui”, falou Ime na entrevista coletiva da última terça-feira (31).

Udoka chegou ao Boston Celtics em 2021, após oito anos de Brad Stevens como treinador da equipe. Sua contratação gerou certas desconfianças, já que se tratava de alguém em sua primeira experiência como técnico principal. E quando se trata de pessoas negras com um currículo de iniciante, as críticas e inseguranças são comprovadamente maiores. Mas enquanto a opinião pública questionava a sua chegada, o vestiário do Celtics tinha um efeito contrário. Jaylen Brown, uma das estrelas do time, já havia cobrado publicamente que a franquia considerasse candidatos negros à vaga de técnico antes do anúncio de Ime.

“Treinadores negros são capazes de obter sucesso como qualquer outra pessoa. Contratamos um negro para esta temporada e ele nos levou à final”, disse Brown na coletiva.

Jayson Tatum também demonstrou sua satisfação com Ime Udoka durante a coletiva pós-treino ao destacar que uma liga composta majoritariamente por jogadores negros deveria ter mais técnicos negros empregados.

“A liga é formada pela maioria de nós (negros). Isso já é motivo suficiente para termos mais técnicos na posição dele. Se tiverem uma chance, com certeza vão mostrar que são mais do que capazes”, disse Tatum.

A participação de alguns jogadores da NBA nas manifestações do Black Lives Matter em 2020 levou o debate sobre o racismo estrutural nos Estados Unidos para dentro das quadras. Desde então, as oportunidades para os treinadores negros parecem aumentar a cada temporada. Na offseason de 2021, sete das oito vagas para técnicos principais foram preenchidas por negros. São 14 treinadores negros no momento, o que representa o maior número desde a temporada 2012/13, que também teve 14.

“Os jogadores apenas queriam mais pessoas parecidas com eles”, disse Udoka. “Há uma conexão cultural natural entre um técnico negro e seus jogadores negros. Essa mudança está acontecendo e acho que estamos indo para algum lugar”.

Em 46 anos de história, o Boston Celtics já teve de 18 técnicos diferentes, dos quais seis eram negros. Além de Udoka, Bill Russell, K.C. Jones, Tom Sanders, M.L. Carr e Doc Rivers foram os treinadores negros que passaram pela franquia. A equipe ainda foi a primeira a ter um time titular formada inteiramente por jogadores negros, em 26 de dezembro de 1964. Isso, curiosamente, contrasta com o passado racista que a cidade de Boston possui. Trata-se de uma região onde a segregação racial mais se fez presente entre as décadas de 1960 e 1980, embora não houvesse alguma lei que estabelecesse essa discriminação, como acontecia em alguns estados e cidades do sul do país. De qualquer modo, foram vários os negros que tiveram sucesso vestindo a camisa do Celtics, seja como jogador ou treinador.

“Os técnicos negros costumam ser bem sucedidos aqui. Isso com certeza impulsiona o nosso trabalho”, disse Imen Udoka.

O Celtics está em sua primeira final da NBA desde a temporada 2009/10. A equipe enfrenta o Golden State Warriors, time que conquistou três títulos na última década. Esta é apenas a segunda vez que esses dois times se enfrentam na final da liga, visto que até 1962 o Warriors jogava na Philadelphia e, consequentemente, estava na Conferência Leste. Ao se mudar para a Califórnia, o time passar a se chamar San Francisco Warriors e encarou Boston na final em 1964, com vitória do Celtics por 4 a 1.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos