Fluminense tem 0,3% de chance de classificação em 'milagre pela Sul-Americana', apontam matemáticos

O Fluminense adota o lema de que "matemáticos não calculam paixão" quando está diante de causas quase impossíveis. Foi assim na arrancada contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2009, por exemplo. Mas hoje, às 21h30, no Ramón Tahuichi Aguilera, terá que elevar este mantra a sua enésima potência já que tentará o maior milagre de sua história diante do Oriente Petrolero-BOL: buscará vaga nas oitavas de final da Sul-Americana tendo apenas 0,3% de chances de classificação.

As contas são do professor Gilcione Nonato Costa, do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao GLOBO, ele analisou os cenários para o milagre acontecer e definiu a porcentagem. Além de ter que vencer o Oriente por seis gols de diferença, o Fluminense também tem que torcer por um empate entre Junior Barranquilla-COL e Unión-ARG na rodada. Os jogos serão simultâneos.

Logo de cara, esses 0,3% de chances já configuram o maior desafio recente da história tricolor. Na já citada arrancada contra o rebaixamento em 2009, os matemáticos da época apontavam apenas 1,2% de possibilidade de salvação. Deu certo. Já em 2011, quando o tricolor também precisava de uma combinação de resultados para avançar às oitavas de final da Libertadores daquele ano — precisava vencer por dois gols de diferença e torcer por um empate no outro jogo do grupo —, a probabilidade era de 8%. Também funcionou.

Segundo Gilcione, a chance de o Fluminense vencer o Oriente Petrolero é grande, cerca de 70%. Porém, golear pelo placar de 6 a 0 já é de apenas 0,8%. A situação só piora quando é necessário depender de um empate no outro jogo do grupo, o que faz a probabilidade da combinação de resultados diminuir para 0,3%. A montanha a ser escalada pelo Fluminense aumenta ainda mais quando o ineditismo deste fato é levado à luz: a última vez que o tricolor goleou por seis ou mais gols de diferença aconteceu em 2008, quando bateu o Arsenal-ARG, na Libertadores daquele ano. Neste século, o tricolor venceu por tamanha diferença em apenas cinco oportunidades.

Já o Oriente Petrolero, apesar de todas as limitações técnicas, não costuma ser goleado por este número rotineiramente. A última vez foi em 2020, ao ser batido por 7 a 0 pelo The Strongest, pelo Campeonato Boliviano. Antes, em 2013, um 6 a 0 para o Bolívar. Curiosamente, dois times de altitude extrema, enquanto o adversário tricolor atua a nível do mar. Fora da altitude, a última goleada sofrida foi para o River Plate, por 6 a 0 na Libertadores de 2006.

De acordo com a imprensa boliviana, o Oriente Petrolero deve levar a campo uma escalação com reservas e jovens da base para a partida. Isso porque o clube está nas quartas de final do Campeonato Boliviano e, por outro lado, já está matematicamente eliminado da Copa Sul-Americana.

Na busca pelo milagre, Fernando Diniz levou força máxima para a Bolívia. A principal novidade na delegação é o atacante John Kennedy, que voltou a ser relacionado após se recuperar de uma fratura no quinto metatarso do pé direito. Os principal desfalque da delegação foi o zagueiro Nino, que teve constatada uma lesão muscular e não enfrentará o Oriente Petrolero e também será desfalque no clássico diante do Flamengo. Pineida, que realizou exames e ainda terá o resultado divulgado, não viajou.

O atacante Fred, que se recupera de uma diplopia (visão dupla) no olho esquerdo, também não veio com a delegação. Assim como o volante Felipe Melo, que se recupera de uma cirurgia no tornozelo esquerdo e não entra em campo desde o jogo de ida da final do Campeonato Carioca, diante do Flamengo.

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