10 demissões relâmpago de técnicos no Brasil

Por Sandro Biaggi

A demissão de Paulo Cesar Carpegiani pelo Coritiba irritou o treinador e foi reprovada pela maioria dos torcedores. Ele salvou o time do rebaixamento no ano passado e teve o contrato renovado por causa disso. Mas não resistiu à eliminação diante do ASA na Copa do Brasil. Para os padrões nacionais, até que Carpegiani ficou muito tempo. Comandou o Coritiba em 32 partidas. Bem mais do que outros técnicos brasileiros que tiveram passagens meteóricas por grandes equipes.

 

Edu Antunes (Seleção Brasileira, 1984)

A CBF ainda tentava se reencontrar depois do trauma da derrota para a Itália na Copa de 82. Tentou Carlos Alberto Parreira, que não conseguiu (pelo menos na primeira passagem) dar padrão de jogo para a seleção. A alternativa seguinte foi Edu Antunes, irmão de Zico, que havia levado o Vasco ao vice-campeonato brasileiro de 1984. Foi outra aposta que deu errado. Ele ficou 11 dias no cargo. Em três amistosos, perdeu para a Inglaterra, empatou com a Argentina e venceu o Uruguai. Foto: Gazeta Press

Carlos Alberto Silva (Corinthians, 1991)

Chegou ao Parque São Jorge para substituir Nelsinho Baptista, campeão brasileiro do ano anterior. Estava no auge e foi contratado com status de um dos melhores técnicos do país. Dirigiu a equipe em três amistosos de pré-temporada. Quando recebeu oferta do Porto (POR), não teve dúvidas: deixou o Corinthians a ver navios. Foto: Gazeta Press

Flavio Murtosa (Palmeiras, 2002)

No começo do Brasileiro de 2002, Vanderlei Luxemburgo largou o Palmeiras para ir ao Cruzeiro, onde no ano seguinte conquistaria a Tríplice Coroa. O clube de Parque Antarctica não conseguiu a volta de Felipão, então trouxe seu auxiliar, Flavio Murtosa. Foi uma experiência desastrosa. Após três vitórias em quatro jogos, o treinador pediu para sair, deixando o Palmeiras na zona de rebaixamento. No final de 2002, caiu para a Série B. Foto: Gazeta Press

Jair Pereira (Atlético de Madrid, 1993)

No início da década de 90, o Atlético vivia na sombra do Real Madrid e não conseguia se erguer. Em 1993, o folclórico presidente Jesus Gil y Gil resolveu levar o técnico brasileiro para comandar o time. A experiência durou dez partidas, sete pelo Campeonato Espanhol. Pereira foi demitido porque, segundo o dirigente, havia perdido a credibilidade com os jogadores. Foto: Gazeta Press

Junior (Corinthians, 2003)

Com a equipe em situação difícil no Campeonato Brasileiro, a diretoria surpreendeu ao anunciar Junior, ex-lateral do Flamengo, como técnico. Mais surpreendente ainda foi ele ter pedido demissão dez dias depois, alegando não ter condições de melhorar o time. Foram duas derrotas por 3 a 0 e uma passagem que ficou na história do clube pelo fiasco que foi. Foto: Djalma Vassao / Gazeta Press

Vagner Mancini (Grêmio, 2008)

Contratado para substituir Mano Menezes, conseguiu a façanha de ser demitido sem ter perdido nenhuma vez. Foram três vitórias e três empates. Após vencer o Juciara por 1 a 0 pela Copa do Brasil (resultado que obrigou a realização da partida de volta), teve o contrato rescindido, segundo o diretor de futebol, Paulo Pelaipe, porque o time “não mostrou bom futebol”. Foto: Gazeta Press

Julinho Camargo (Grêmio, 2011)

Camargo era auxiliar de Paulo Roberto Falcão no Internacional-RS num dia. No outro, foi anunciado como técnico do Grêmio. De acordo com Paulo Odone, então presidente gremista, foi contratação feita “com convicção”. Certeza que durou um mês e três dias. Julinho dirigiu o time seis vezes, ganhou apenas uma vez e foi demitido. Foto: Gazeta Press

Geninho (Atlético-PR, 2011)

Geninho deu ao Furacão o título mais importante da história do clube: o Brasileiro de 2001. Em 2008, voltou para salvar a equipe do rebaixamento. De quebra, foi campeão paranaense do ano seguinte. Em 2011, foi recebido com status de herói na Arena da Baixada. Em dez jogos, ganhou oito vezes. Depois de vencer o clássico sobre o Paraná, foi mandado para a rua. “Isso é um adeus. Se o Atlético precisar no futuro, não conte comigo”, desabafou. Foto: Gazeta Press

Doriva (São Paulo, 2015)

Quando Juan Carlos Osorio foi chamado para dirigir a seleção mexicana, o São Paulo contratou Doriva como uma solução de longo prazo. Ele deveria, no final de outubro, já começar a planejar o elenco de 2016. Durou sete jogos espalhados em um mês. Não conseguiu fazer o time entrar no G4 do Brasileiro e acabou demitido após derrota para o Cruzeiro. Foto: Gazeta Press

Enderson Moreira (Atlético-PR, 2015)

A missão, pelo menos no início, parecia fácil para Enderson Moreira. O Atlético-PR disputaria o Torneio da Morte do Campeonato Paranaense. Era apenas para evitar o rebaixamento. Em pouco mais de um mês, ele conquistou 50% dos pontos que disputou. Foram três vitórias, três derrotas e dois empates. Não estava bom, mas não estava ruim. Mesmo assim, foi demitido. “Estou frustrado”, confessou o treinador. Foto: Gazeta Press