Giovanna Waksman superou o machismo para guiar Botafogo ao primeiro título da base na era SAF

Giovanna Waksman foi campeã com o Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)


Giovanna Waksman tem apenas 13 anos, mas já carrega muita superação para poder jogar futebol. Sem categoria de base feminina, ela atua no meio dos meninos e veste a camisa 10 do time sub-13 do Botafogo. No último domingo, o Alvinegro venceu o Flamengo e conquistou o Torneio Metropolitano, com a meia tendo destaque.

+ Botafogo alinha contrato com Matheus Pereira, e jogador tenta 'forçar' saída do Al-Hilal

Engana-se quem pensa que tudo foram flores até o troféu. Giovanna sofreu (literalmente) para poder chegar até a decisão. Na semifinal, contra o São Cristóvão, Giovanna sofreu duras entradas dos rivais e fraturou a clavícula.

O pior não foi a lesão, mas a causa do problema. Muitos dos pais dos jogadores do São Cristóvão incentivaram as crianças a darem fortes entradas em Giovanna simplesmente por ser mulher. A camisa 10 do Alvinegro foi alvo de uma sucessão de faltas com uma força desmedida até mesmo para a categoria.

- O que vem acontecendo não é de hoje. O que me deixa mais assustado é às vezes que eu consigo acompanhar os jogos é o comportamento de quem está de fora. Ela começou jogando no sub-12 e hoje está no sub-13. Tenho certeza que os garotos não têm maldade de tirá-la do jogo, mas a gente escuta o tempo inteiro isso da arquibancada. É natural que garotos dessa idade, que ficam ouvindo pais e responsáveis gritando para bater, começarem a fazer isso. Já ouvi que não pode perder para mulher, que tem bater porque ela não aguenta e daí pra pior - explicou Allan Espinosa, empresário de Giovanna, em contato com o LANCE!.

A superação chegou. Giovanna foi abraçada pelo Botafogo. Entrou no gramado do Estádio Nilton Santos junto com o time em uma partida do Brasileirão, seguiu treinando e foi liberada justamente para o segundo jogo da final do Metropolitano, contra o Flamengo.

O Alvinegro venceu o primeiro jogo por 3 a 1 e perdeu o segundo por 2 a 1, o suficiente para levar o troféu para casa. Giovanna foi a melhor jogadora do torneio mesmo perdendo parte da competição pela lesão - foram oito gols e 13 assistências.

+ Botafogo acerta com Marlon Freitas, do Atlético-GO, para 2023

- Ela sempre se destacou e, importante deixar claro, não é porque é uma menina, mas porque ela joga entre os meninos e se destaca entre os meninos. A Giovanna é muito fora da curva, eu nunca vi uma menina jogar da forma que ela joga e ter a relevância que ela tem. Ela não joga entra as meninas porque não tem a categoria dela no Brasil, porque o Botafogo deu essa condição para ela e porque ela destaca entre os garotos. O que me deixa mais assustado é a falta de indignação... Parece que no futebol pode tudo, o certo seria parar o jogo. Já ouvi que tem que quebrar ela. Infelizmente falta muito pra gente evoluir - completou Allan.

O Torneio Metropolitano Sub-13 foi o primeiro título de base do Botafogo na era SAF, desde que John Textor comprou o clube. De qualquer forma, Giovanna Waksman já marcou (ainda mais) a história no Alvinegro.

- É muito bom. A gente vem trabalhando o ano todo para chegar nesse jogo, o jogo mais importante do campeonato. É muito bom vestir a camisa do Botafogo e ainda mais ser campeão - afirmou Giovanna, em entrevista à "BotafogoTV".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos