Fluminense e Fred se tornam um só em despedida apoteótica


"Eterno". Foi assim que começaram as homenagens a Fred no último jogo da sua carreira. E não poderia ser diferente: com o passar dos anos, o ídolo se tornou parte da torcida, assim como a arquibancada ganhou um lugar no coração que o camisa 9 sempre faz questão de devolver depois do gol. Do sorriso da manhã às lágrimas da noite, os tricolores não mediram esforços para honrar um dos maiores personagens que já pisaram em Laranjeiras. Maior do que a tristeza, só a gratidão.

Há algo diferente entre Fred e a torcida do Fluminense. Orgulho, certamente, é a palavra que define tanto os feitos do ídolo quanto o sentimento de pertencimento que a torcida tem com Fred. O camisa 9 se tornou patrimônio do clube, o que ficou evidente na interação entre a bancada e o atacante. Ele, que ajudou a retomar a autoestima do clube com Brasileiros e feitos extra-campo, já transbordava o sentimento no aquecimento.

É preciso dizer que o Fluminense venceu o Ceará por 2 a 1 e, apesar do cenário atípico, era um jogo que valia três pontos na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. Mas todas as atenções estavam em Fred. O ídolo sabia que a noite seria dele. Neste clima, a torcida ergueu um mosaico em homenagem ao eternizado gol de voleio, do Fla-Flu de 2012.

Fred foi uma espécie de maestro que regia a torcida tricolor. Do banco de reservas, apoiava o clube enquanto o Ceará apresentava momentos de pressão. Se Fábio salvava atrás, Fred era quem ditava o ritmo fora dos gramados.

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Apesar das intempéries do jogo, a torcida foi mais serena e aguerrida do que o costume. Embora pareçam termos opostos, os tricolores entenderam que as cobranças ficariam para outra hora, e a única certeza era que Fred precisava ser celebrado como poucos foram. No ritual do Maracanã, havia algo que lembrava um tempo em que o próprio ídolo viveu pouco no estádio, marcado pelas festas da Copa do Brasil, Libertadores e Brasileirão.

Embora o presente tenha se encontrado com o passado, o futuro também acenou. A torcida muito falou sobre a trajetória que percorreu com Fred, mas também vibrou com o gol de Matheus Martins. Na mesma intensidade com que chamavam Fred, anunciavam o Moleque de Xerém.

Próximo do apito final, quando Fred tentava a todo custo marcar o duocentésimo gol pelo Flu, as lágrimas invadiram as fileiras. O que antes era festa, virou cerimônia solene. Alguns estavam juntos, outros isolados, mas todos os torcedores se encontravam em um transe. Vendo quase 20 anos passarem em frente aos seus olhos.

Na homenagem ao ídolo preparada pelo clube, as lágrimas foram inevitáveis. Como não se emocionar ao ver mais um capítulo da História sendo escrito? Porém, como nada que envolve Fred é melancólico, havia também o sentimento de que jamais será uma despedida. No máximo, o 9 disse um até logo, para em breve ser eternizado de outra maneira no clube de coração.

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