Estrangeiros exaltam Fernandinho, marcado no Brasil por derrotas da Seleção

Fernandinho deu assistência em sua primeira partida na volta ao Athletico (Foto: Gabriel Machado/NurPhoto via Getty Images)
Fernandinho deu assistência em sua primeira partida na volta ao Athletico (Foto: Gabriel Machado/NurPhoto via Getty Images)

“Isso não é sério. Você está brincando, não é?”

A voz do veterano técnico Mircea Lucescu, 76, não disfarça o espanto diante da informação de que Fernandinho não é tão reverenciado no Brasil quanto é na Inglaterra, por exemplo. Tudo por causa de dois jogos de eliminação da seleção brasileira em Copas do Mundo.

“Ele é um dos melhores jogadores de meio-campo que já dirigi. Inteligente taticamente, confortável com a bola nos pés, sabe fazer a função defensiva e ofensiva com a mesma qualidade. Como é possível não admirar isso?”, questiona.

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O romeno Lucescu conhece bem Fernandinho. Comandou o volante brasileiro de 2005 (quando foi contratado) a 2013, ano em que foi vendido para o Manchester City.

Fernandinho voltou ao futebol nacional em 2022 e assinou contrato com o Athletico, time em que iniciou a carreira profissional. Aos 37 anos, afirma pretender encerrar a carreira no time paranaense.

“Sem dúvida estou realizando um desejo pessoal, um sonho de voltar a vestir a camisa do Athletico. Estabelecer uma marca que encerrarei minha carreira jogando por apenas três clubes: dois na Europa e um no Brasil”, disse Fernandinho, ao ser apresentado.

O cartel de títulos na Europa não deixa dúvidas: foram seis ligas ucranianas e quatro copas do país; cinco troféus da Premier League, uma Copa da Inglaterra e seis copas da liga.

Mas a imagem com a camisa da seleção brasileira, pela qual venceu a Copa América de 2019, ficou marcada pelo 7 a 1 contra a Alemanha na semifinal de 2014 e pela derrota por 2 a 1 diante da Bélgica nas quartas de final em 2018.

Na goleada no Mineirão, Fernandinho se tornou um dos principais símbolos de um dos mais marcantes resultados da história do Brasil, mesmo que os erros tenham sido também coletivos. Quatro anos mais tarde, voltou a atuar mal e fez um gol contra em outra eliminação.

“Não se pode aceitar que a carreira vitoriosa de um jogador, algo que se estende por centenas de partidas em vários anos, fique marcada por duas derrotas. Para o Manchester City, Fernandinho foi um jogador fantástico, parte integral de um time que dominou a Premier League”, define o ex-meia alemão e hoje comentarista Dietmar Hammann, ele também um ex-jogador do City.

“A capacidade de jogar em diferentes posições, como primeiro, segundo volante e até como zagueiro foi preciosa para Guardiola por vários anos”, completa.

Ao anunciar que não iria renovar contrato com o Manchester City, o brasileiro surpreendeu até a Pep Guardiola, que não esperava. Ele ficou sabendo da novidade enquanto concedia uma entrevista e pareceu não acreditar quando foi informado.

“É um jogador que quando esteve em campo, foi bem. Quando não jogou, nos ajudou, ajudou e ajudou. É um atleta que pensa na equipe antes de seus próprios interesses. É impecável”, elogiou o treinador espanhol. “Ele tem qualidades específicas. Não temos substituto para ele. Seu tipo de duelo, a maneira como recua, tudo é singular. É um jogador incrível.”

Fernandinho sabe que as derrotas que eliminaram o Brasil em Copas do Mundo sempre estarão presentes em sua carreira. Principalmente o 7 a 1. Em entrevista no final de 2014, reconheceu que terá sempre de responder sobre ela. Até hoje não tem uma explicação para o que aconteceu a não ser que a equipe congelou em campo por seis minutos.

“Como uma equipe pode perder por 7 a 1 e apenas um jogador ser responsável por isso? Não me parece algo lógico. Se você me diz que a equipe toda fica marcada, eu entendo, embora não concorde. Mas isso não pode acontecer com apenas um atleta. Ainda mais com alguém da qualidade de Fernandinho. Veja bem, se você fizer uma lista dos dez maiores jogadores da posição dele na história da Premier League, muito possivelmente terá de incluí-lo”, afirma, por meio da assessoria de imprensa da BBC, o ex-zagueiro do City Micah Richards, hoje analista da emissora.

No final de tudo, é difícil explicar o motivo para, na seleção brasileira, Fernandinho não ser visto da mesma maneira que no Shakhtar Donetsk e no Manchester City.

“Não há como questionar a qualidade dele em campo. É um rapaz fantástico e um jogador incrível e não há como me provar o contrário”, se desmancha em elogios Mircea Lucescu.