De médico a porteiro: jogadores que mudaram para profissões longe do futebol

Por William Correia

Quem vira profissional no futebol tem dificuldade para se desvincular dos campos ao se aposentar. A maioria tenta seguir a vida como treinador, comentarista, membro de comissão técnica, empresário, dirigente… Porém, não faltam exemplos de quem seguiu um caminho completamente diferente. Veja ex-jogadores que viraram médico, porteiro e até taxista.

 

Médico

Um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro, Tostão levou uma bolada do zagueiro Ditão, do Corinthians, em 1969, e teve um deslocamento da retina esquerda. Ele se recuperou a ponto de ser um dos expoentes da Seleção Brasileira que ganhou a Copa do Mundo de 1970, mas acabou se aposentando pelo problema no olho em 1973, aos 26 anos de idade. Distanciou-se do futebol, cursou Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais e, em 1981, já atendia como Doutor Eduardo. Só se reaproximou da bola nos anos 1990, como comentarista. Foto: Gazeta Press

Piloto de avião

Após 14 anos no Santos, o ex-goleiro Nando desistiu de ser apenas uma reserva e deixou o clube em 2000, aos 27 anos de idade, para sentir a emoção de ser aplaudido ou vaiado. Atuou em times menores até que, aos 30 anos, resolveu ceder à paixão que teve por aviões desde a infância e decidiu ser piloto. Aproveitou uma lesão para se dedicar e passar na prova para cursar ciências aeronáuticas. Trocou a incerteza que é buscar novas equipes para voar. Foto: Divulgação/Santos FC

Taxista

Mazinho Loyola foi um nome conhecido no futebol nos anos 1980 e 1990: campeão paulista com o São Paulo em 1989, jogou no Corinthians em 1996, destacou-se por Inter, Paraná e Rio Branco e é tratado como ídolo em Ceará, Fortaleza e Ferroviário-CE. Pouco após se aposentar, aos 37 anos, virou taxista no Aeroporto Internacional Pinto Martins, na capital cearense, pelo qual tantas vezes passou como atleta. “Resolvi cair na real. Por algum tempo, quis manter o mesmo padrão de vida, com carro 0km e etc. Com isso, me desfiz de dois apartamentos”, disse ao Diário do Nordeste. Foto: Facebook/Dloyola.modas

Porteiro

O volante Sidcley foi formado no Botafogo, pelo qual foi campeão carioca em 1997, e jogou também em times de Espanha, Polônia, Arábia Saudita, Paraguai e Catar. Chegou a ganhar US$ 20 mil por mês. Mas reapareceu em reportagem da TV Globo, em 2013, aos 34 anos, trabalhando como porteiro no Rio de Janeiro, com salário de cerca de R$ 1.300. “Pelas oportunidades que tive, poderia estar melhor”, admitiu. Foto: Reprodução/Facebook/LaranjeirasLFC

Pastor

Como meia, Cristiano chamou atenção no futebol amazonense e partiu para a Europa, onde atingiu seu auge atuando no Sporting Lisboa. Voltou ao Brasil em 2012, para atuar no Criciúma e, em 2014, de volta ao Amazonas, decidiu se aposentar, aos 31 anos. Virou pastor e mantém a renda familiar gerenciando o comércio de frutos do mar do pai. “Aceitei Jesus e, hoje, vivo para a Igreja. Não estou triste porque me aposentei, foi por vontade de Deus. Eu tinha proposta para voltar à Europa, ir a outro lugar, mas optei ficar por aqui. Sustento a minha família com o dinheiro que adquiro no trabalho com meu pai”, contou ao Globo Esporte.com. Foto: Divulgação/Sporting

Diácono

Philip Mulryne foi um meio-campista formado pelo Manchester United e fez história atuando por seis anos no Norwich City, mas também teve uma carreira chamativa fora de campo. Defendeu a seleção da Irlanda do Norte até 2005, quando foi excluído por indisciplina, tornou-se ainda mais famoso por ter o namoro com a modelo Nicola Chapman exposto em reality show e chegou a ter problemas com tributários com seu país. Aposentou-se aos 30 anos, atrapalhado por lesões e, aos 31, mudou-se para Roma. Estudou filosofia e entrou para a Igreja Católica até virar diácono, em 2016. Foto: PA

Lutador de jiu-jitsu

Campeão da Copa do Mundo de 1998 pela França e com uma carreira de sucesso como lateral esquerdo, com passagem marcante pelo Bayern de Munique, Bixente Lizarazu aposentou-se em 2006, aos 36 anos. Naquele mesmo ano, passou a praticar jiu-jitsu e, em 2009, tornou-se campeão europeu na modalidade. Foto: Reprodução/Facebook/@BixeLizarazu

Ator

Vinnie Jones foi um meio-campista que se destacou por suas entradas duras defendendo Sheffield United, Leeds e Chelsea, conquistou a Copa da Inglaterra de 1988 pelo Wimbledon e jogou pela seleção galesa entre 1994 e 1997. Aposentou-se, em 1999, aos 34 anos. Mas, um ano antes, foi convidado a gravar um filme e não saiu mais. Ingressou em uma carreira sólida como ator no gênero ação em Hollywood. Entre suas participações mais famosas, estão “60 Segundos”, “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Swordfish: A Senha”. Foto: Divulgação

Luta livre

Tim Wiese atingiu seu auge como goleiro do Werder Bremen e foi frequentemente convocado para a seleção alemã entre 2008 e 2012, fazendo parte do grupo que foi à Copa do Mundo de 2010. Fã da prática de musculação, abandonou o futebol em 2014, aos 32 anos, e, dois anos mais tarde, virou lutador da WWE, organização norte-americana de luta livre. Foto: Reprodução/Facebook/@TimWiese.official

Advogado

Formado no Inter, o goleiro João Gabriel chegou a ser titular do Inter no começo dos anos 2000, mas foi perdendo espaço e motivação ao mesmo tempo em que estudava Direito. Sua formatura foi em 2005, mesmo ano em que atuou por seu último clube, o Mogi Mirim, e em que decidiu pendurar as luvas para virar advogado. Aos 27 anos de idade. Foto: Divulgação