Relembre 10 escândalos de arbitragem já ocorridos na América do Sul

Ao longo dos tempos, tornou-se comum ouvir dirigentes dizerem que ter relacionamento próximo com a cúpula da Conmebol sempre é um caminho importante para conquistar títulos. Mas, muitas vezes, essa atitude pareceu ter influência dentro de campo, definindo campeonatos. Recorde 10 vezes em que a arbitragem protagonizou escândalos no futebol sul-americano.

Por William Correia

Relembre 10 escândalos de arbitragem já ocorridos na América do Sul

Flamengo 0 x 0 Atlético-MG – Libertadores 1981 – Relatos e vídeos dessa partida são facilmente encontrados se for escrito na busca o termo “o maior roubo da história do futebol”. Era um jogo-desempate, em Goiânia, para definir qual brasileiro seguiria na Libertadores de 1981. O árbitro José Roberto Wright iniciou a polêmica atuação expulsando Reinaldo, craque do Atlético-MG, por falta em Zico. Na sequência, Eder trombou com o juiz e também levou o vermelho. Formou-se uma confusão que culminou na exclusão de Palhinha e Chicão. O jogo se encerrou de vez quando o goleiro João Leite caiu no gramado, alegando lesão, e também foi expulso. Com cinco a menos, ainda no primeiro tempo, o Galo foi eliminado e o Flamengo seguiu sua trajetória rumo ao título. Foto: Gazeta Press

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Corinthians 1 x 1 Boca Juniors – Libertadores 2013 – Nunca faltaram suspeitas a respeito dos erros cometidos pelo árbitro paraguaio Carlos Amarilla no jogo de volta das oitavas de final, no Pacaembu: anulou dois gols legais do Corinthians, não deu dois pênaltis para os anfitriões e assegurou o empate que classificava o time argentino. Em 2015, foi revelada uma conversa telefônica na qual Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina em 2013, apontou o juiz como “maior reforço do Boca” e Abel Gnecco, representante argentino na arbitragem da Conmebol, gabou-se por ter forçado a escalação do paraguaio. Mas Amarilla ainda assegura que não errou por má-fé. Foto: AP

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Boca Juniors 1 x 0 Vélez Sarsfield – Pré-Libertadores 2015 – A emissora argentina TyC Sports revelou recentemente uma conversa de janeiro de 2015, às vésperas do duelo entre Boca Juniors e Vélez Sarsfield que valia vaga na Libertadores. O presidente do Boca, Daniel Angelici, pede a Fernando Mitjans, presidente do Tribunal de Disciplina da federação argentina até hoje, para anular a suspensão de dois de seus jogadores (Leandro Marin e Cristian Erbes) e que o árbitro do jogo não erre. “Seus dois jogadores vão jogar contra o Vélez. Fique tranquilo. Para esse jogo, tenha certeza de que sou o torcedor número 1 do Boca”, disse Mitjans. Em campo, foram expulsos dois jogadores do Vélez e um do Boca, que teve os antes suspensos Marin e Erbes atuando normalmente, ganhou por 1 a 0 e se classificou. Foto: AP

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Independiente x Santos – Libertadores 1964 – Nas conversas telefônicas de 2013, reveladas em 2015, o então presidente da Associação de Futebol da Argentina, Julio Grondona, fala com Abel Gnecco, representante argentino na arbitragem da Conmebol, e dá a entender que prejudicou o Santos de Pelé. “Em 1964, quando jogamos contra o Santos, bati o (árbitro) Leo Horn, que era holandês, com os dois bandeirinhas”, sorriu. Na época, Grondrona era presidente do Independiente, que eliminou o Santos nas semifinais daquela Libertadores com vitórias por 3 a 2 no Brasil e 2 a 1 na Argentina, com contestações dos santistas à atuação da arbitragem, e foi campeão na sequência. Foto: Getty Images

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Boca Juniors 2 x 2 Palmeiras – Libertadores 2001 – Sempre foi complicado enfrentar o Boca Juniors na Bombonera, mas, na ida das semifinais da Libertadores de 2001, o Palmeiras de Celso Roth acabou parando no juiz paraguaio Ubaldo Aquino. O Verdão saiu na frente do placar duas vezes, mas o time argentino converteu pênalti inexistente do zagueiro Alexandre em Barijho e se aproveitou de pênalti claro não marcando sobre o volante Fernando, além de cometer faltas absurdas que foram ignoradas. No estacionamento do estádio, o árbitro, que ficou conhecido como “Roubaldo” Aquino, encontrou Roth e se explicou. “‘O resultado foi bom para todos nós… Agora estamos todos bem. Como é que íamos sair daqui (se o Palmeiras vencesse)?’ Só quem conhece o ambiente da Bombonera sabe o que ele quis dizer”, disse o técnico à ESPN. Foto: Getty Images

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Atlético Nacional 2 x 1 São Paulo – Libertadores 2016 – Na ida das semifinais da Libertadores do ano passado, quando perdeu por 2 a 0 para o Atlético Nacional, no Morumbi, o São Paulo já contestou a expulsão do zagueiro Maicon. No jogo de volta, em derrota por 2 a 1 na Colômbia, o Tricolor se revoltou com a arbitragem do chileno Patricio Polic, que deixou de marcar um pênalti sobre Hudson, assinalou pênalti de Carlinhos por bola na mão e expulsou Wesley e Lugano por reclamação. “Hoje, certamente, não conseguiríamos a classificação em nenhuma hipótese. Talvez não queiram que o futebol brasileiro se firme no continente”, disse o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, após a partida. Foto: Getty Images

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São Paulo 2 x 0 River Plate – Libertadores 2005 – Na ida das semifinais da Libertadores de 2005, o São Paulo precisou superar mais do que o River Plate para ganhar por 2 a 0, no Morumbi. Em 2006, o jornal uruguaio La República revelou conversas em que o empresário Jorge Chijane admite ter recebido US$ 20 mil do time argentino para entregar ao juiz daquele jogo, o uruguaio Gustavo Mendez. Após a partida, mesmo vencendo, o São Paulo enviou carta à Conmebol para mostrar descontentamento com a arbitragem. Na volta, o São Paulo derrotou o River novamente, desta vez por 3 a 2, em Buenos Aires, e caminhou para triunfar sobre o Atlético-PR na final, alcançando o tri continental. Foto: Gazeta Press

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River Plate 2 x 1 São Paulo – Supercopa dos Campeões 1997 – Na final do torneio que reunia campeões da Libertadores, o árbitro paraguaio Ubaldo Aquino deixou sua marca prejudicando um brasileiro para beneficiar um argentino. Primeiro, marcou pênalti em bola que bateu no peito do zagueiro Álvaro – mas o goleiro Roger defendeu a cobrança de Francescoli. Ainda no primeiro tempo, o juiz, que não marcava faltas claras a favor do São Paulo, aplicou dois cartões amarelos em poucos minutos para Marcelinho Paraíba, expulso aos 30 minutos. No segundo tempo, não deu pênalti em Dodô e anulou gol legal do Tricolor. Assim, apesar de um golaço que valeu de Dodô, o River ficou com o título graças a dois gols do chileno Salas. Foto: Gazeta Press

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Atlético Nacional 6 x 0 Danubio – Libertadores 1989 – Na época em que o narcotraficante Pablo Escobar reinava na Colômbia, o trio de arbitragem desse jogo, válido pelas semifinais da Libertadores, foi recebido em Medellín por homens armados que lhe ofereceram dinheiro para não prejudicar o Atlético Nacional ou seriam assassinados. A história foi contada pelo auxiliar argentino Juan Bava à imprensa de seu país. “Falei a eles que, se estivesse 0 a 0 no fim, eu mesmo faria um gol para o Nacional”, brincou Bava. Mas nem foi necessário: o time colombiano ganhou do uruguaio Danubio por 6 a 0 e, na sequência, ficou com o título. Foto: Getty Images

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Atlético Nacional 2 x 0 Vasco – Libertadores 1990 – Pelas quartas de final da Libertadores de 1990, após 0 a 0 no Rio, o Vasco foi enfrentar o Atlético Nacional, em Medellín, e perdeu por 2 a 0. “Não houve um lance capital com influência do árbitro, mas ele estava alterado, vinha para cima da gente sempre. Dava para perceber a pressão pelo resultado favorável ao Nacional”, contou o ex-lateral Luiz Carlos Winck ao Uol. Eurico Miranda, então vice-presidente de futebol do Vasco, reuniu provas da influência do narcotraficante Pablo Escobar na arbitragem e conseguiu anular o jogo. O novo confronto ocorreu em campo neutro, no Chile, com novo triunfo colombiano, desta vez por 1 a 0. Em 1991, o juiz da partida em Medellín, o uruguaio Daniel Cardellino, denunciou à Conmebol que recebeu ameaças de morte e uma oferta de US$ 20 mil por telefone antes do jogo. Foto: AP.