10 parcerias que acabaram mal para clubes brasileiros

Por Vinícius Vale

Basta falar ao torcedor que uma parceria entre seu time e uma grande empresa vai trazer muito dinheiro e contratações milionárias para a animação sobressair sobre possíveis problemas nos bastidores. Nas últimas décadas essa é uma realidade do futebol brasileiro. Caso mais recente, o Palmeiras tem em sua parceria o maior contrato de patrocínio da América Latina e um time que deixa os torcedores crentes na conquista da Libertadores e até do Mundial Interclubes em 2017. Mas nem sempre essas parcerias deixam bons legados após terminarem. Vamos relembrar algumas que não deixaram saudades aos clubes brasileiros.

BANK OF AMERICA E VASCO

BANK OF AMERICA E VASCO – Campeão Brasileiro em 1997 e da Libertadores de 1998, o Vasco vivia um grande momento quando um parceiro com experiência em esportes americanos chegou prometendo revolucionar o futebol brasileiro. O Bank of America assinou um contrato com o cruz-maltino que previa aumentar o faturamento com a marca Vasco de R$ 15 milhões para R$ 150 milhões anuais. Era o maior contrato da história do futebol brasileiro, considerando o dinheiro envolvido em um acordo que cederia por dez anos a exploração da marca do clube. Fato é que o casamento não durou nem três anos, e o clube ficou um uma divida de mais de R$ 100 milhões. Até mesmo o estádio de São Januário correu risco de ser penhorado para pagamento da divida, que até hoje respinga no orçamento do clube carioca. Foto: Gazeta Press. Texto por Vinícius Vale

PARMALAT E PAULISTA E JUNDIAÍ

PARMALAT E PAULISTA DE JUNDIAÍ – Imagine uma empresa que está investindo no futebol nacional e chega para colocar uma grana alta em um clube do interior. A cidade vai à loucura e sonha com grandes dias e visitas de clubes gigantes que vão movimentar a população e a economia local. Diferente do que fez no Palmeiras com a contratação de jogadores de renome, a Parmalat se aproximou do Paulista de Jundiaí para investir nas categorias de base. Em 1998, a empresa italiana pagou R$ 2,5 milhões para ficar com o controle da equipe, prometendo ficar no clube por 30 anos, e mudou o nome do clube para Etti Jundiaí. Mas a parceria foi estremecida por desentendimentos entre cartolas e só durou quatro anos – acabou em 2002. Foto: Gazeta Press

TRAFFIC E PALMEIRAS

TRAFFIC E PALMEIRAS – No final de 2007, a Traffic chegou ao Palmeiras com a promessa de investir cerca de R$ 40 milhões na contratação de jogadores. O titulo paulista em 2008 animou os torcedores, que começaram a vislumbrar a possibilidade de grandes conquistas nos anos seguintes. Além disso, a chegada de jogadores como Diego Souza e Henrique e posteriormente Cleiton Xavier e Keirrison, comandados por Vanderlei Luxemburgo, não traziam duvidas de que a parceria era boa para o Alviverde. Mas foi justamente o técnico que começou a estremecer a relação entre o clube e a empresa. Ele acusava a Traffic de usar o clube como vitrine para atrair bons negócios e investir pouco em contratações. Luxa saiu do clube, mas a falta de títulos e a insatisfação da torcida começou a atrapalhar a parceria. O estopim para o divórcio veio quando o empresário J. Hawilla, dono da Traffic, reclamou do afastamento do meia Diego Souza, vaiado pelos torcedores em confronto contra o Atlético-GO pelas quartas de final da Copa do Brasil. O fim da parceria deixou uma divida de R$ 11 milhões para o Palmeiras, que voltou a ser rebaixado em 2012 e só conseguiu voltar aos dias de gloria com a chegada do presidente Paulo Nobre e a inauguração da sua nova arena em 2014. Foto: Gazeta Press

ISL E FLAMENGO

ISL E FLAMENGO – Quem vê o Flamengo forte e com uma parte financeira estruturada não imagina o que aconteceu após uma parceria fracassada. Em 1999, a empresa suíça ISL se juntou ao Flamengo em um contrato que previa 15 anos de união e um investimento de US$ 80 milhões, sendo metade desse valor investido na contratação de reforços para o time de futebol. Na entrevista de apresentação do acordo, o presidente flamenguista Edmundo dos Santos Silva revelou o interesse em Ronaldo Fenômeno, que defendia a Internazionale de Milão. Quinze meses depois da assinatura do contrato, salários atrasados devido à crise financeira que a empresa parceira passava foram a gota d’agua para o clube carioca buscar o rompimento da parceria. Insatisfeitos com a situação financeira do clube, o zagueiro Gamarra e o atacante Edílson quiseram deixar o rubro-negro e o sonho de ter um estádio próprio com investimento dos suíços voltou a ser adiado. Além disso, uma briga jurídica pela negociação de Rodrigo Mendes com o Grêmio, também parceiro da ISL no inicio dos anos 2000, se arrastou ate 2015 quando o Tricolor Gaúcho cedeu o lateral Pará ao Mengão e pagou os salários do jogador durante toda a temporada, sanando uma divida da época da parceria dos dois clubes com a parceira suíça. Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

HICKS MUSE E CRUZEIRO

HICKS MUSE E CRUZEIRO – Já investindo no futebol do Corinthians, a Hicks Muse chegou ao Cruzeiro em 1999 com a receita pronta para iludir o torcedor. Uma parceria de dez anos prevendo recursos para reforçar o time, custeio de todas as despesas do Departamento de Futebol, finalização das obras do centro de treinamento, construção de um estádio e participação nos lucros decorrentes de ações de marketing. Foram necessários menos de três anos para a ilusão. A dívida que ficou ao fim da parceria nem foi tão alta, cerca de US$ 2 milhões além do direito a 50% do passe de Oséas, do zagueiro Luisão e do meia colombiano Viveros, mas a promessa do novo estádio para os mineiros seguiu sendo um sonho. Foto: CRISTIANO COUTO/HOJE EM DIA/GAZETA PRESS

MSI E CORINTHIANS

MSI E CORINTHIANS – Quem não se lembra da relação entre Kia Joorabchian e o Corinthians. Com uma promessa de construir um estádio para o clube, reforçar o time em busca do inédito título da Libertadores e até da criação de um canal por assinatura especialmente para a torcida, o empresário iraniano chegou a ter música na arquibancada quando o clube conquistou o Brasileirão de 2005. Cerca de R$ 115 milhões foram investidos para trazer nomes como Tévez , Mascherano, Nilmar, Carlos Alberto, Roger e o técnico argentino Daniel Passarella. Mas no ano seguinte, investigações para descobrir de onde vinha todo esse dinheiro começaram a causar uma crise na parceria. Kia Joorabchian, o presidente Alberto Dualib e o vice Nesi Curi foram acusados nos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Também foi descoberto o envolvimento do magnata russo Boris Berezoski, que estaria usando o clube brasileiro tentando “limpar” o dinheiro de fontes duvidosas. A parceria acabou em 2007 deixando uma dívida aproximada de R$ 90 milãoes aos cofres corintianos, e a crise chegou ao campo. No maior vexame da historia do clube, o Corinthians foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Foto: Gazeta Press

BANCO EXCEL-ECONÔMICO E VITÓRIA

BANCO EXCEL-ECONÔMICO E VITÓRIA – Uma parceria que proporcionou o retorno do multicampeão Bebeto, revelado na base do Vitória, e faz o craque ser recebido com festa no aeroporto com direito a uma multidão. A união entre o Banco Excel e o clube baiano em 1997 tinha tudo para dar muito certo, mas o contrato acabou com direito a discussão na Justiça anos depois. O Excel-Econômico não teria vida longa no futebol. Já em 1998, cheio de dívidas, foi vendido para os espanhóis do Banco Bilbao Vizcaya, que não manteve o investimento no esporte. Ficaram as lembranças das passagens de craques como Bebeto, Túlio, o colombiano Aristizábal e também do sérvio Petkovic. Foto: Acervo/Gazeta Press

Santos

UNICÓR E SANTOS – Outra relação entre torcedor-empresário e clube do coração foi a parceria da Unicór com o Santos. A empresa, do ramo de saúde, esteve com o Santos entre 1995 e 1999, uma época sem grandes títulos para o clube. Nesse tempo, a Unicór contraiu dívidas na construção do Hospital Duprat, na capital paulista, o que levou a atrasos de R$ 1,5 milhão nos pagamentos. Salários do goleiro Zetti e do técnico Émerson Leão, pagos pela parceira, foram atrasados, e não fosse a virada histórica sobre o Fluminense na semifinal do Brasileirão de 1995, com show do meia Giovanni, muitos torcedores nem guardariam as camisas daquela época, que levava a logo da empresa. Foto: Gazeta Press

GRUPO SONDA E INTERNACIONAL

GRUPO SONDA E INTERNACIONAL – Um milionário, torcedor de um clube querendo contratar grandes jogadores para reforçar o time do coração e também aumentar sua fortuna com investimento no futebol. Essa é a relação de Delcir Sonda com o Internacional. O empresário do ramo de supermercados chegou ao Colorado trazendo o meia argentino D´Alessandro e o lateral Kleber, figuras fundamentais para as conquistas das Copas Libertadores e Sulamericana de 2010. Depois de criar a empresa DIS, investir em jogadores como Neymar e Paulo Henrique Ganso, Delcir se afastou do time de Porto Alegre em 2011 após desentendimento com Roberto Siegmann, diretor de futebol colorado. Voltou em 2014 e em uma semana desembolsou 10 milhões de dólares (R$ 22,2 milhões na cotação da época) para que o Inter contratasse o atacante argentino Carlos Luque e o volante chileno Charles Aránguiz. O Internacional seguiu contratando muito, mas em 2016 o time não encaixou e acabou rebaixado para a Série B. Foto: Gazeta Press

PARANÁ CLUBE

PARANÁ CLUBE E L.A.SPORTS – Imagine uma parceria que começa com a empresa pagando alimentação dos atletas da base de um clube. Assim foi o início de namoro entre L.A. Sports e Paraná Clube em 2004. Mas como se diz por aí, ninguém paga almoço de graça. Pela parceria, a empresa ficava com 50% dos direitos econômicos de cinco jogadores por ano. Desta forma, a L.A. Sport ganhou uma bolada na negociação do meia-armador Thiago Neves, vendido ao Hamburgo da Alemanha por R$ 23 milhões. A sociedade se desgastou quando a empresa, que se aproximou do Avaí, negociou o volante Júnior Urso com o time catarinense sem o consentimento do tricolor paranaense. Após disputar a Libertadores da América de 2007, o Paraná começou a despencar, a empresa se afastou e o legado foi uma enorme crise financeira. Houve até um fato inusitado: em 2014, os torcedores fazerem uma “vaquinha” para premiar os jogadores com R$ 7 mil após vitória sobre o Bragantino por 1 a 0 em jogo válido pela Série B do Campeonato Brasileiro. Foto: Gazeta Press. Texto por Vinícius Vale