Grupos de direitos humanos pedem que patrocinadores pressionem Fifa e Catar a indenizar migrantes

Imagem de arquivo mostra o Estádio Cidade da Educação, em Doha, sendo construído para a Copa do Mundo de 2022 no Catar.

(Reuters) - Os parceiros da Fifa e os patrocinadores da Copa do Mundo devem instar a entidade que comanda o futebol mundial e o governo do Catar a compensar os trabalhadores migrantes que sofreram enquanto preparavam o país para o evento, disseram nesta terça-feira as organizações Human Rights Watch, Anistia Internacional e FairSquare.

O Catar enfrenta intensas críticas de grupos de direitos humanos sobre o tratamento dado a trabalhadores migrantes, que, junto com outros estrangeiros compõem a maior parte da população do país.

As autoridades do Catar não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre o relatório dos grupos de direitos humanos.

O governo do Catar disse que seu sistema de trabalho ainda está em fase de aprimoramento, mas negou um relatório da Anistia Internacional de 2021 que apontava que milhares de trabalhadores migrantes ainda estavam sendo explorados no país.

Na semana passada, uma pesquisa do YouGov, que consultou mais de 17.000 torcedores de 15 países - 10 deles europeus - encomendada pela Anistia Internacional mostrou que 73% dos entrevistados apoiariam uma proposta da Fifa para compensar os trabalhadores migrantes, enquanto 10% deles se opuseram.

Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch, disse que os patrocinadores devem usar sua "influência considerável" para pressionar a Fifa e o Catar a cumprir suas responsabilidades com os trabalhadores.

"As marcas compram direitos para patrocinar a Copa do Mundo porque querem estar associadas à alegria, à competição justa e às realizações humanas espetaculares em campo - não ao roubo de salários desenfreado e à morte de trabalhadores que tornaram a Copa do Mundo possível", disse Worden.

As três organizações de direitos humanos disseram que escreveram para os 14 parceiros corporativos da Fifa e para os patrocinadores da Copa do Mundo em julho, e que quatro deles - AB InBev/Budweiser, Adidas, Coca-Cola e McDonald's haviam indicado apoio para garantir reparações aos trabalhadores.

Dez outros patrocinadores - Visa, Hyundai-Kia, Wanda Group, Qatar Energy, Qatar Airways, Vivo, Hisense, Mengniu, Crypto e Byju's - não responderam a pedidos por escrito para discutir abusos relacionados ao torneio, disseram as organizações em nota.

(Reportagem de Shrivathsa Sridhar em Bengaluru)

((Tradução Redação São Paulo))

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