Jogadores que perderam a chance de aposentadoria no auge

Por Fernando Graziani

Um dos momentos mais complicados para um jogador de futebol é decidir a hora encerrar a carreira. Acostumado com anos e anos no gramado, abandonar de vez o esporte é um pesadelo para muitos atletas. Protelar a aposentadoria, porém, tem potencial para ser prejudicial e, em casos mais extremos, desmanchar um status de ídolo. Confira abaixo uma lista com dez atletas que poderiam ter antecipado a retirada e aproveitado o auge da carreira para deixar os campos de jogo:

Aloísio Chulapa

Campeão por Goiás, Atlético-PR, Flamengo, Vasco, CRB, Paris Saint Germain e São Paulo, onde conquistou três brasileiros da Série A (2006, 2007 e 2008), além o título mundial de 2005 com participação decisiva, o atacante alagoano Aloísio Chulapa custou para deixar o futebol. Após sair do São Paulo, fez oito gols pelo Al-Rayyan na temporada 2009 e seis gols pelo Brasiliense em 2010, mas colecionou insucessos por Vasco, Ceará, CRB-AL, Brusque-SC, Francana-SP, Ipanema-AL e 7 de Setembro-MS. Aos 41 anos, no começo de 2017, anunciou aposentadoria e se tornou político como secretário de esportes de Atalaia, em Alagoas. Foto: Francana/Divulgação

Carlinhos Bala

A velocidade e pontaria do pernambucano Carlinhos Bala fizeram com que ele vestisse camisas de grandes clubes do Nordeste e Norte, além de render uma passagem pelo futebol português. Mas foi nos três principais clubes de seu Estado que ele teve mais brilho. As atuações da década passada rendem mercado até hoje, mesmo que em clubes sem expressão. Bala, sem sucesso, teve passagens por Tricordiano, de Sergipe e Taboão da Serra, de São Paulo. Foto: Gazeta Press

Paulo Baier

Rosto conhecido do Campeonato Brasileiro, o atacante Paulo Baier manteve regularidade por muito tempo. Até 2014, já veterano, conseguiu certo brilho atuando pelo Criciúma, mas teve seu auge no Goiás e Atlético Paranaense. Nas últimas três temporadas, clubes pequenos do Rio Grande do Sul foram seu destino, mas com desempenho discreto. Jogou até 2016, pelo São Luiz-RS, mas não fez gol. Este ano, pendurou as chuteiras e pegou a prancheta. Ele assumiu o Toledo-PR e comandará a equipe no Estadual de 2018. Foto: Gazeta Press

Rivaldo

Após uma carreira sólida no Brasil (com Palmeiras, Corinthians) e na Europa (Barcelona, Milan, Olympiacos), com direito a título de Copa do Mundo em 2002, o meia atacante Rivaldo encerrou sua carreira pelo interior de São Paulo, sem qualquer protagonismo. No São Caetano, seu penúltimo clube, fez apenas dois gols e no Mogi Mirim, do qual se tornou dono, apenas um, ao lado do filho, no dia em que entrou em campo pela última vez (15/8/2015). A carreira de dirigente durou pouco, pois Rivaldo vendeu o Sapão pouco tempo após fazer história jogando junto com Rivaldinho (foto). Foto: Gazeta Press

Totti

Após quase três décadas dedicadas ao Roma, a “bandeira” Francesco Totti se aposentou em maio deste ano, aos 40 anos. Apesar das muitas homenagens e aplausos dos torcedores adversários, Totti começou no banco justamente no dia de sua despedida, reforçando a condição de reserva que já lhe acompanhava desde a temporada passada. Atuou nas duas últimas temporadas do campeonato italiano apenas três vezes e em cada uma não chegou aos 400 minutos em campo. Foto: AP

Jogadores que perderam a chance de aposentadoria no auge

Eleito duas vezes o melhor jogador do mundo, com passagens marcantes por Barcelona e Milan, na Europa, Grêmio e Flamengo, no Brasil, o pentacampeão mundial Ronaldinho Gaúcho ainda é celebrado em vários países. A fama conquistada na década passada rende uma agenda cheia de participações especiais em eventos de futebol pelo mundo, até hoje. Profissionalmente, porém, o atleta não atua em alto nível desde 2012, quando foi para o Atlético Mineiro. Seu último clube foi o Fluminense, em 2015, que resultou numa passagem apagadíssima. Sem ter oficializado uma aposentadoria até hoje, declarou recentemente ao jornal “El Mundo”, de El Savador, que se tiver uma equipe que o queira sem precisar treinar, pode voltar a jogar, mesmo com 37 anos. Foto: Gazeta Press

Rogério Ceni

Um dos maiores ídolos do São Paulo adiou a aposentadoria até onde foi capaz, mas não terminou como planejado. O goleiro Rogério Ceni queria encerrar sua trajetória de 25 anos no Morumbi com mais um título de Libertadores da América, mas não conseguiu. Chegou a postergar a aposentadoria por mais seis meses, mas não conseguiu um título a mais para aposentar as luvas. Nada que apague o status que ele têm no clube, mas os últimos anos de atuação de Rogério foram contestados. O M1to, como é chamado pela torcida tricolor, voltou ao clube um ano depois como técnico, mas também foi mal e acabou demitido. Foto: Gazeta Press

Zé Roberto

Quando chegou ao Palmeiras, em 2015, Zé Roberto foi visto com desconfiança pela torcida em função da idade, mesmo vindo de duas temporadas de titularidade no Grêmio. Seu bom desempenho em campo, entretanto, rapidamente convenceu o torcedor alviverde e Zé Roberto passou a ser um ponto de segurança da equipe. Com a braçadeira de capitão, conduziu o Palmeiras ao título de campeão brasileiro de 2016. Nesta temporada, entretanto, perdeu espaço. Com 43 anos, fez apenas 12 partidas no Brasileirão, sendo somente sete como titular. Em 20 rodadas, jogou 631 minutos. Poupado para ser utilizado em torneios, como Copa do Brasil e Libertadores, não logrou sucesso. Foto: Gazeta Press

Magno Alves

O retorno do atacante de 41 anos foi celebrado pela torcida do Ceará em 2017. Ídolo do clube, Magno Alves vinha de uma passagem apagada pelo Fluminense, mas a diretoria do Vovô se apegava ao bom desempenho do Magnata em 2014, quando foi artilheiro do Brasil jogando pelo alvinegro. No Estadual, a importância dele foi nítida. Tornou-se o artilheiro do time e bateu a marca dos cem gols pelo Ceará. Quando a Série B chegou, porém, os gols sumiram. Em 11 partidas realizadas na Segundona não marcou nenhum tento. Perdeu a condição de titular e até de reserva, quando o time joga fora de casa. Hoje, com metade da Série B em curso, é a quarta opção de Marcelo Chamusca para o ataque. Foto: Gazeta Press

Túlio Maravilha

Pelo sonho de fazer mil gols, Túlio Maravilha vestiu quase 40 camisas de times diferentes e teve uma carreira longínqua e vencedora, inclusive na Seleção Brasileira. O atacante, que começou em 1988, no Goiás, atuou até 2014, quando se aposentou no Araxá-MG. No fim de 2016, aos 47 anos, surpreendeu ao anunciar seu retorno aos gramados. Ele atuaria na terceira divisão paulista pelo Taboão da Serra, ao lado do filho, Tulinho, de 18 anos, mas logo desistiu alegando conflito de agendas. Pelas contas de Túlio, campeão da Série A pelo Botafogo em 1995, os mil gols foram batidos, mas são cálculos pessoais sem comprovação oficial. Foto: Gazeta Press