Os 10 melhores goleiros líberos da história

Único jogador de futebol cujo uso das mãos é permitido segundo as regras do esporte bretão, o goleiro tem a função primordial de ser o guardião das traves de seu time. Alguns, no entanto, treinam para ir além disso e se destacam não só defendendo embaixo das traves, mas também pela grande habilidade e eficiência com os pés. Na lista abaixo estão aqueles que consideramos os 10 melhores goleiros líberos da história, em atividade ou não.

Por Marina Garcia

Os 10 melhores goleiros líberos da história

10. Claudio Bravo – Apesar de atualmente viver momento delicado no Manchester City, o chileno foi um pedido pessoal do técnico Pep Guardiola, conhecidamente obcecado pela posse de bola e pela execução de passes precisos, que poderiam ser aprimorados pela presença de um goleiro que, na visão dele, soubesse jogar com os pés. Bravo foi contratado em agosto de 2016 pelos citizens após duas temporadas recheadas de títulos com o Barcelona (bi espanhol, bi da Copa del Rey e campeão da Champions League e Mundial 2014-15) e munido do bicampeonato da Copa América com o Chile. A eficiência dos passes de Bravo chegou a 80% no Espanhol de 2014-15 e foi para 84,3% no campeonato nacional da temporada seguinte. Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

9. Manuel Neuer – Dos jogadores da posição em atividade, o mais lembrado quando o assunto são os goleiros líberos é o titular do Bayern de Munique e da seleção alemã. Neuer faz a cobertura defensiva de seus times, jogando adiantado, muitas vezes na linha da área, interceptando lançamentos e ajudando na posse de bola no campo defensivo. Não raro, os companheiros recuam a bola para o alemão, deixando-o em situações complicadas, das quais ele costuma se sair com categoria, muitas vezes emendando passes e gerando possibilidades de ataque. Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

8. Tommy Lawrence – Foi o goleiro titular no começo da era da “Era Shankly” no Liverpool dos anos 60 – do técnico Bill Shankly, autor da frase célebre: “Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Eu posso assegurar que futebol é muito, muito mais importante”. A mobilidade de Lawrence, sempre disposto a auxiliar os defensores na marcação e a dividir as bolas com os atacantes rivais, dava maiores possibilidades ofensivas ao Liverpool, estilo de jogo que tirou os Reds da fila (estavam desde 1947 sem conquistar um título) e lhes garantiu o bicampeonato inglês (1963-64 e 1965-66) e uma Copa da Inglaterra (1964-65). Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

7. Heinz Stuy – O também holandês foi o goleiro da era de ouro do Ajax, na década de 70, quando Michels, que à época treinava a equipe de Amsterdã, ali introduziu o conceito do “Futebol Total”, que seria aplicado posteriormente na seleção. Stuy foi titular absoluto, parte ativa na cobertura de seus defensores e peça fundamental daquele Ajax tricampeão consecutivo da Champions (1970-71, 1971-72 e 1972-73), tricampeão holandês (1969-70, 1971-72 e 1972-73), campeão mundial (1972), campeão da Super Copa da UEFA (1973) e tricampeão da Copa da Holanda (1969-70, 70-71 e 71-72). Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

6. Jan Jongbloed – O goleiro do “Carrossel Holandês” de 1974, comandado por Rinus Michels (que seria o técnico do único título da Holanda, a Eurocopa de 1988), também foi um dos precursores da função de líbero, estendendo as defesas com as mãos para a atuação quase como um defensor extra da equipe. Era conhecido por jogar sem luvas e fez toda sua carreira em quatro clubes holandeses: DWS, FC Amsterdam, Roda JC e Go Ahead Eagles. Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

5. Jorge Campos – O mexicano é outro folclórico goleiro dos anos 1990, lembrado por suas defesas, saídas inconsequentes da área, com a bola dominada, pronto para driblar os adversários, e por suas roupas extravagantes. No início da carreira, Campos ora jogava como atacante, ora como goleiro, até assumir a titularidade no UNAM Pumas-MÉX, onde jogou até 1995, marcou 31 de seus 32 gols na carreira e foi campeão mexicano na temporada 1990-91. O único tento que fez pelo Atlante, também do México, foi o mais marcante de sua carreira: em um jogo de 1997, o ataque do time encontrava dificuldades para furar a defesa adversária; o técnico do Atlante, então, resolveu colocar o goleiro reserva no lugar de Campos, que, deslocado para o ataque, fez um golaço de bicicleta. Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

4. René Higuita – O folclórico colombiano de 1,72m teve uma carreira movimentada dentro e fora dos campos – pegou suspensão por uso de cocaína, visitou o traficante Pablo Escobar e foi acusado de participação em um sequestro. Nos gramados, ficou conhecido pela defesa “escorpião” e por constantemente sair jogando da área, driblando os adversários com habilidade e ousadia. É um dos maiores ídolos da história do Atlético Nacional-COL e o principal personagem da primeira Libertadores conquistada pelos verdolagas, em 1989. No segundo jogo da final contra o Olímpia-PAR, o Atlético precisava vencer por um placar mínimo de 2 a 0 para levar a decisão para os pênaltis. Com suas “loucuras”, Higuita ajudou a equipe colombiana a segurar o resultado de 2 a 0, defendeu quatro penalidades máximas e anotou uma. Foi vilão nas oitavas de final da Copa de 1990, quando tentou driblar Roger Milla, de Camarões, perdeu a bola e acabou selando o gol que eliminaria seu país do torneio. É o terceiro maior goleiro artilheiro da história, com 41 gols marcados. Foto: AP

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3. Rogério Ceni – O jogador que mais partidas disputou por um mesmo time – são 1238 jogos contabilizados com a camisa do São Paulo – é também o maior goleiro artilheiro da história do futebol. Os números falam por si: marcou 132 gols em sua carreira, 56 (54 pela IFFHS) de falta, tendo por cinco vezes anotado dois tentos em um mesmo jogo e sido por duas temporadas o artilheiro do time – em 2005, fez 21 gols e 2006, 16, marcas que até mesmo badalados atacantes penam para atingir, entre outros recordes. Ceni usava sua qualidade técnica com os pés não só para marcar gols, mas também para fazer lançamentos que, precisos, eram considerados verdadeiras assistências e para sair da área organizando a defesa e distribuindo o jogo. Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

2. Gyula Grosics – O lendário Pantera Negra foi o goleiro da seleção húngara que encantou o mundo nos anos 50, vice-campeã da Copa de 1954, perdendo a final para a Alemanha Ocidental por 3 a 2 (na fase de grupos, os húngaros haviam derrotado o mesmo time por 8 a 3. Foi deles a maior goleada daquele mundial – 9 a 0 sobre a Coreia do Sul). Tido um dos maiores da história em sua posição e um dos responsáveis por desenvolver e consagrar da função de “goleiro líbero” no futebol, Grosics pressionava os homens de frente da equipe adversária, dificultando suas finalizações e permitindo maior ofensividade de sua equipe – na Copa de 54, a Hungria marcou 29 gols em seis jogos. Foto: AP

Os 10 melhores goleiros líberos da história

1. Lev Yashin – Considerado por muitos o melhor goleiro da história do futebol, dono da única Bola de Ouro conquistada por um jogador da posição (1963) e eleito o “Goleiro do Século XX” pela FIFA, o “Aranha Negra” transformou as funções debaixo das traves. Mobilidade, agilidade e inteligência compunham o estilo de jogo de Yashin, que dizia fumar um cigarro e tomar uma dose antes de jogos importantes e começou a brilhar com seu talento na Copa de 1958, quando fez defesas milagrosas contra o mágico Brasil de Pelé e Garrincha. Campeão da primeira edição da Eurocopa, em 1960, o russo organizava sua defesa de acordo com a situação do jogo, distribuía a bola nos contra-ataques e se movia por toda a extensão da área, dificultando a vida de qualquer atacante e se tornando a referência máxima daquilo que viria a se consolidar como a definição de um bom goleiro. Foto: AP