Times de futebol que já mudaram de cidade no Brasil

Por Guilherme Yoshida

Não é somente os jogadores que mudam de time ou Estado a cada temporada. Em busca de melhores condições financeiras, apoios de prefeituras e até de maior torcida, muitos clubes do futebol brasileiro também já mudaram de cidade atrás de mais visibilidade. Teve equipe que já teve até cinco sedes oficiais na sua história. Confira 10 times de futebol que já mudaram de cidade no Brasil.

 

Maldição de Presidente Prudente?

Fundado em março de 1989, mas jogando profissionalmente somente a partir de 2001, o Grêmio Barueri teve uma ascensão meteórica das divisões de acesso do futebol paulista à Série A do Campeonato Brasileiro em 2009. No entanto, divergências políticas entre proprietários do clube e a prefeitura de Barueri mudaram o rumo da história do time. Em 2010, a agremiação mudou-se para Presidente Prudente e até alterou o seu nome para Grêmio Prudente. O novo endereço culminou com o declínio do time em campo. Após rebaixamentos consecutivos, o clube voltou ao local de origem em meados de 2012. Mas as quedas continuaram e, neste ano, a equipe de Barueri não vai disputar sequer a Quarta Divisão do Paulista. Foto: Gazeta Press

Vou ali e já volto

Originalmente fundado em 1998, o Guaratinguetá também recebeu uma proposta para trocar de sede após chegar à Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2010, mudou-se para Americana e adotou o nome da cidade para tentar viabilizar novas oportunidades comerciais e melhores estruturas que no Vale do Paraíba. No entanto, a nova equipe não agradou aos torcedores que já contavam com um time local – o Rio Branco. Com isso, a parceria durou pouco mais de um ano e, no fim de 2011, a equipe retornou a Guaratinguetá. Em campo, porém, os resultados não foram os esperados. Neste ano, o time vai disputar a Quarta Divisão do Paulista. Foto: Fernando Calzzani/Photo Press/ Gazeta Press

Osasco audacioso

Fundado primeiramente com o nome de Pão de Açúcar, já que o dono do projeto era o mesmo proprietário da rede de supermercados, o Audax SP ganhou a nova alcunha assim que conseguiu destaque no futebol paulista. Sediado na Capital, o time do empresário Abílio Diniz foi comprado pelo Grêmio Osasco logo quando obteve o acesso à Série A-1, em 2013, e migrou para a cidade da Grande São Paulo, onde manda os seus jogos desde então. Na época, até escudo e uniforme do clube foram alterados. Atualmente, a equipe se firmou na elite do futebol estadual e, apesar de ser mantido por um ex-conselheiro do banco Bradesco, tem o ex-jogador Vampeta como presidente. Foto: Gazeta Press

Barueri caipira

Fundado em 1988 pelos ex-jogadores Careca e Edmar, o Campinas sempre figurou nas divisões inferiores do futebol paulista quase em todo o período de existência. Apelidada como Águia da Mogiana, a equipe campineira foi vendida em 2010, quando já disputava a Série A-3 do Paulista há dois anos. Naquele ano, mudou-se para Barueri e foi incorporado pelo recém-fundado Sport Club Barueri. Porém, o novo time durou pouco tempo e está licenciado das competições profissionais da Federação Paulista por tempo indeterminado. Foto: Divulgação/Campinas FC

Varginha é logo ali

Em busca de melhores estruturas físicas, como estádio e local de treinamento, o Ituiutaba Esporte Clube, fundado em 1947, mas que profissionalizou o seu futebol somente em 1998, também se mudou de cidade. Em 2011, já com o nome de Boa Esporte Clube, graças ao apelido e primeiro nome do clube mineiro, o time começou a atuar em Varginha, a 700 km de distância. A mudança desagradou os torcedores do Ituiutaba, que havia acabado de subir para a Série B do Campeonato Brasileiro. Depois disso, a equipe sofreu rebaixamentos no Mineiro e no Nacional nos anos seguintes. Já em 2016, o Boa foi campeão da Série C e deu esperanças que poderá ter melhores dias na sua ainda nova casa. Foto: Gazeta Press

Em busca da La Bombonera sergipana

Fundado em 1993 na cidade de Cristinápolis, no interior de Sergipe, o Boca Júnior Futebol Clube se transferiu em 2011 para Estância, município a 49 km de distância da sua origem. Segundo o presidente do clube na época, Gilson Behar, o apoio financeiro da prefeitura foi determinante para a mudança. Além disso, outro atrativo para a troca foi o estádio do novo endereço. Em Estância, o campo da cidade (apelidado de Francão) comportava 14 mil pessoas, enquanto na sua antiga sede, a capacidade era de apenas duas mil. Com maior apoio das arquibancadas, o Boca Júnior alcançou pela primeira vez a Primeira Divisão do Sergipano, na qual faz parte até os dias de hoje. Foto: Divulgação

O caipira que se deu bem na Capital

O Clube Esportivo Nova Esperança, conhecido popularmente como Cene, atingiu o seu sucesso dentro de campo após sair do interior do Mato Grosso do Sul e foi jogar na capital. Fundado em 1999 no município de Jardim, o clube se mudou em 2002 para Campo Grande e, de lá para cá, conquistou o Estadual seis vezes (2002, 2004, 2005, 2011, 2013 e 2014), além de uma Copa Governador do Estado, em 2010. No entanto, conflitos entre dirigentes após morte do sul-coreano Reverendo Moon em 2012, principal investidor do clube e dono da Igreja da Unificação, levaram o time ao declínio. Atualmente, após cair para a Série B do Sul-Matogrossense, o Cene está licenciado do futebol profissional. Foto: Gazeta Press

O bom filho…

Outro exemplo de insucesso após a troca de cidade foi o Ipatinga. Fundado em 1998, o time do Vale do Aço mineiro foi campeão estadual em 2005, semifinalista da Copa do Brasil em 2006 e vice da Série B em 2007. Porém, em 2012, a equipe perdeu o apoio da prefeitura da cidade e dos parceiros que o patrocinavam, e rumou no ano seguinte para Betim, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O acordo, no entanto, fez o clube mandar seus jogos na Arena do Calçado, em Nova Serrana, a 90 km da sua nova sede. Após insucessos no Módulo II do Campeonato Mineiro, queda na Série C do Brasileiro e frustração com a prefeitura de Betim, o clube voltou à sua terra natal em 2014. Foto: Gazeta Press

O viajante

O caso mais extremo de um clube nômade no futebol brasileiro aconteceu no Mato Grosso do Sul. Fundado em 1998, o União ABC já teve como sedes a capital Campo Grande – duas vezes – e as cidades de Inocência e Camapuã, além de também se estabelecer em Dourados em 2012. Uma rota de quase 1.000 km, que impediu o clube de ganhar identidade e a empatia dos torcedores. Depois de tantas idas e vindas, e dois anos afastado dos gramados, a diretoria do então União-MS fez uma parceria com o Colégio ABC e voltou a jogar em Campo Grande, onde manda seus jogos desde 2015. Em 2017, disputa a Primeira Divisão do Sul-Matogrossense após conseguir o acesso no ano passado. Foto: Divulgação/União ABC

Fez as malas e sumiu

Após o sucesso repentino com a conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2001, o Roma retirou-se de Barueri, onde havia sido fundado um ano antes, e se instalou em Apucarana, no Paraná. Na nova sede, ganhou destaque no futebol paranaense após saltar da Terceira Divisão para a elite do Estado em dois anos. No entanto, o clube entrou em uma crise e chegou a ser rebaixado novamente para a Terceirona em 2013. A diretoria então fez um acordo com o Cincão Esporte Clube, de Londrina, e fundou o Apucarana Sports Clube em 2014. Neste ano, o novo time buscará novamente uma vaga na elite do futebol paranaense. Foto: Divulgação/ Apucarana SC