Fome na infância e inspiração em Henry: as lutas de 'Flaco' López até chegar ao Palmeiras

José Manuel López defendia o Lanús, da Argentina (Foto: Reprodução/Instagram)


A história de um jogador de futebol muitas vezes apresenta nuances difíceis e que, no auge de uma carreira, são evidenciadas como fatores de superação. Anunciado oficialmente pelo Palmeiras nesta semana, José Manuel López chegou a passar fome na infância e já explicou as dificuldades para se tornar, atualmente, uma das maiores promessas do continente.


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Nascido em San Lorenzo, cidade de apenas três mil habitantes no interior da Argentina, o centroavante deu os primeiros passos no futebol em times amadores da região, como o El Progreso e o Atlético Saladas, ao mesmo tempo em que era observado pelo Boca Juniors.

Contudo, aos nove anos de idade, passou a jogar nas categorias de base do Independiente, time tradicional e heptacampeão da Copa Libertadores.

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Antes de ser promovido ao elenco profissional do clube, ‘El Flaco’ quase desistiu da carreira. Em entrevista ao La Nación, tradicional jornal do país vizinho, o jogador revelou que, aos 15 anos, uma lesão no quadril o deixou praticamente sem andar.

- Tive um problema que quase me fez desistir do futebol. Eu tinha uma lesão na cintura, nos ossos, que mal me permitia andar. Pensei em sair por um tempo, mas o desejo era mais forte - disse.

Ainda em conversa com o jornal citado, López explicou que apelido de ‘Flaco’ foi recebido por ele desde as categorias de base por ser magro e alto. Com 1,88 metro de altura, é um ótimo cabeceador e contou qual técnica utiliza para tal feito.

- Tem que treinar sua coordenação para o salto, pegar a bola no ponto mais alto. Mas isso vem naturalmente para mim. Tenho o instinto, o impulso de chegar - afirmou o centroavante.

Porém, os grandes números de cabeça nem sempre representaram algo bom para o atleta na carreira. José Manuel López citou que, durante muitos anos, opiniões alheias impactaram diretamente sua vida. Segundo ele, você espera ser bom em tudo e, quando as pessoas te colocam para baixo, é difícil - mas preciso - se reerguer.

- Nas redes sociais já escreveram de tudo. Disseram que eu não sei marcar gols com o pé, que só jogo com a cabeça, que não posso dar um passe. Muitas vezes eu dava risada, mas isso fere um pouco o ego. Machuca. Agora, quando eu vou ao Twitter por um tempo, eu vejo que eles dizem que precisam me pedir desculpas, que nunca me criticaram (risos). Aprendi que não devo mais ligar para esse tipo de coisa. Isso não muda em nada, não te soma - desabafou.

O atacante ainda revelou se inspirar no francês Thierry Henry, além de citar admiração por Nacho Fernández, meia argentino que atualmente defende o Atlético Mineiro, concorrente direto do Palmeiras na busca pelo título do Brasileirão.

Antes de ser confirmado na Primeira Divisão como um dos principais nomes do Lanús, o centroavante foi emprestado pelas mãos de Luis Zubeldía-Lanús ao Colegiales de Tres Arroyos. Lá jogou o torneio da Liga Regional e foi o artilheiro da equipe. Isso aconteceu há apenas quatro anos e a experiência foi fundamental para se firmar como jogador de futebol, como disse em entrevista ao diário esportivo Clarín Deportes.

- Era como estar na minha aldeia, mas jogando futebol. Você acaba lembrando da fome, das coisas que passou. Você quer seguir em frente, então começa a valorizar tudo o que tinha em Lanús e luta para voltar - disse ele ao Clarín, antes de completar com uma história marcante do início da carreira:

- Na primeira vez que me concentrei com meus companheiros de Lanús fomos ao Sheraton (hotel). Pensei "não pode ser, olha onde estou". Se eu não jogasse futebol, não teria dinheiro para pagar uma noite. E como eles cuidam de você, como eles te alimentam. Ou como as pessoas olham para você, as crianças. Lembra de quando antes você chegava ao tribunal e ia com a custódia da polícia. Aconteceu comigo e com os caras da minha aldeia. Agora todos querem jogar futebol e quando eu volto lá eles enlouquecem. Como eu costumava dizer que queria ser como, eu não sei, o Laucha Acosta, hoje os meninos da minha cidade dizem que querem ser o Flaco López.

Em 59 jogos desde que estreou pelo Lanús, López anotou 22 tentos (média de 0,37 por jogo), sendo 15 deles marcados em 2021: 14 pelo Campeonato Argentino e um pela Copa Sul-Americana, divididos em 40 duelos, ou seja, média de 0,375. Em 2022, ele já marcou sete gols em 19 partidas, quatro pelo Campeonato Argentino e três pela Copa da Argentina, média de 0,37 tento por duelo nesta temporada.

O contrato com o jogador foi assinado por cinco anos, ou seja, até 2027. E, segundo apuração do LANCE!, o negócio se deu na casa dos 10 milhões de dólares (R$ 50,5 milhões na cotação atual) e ainda vinha superando algumas burocracias para ser concretizado.

Ao lado de grandes nomes e um de treinador de postura implacável, José Manuel López, ‘El Flaco’, promete ser muito forte e continuar driblando as dificuldades da vida para ajudar cada vez mais uma equipe vitoriosa e histórica como é a de Abel Ferreira.

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