Atletas que deram o que falar com seus livros

Por Felipe Portes

O mundo do futebol possui várias histórias secretas jamais contadas ao público. Entretanto, depois da aposentadoria ou em momentos fora dos holofotes, alguns jogadores preferem lançar autobiografias para se aproximar do público ou ganhar espaço na mídia com revelações bombásticas. O caminho da polêmica é sempre mais fácil, mas é inegável que todo fã de futebol quer conhecer a história de seus ídolos, desde a infância. Por este motivo, separamos dez autobiografias interessantes que contam passagens curiosas de craques da bola.

Nicolas Anelka

O atacante francês disse em seu livro “It’s not me, It’s everyone else” que foi agredido por Patrick Vieira de uma forma esquisita, nos seus tempos de Arsenal. Nos vestiários, após uma discussão, Vieira bateu na cara do companheiro com o próprio pênis. O relato de Anelka é assustadoramente detalhado, sobretudo quando ele conta sobre a sensação que teve quando foi agredido. Foto: Getty Images

Zlatan Ibrahimovic

Sueco afirmou em sua autobiografia “I am Zlatan Ibrahimovic” que humilhou Pep Guardiola em sua passagem pelo Barcelona. Em um episódio de eliminação na Liga dos Campeões, Ibra disse diretamente ao técnico que ele “não tinha colhões, que tinha medo de José Mourinho e deveria ir para o inferno”, entre outras ofensas. Desde a sua saída do Barça, o atacante é um desafeto assumido de Guardiola. Foto: AP

Diego Maradona

O capitão e craque responsável pelo título da Argentina na Copa do Mundo de 1986 dirigiu todo o seu ódio a Daniel Passarella, seu grande rival dentro do elenco, chamando-o de oportunista. No livro “Mi Mundial – Mi Verdad: Así Ganamos La Copa”, Diego relembra e detalha as brigas recorrentes, dedicando muitas páginas para contar sobre o real motivo do zagueiro ter ficado de fora do Mundial: a versão oficial que se tinha era que Passarella estava doente, mas a rejeição nos vestiários era alta e ajudou no afastamento. Foto: AP

Roy Keane

Em sua autobiografia produzida com o escritor Roddy Doyle, o ex-volante irlandês relembra um episódio crucial na sua carreira: a contusão intencional no zagueiro Alf-Inge Häland, durante um dérbi entre Manchester United e Manchester City. Segundo Roy, o plano era castigar o norueguês por uma desavença que acabou em lesão grave, quatro anos antes. “Eu queria mesmo acertar uma pancada e ficar em cima dele para dizer: Tome essa, seu merda. Não me arrependo disso. No entanto, não queria ter machucado ele seriamente. No futebol, você sabe que as coisas são assim, você sabe como contundir alguém, mas não foi premeditado”. Foto: Getty Images

Alex

O ex-meia de Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro, Fenerbahçe e Palmeiras teve grande sucesso com sua autobiografia, lançada em 2016. Em determinado momento, quando fala de sua ausência na Copa de 2002, Alex diz que confiava em Felipão para garantir sua presença na lista dos 23 convocados e que ficou traumatizado em não ter sido incluído. Mesmo quando Emerson se lesionou antes da estreia e Scolari teve a chance de consertar o erro, a escolha foi por Ricardinho. Sem esconder a mágoa com o treinador, Alex confessou no livro que não tem mais consideração pela pessoa de Felipão, por enxergar que o treinador falhou como ser humano ao lidar com a sua situação. Vale lembrar que Alex, desde os tempos de Palmeiras, era um dos homens de confiança de Scolari. Foto: Gazeta Press

Casagrande

Na polêmica e excelente biografia “Casagrande e seus Demônios”, o ex-atacante e ídolo corintiano passa com detalhes e relatos chocantes sobre sua relação com as drogas. A fase negra da vida do comentarista, que conviveu por décadas com o vício, teve como um dos pontos marcantes a relação com Sócrates, seu grande amigo. Mesmo esta amizade foi abalada por desentendimentos e divergências entre os dois. No capítulo especialmente dedicado à parceria entre Sócrates e Casagrande, a maior ruptura ocorreu quando o Doutor chamou o amigo de “vendido” por ter se transformado em comentarista da TV Globo. Os dois se afastaram e só se reaproximaram nos últimos anos de vida de Sócrates, morto em 2011. Foto: Gazeta Press

Didier Drogba

Ídolo no Chelsea, o atacante marfinense publicou sua autobiografia em 2015. Em “Commitment”, Drogba menciona a sua curta relação com Luiz Felipe Scolari, que o treinou no clube inglês entre 2008 e 2009. Os dois brigaram e Scolari disse que o goleador não jogaria mais na equipe, sob seu comando. Antes que fosse liberado para se transferir, Drogba ganhou o apoio dos colegas e de Roman Abramovich, dono do Chelsea, que demitiu Felipão meses depois. A ideia do treinador brasileiro era contratar Adriano como substituto de Drogba, mas o plano nunca saiu do papel. Foto: Getty Images

Tony Adams

Lendário capitão do Arsenal, o ex-zagueiro Tony Adams passou por graves problemas pessoais nos anos 1990, quando perdeu o controle sobre o alcoolismo. O inglês fez dois livros autobiográficos sobre sua vida antes e depois das crises com a bebida. Em “Sober”, lançado em maio de 2017, Adams expõe profundamente a sua experiência e conta como deu a volta por cima e alcançou a sobriedade, falando também sobre o processo de criação de uma clínica para reabilitar atletas e ex-esportistas com vícios em álcool, drogas e apostas. Foto: Getty Images

Joey Barton

Notório fanfarrão, o meia Joey Barton ficou muito mais famoso por suas encrencas do que pelo seu futebol. O inglês, que teve boas passagens por Manchester City e Newcastle, se tornou uma estrela mundial por sua atuação ácida em sua conta oficial no Twitter. Em sua autobiografia chamada “No Nonsense”, Joey faz uma viagem dolorosa ao próprio passado, revelando problemas familiares que ajudam a explicar o seu temperamento explosivo. Além disso, o atleta fala sobre seu processo de maturidade desde o início como jogador. Mas isso, claro, não impediu que ele fizesse ataques a colegas de profissão nas redes sociais, sem motivo aparente. Foto: AP

Jamie Vardy

A grande história do futebol inglês em 2016 tinha um protagonista: o atacante Jamie Vardy. Artilheiro do incrível Leicester campeão nacional, Jamie lançou pouco após a conquista a sua autobiografia, chamada “From Nowhere: My Story”. Na obra, o camisa 9 fala sobre a sua ascensão rápida do futebol amador até o auge pelos Foxes, passando também sobre o seu quadro de alcoolismo antes da glória. Segundo o próprio Vardy, a superação só foi possível com o apoio de sua esposa Becky, que ameaçou pedir divórcio caso ele não mudasse de postura e parasse de beber. Foto: AP