Felipe Rolim: Fortaleza tem defesa zerada no returno e seis pontos consecutivos pela primeira vez

Fortaleza venceu o Internacional no último domingo (Foto: Carlos Roosewelt/Onzex Press/Lancepress!)


Duas vitórias seguidas e sem levar gols. Já seria espetacular para qualquer time na Série A do Brasileirão. Sendo o Fortaleza, que veio de um primeiro turno péssimo, ganha ainda mais importância e aponta para um returno de esperança, de manutenção na primeira divisão. Mas algumas mudanças aconteceram no caminho, de ordem tática e de reposicionamento dos jogadores em campo.

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Juan Pablo Vojvoda vinha em azeitado módulo de três zagueiros desde 2021. No começo desta temporada, com a mudança do elenco, o argentino passou a variar o esquema de acordo com o que tinha à sua disposição. Ter perdido Éderson na temporada passada já foi um duro baque, uma perda sem contratação à altura. A queda de Lucas Crispim, a saída de Pikachu e Romero abaixo do esperado como atacante contribuíram para o declínio do Fortaleza.

Mas a escassez de pontos no começo teve um vilão muito conhecido que se chama calendário. O Fortaleza não pontuou em abril no Brasileirão. O time fez nove jogos naquele mês, pelo Brasileiro, pela Libertadores, Copa do Nordeste e Cearense. E jogou no dia primeiro de maio, contra o Corinthians, tomando mais uma derrota. Não há planejamento que chegue e não há perna que aguente. Entre tantos jogos, viagens para Porto Alegre (RS), Buenos Aires (Arg) e Lima (Per).

Focando nos últimos jogos, há uma clara manutenção do 4-4-2 após a saída Yago Pikachu, quando o time ainda jogava no 3-5-2 ou 5-3-2, dependendo do confronto. No jogo seguinte ao da ida de Pikachu para o Japão, o Fortaleza formou o lado direito com Ceballos de terceiro zagueiro e Lucas Crispim como ala direito. Contra o Red Bull Bragantino, já pela 18ª rodada do Brasileiro, o argentino Brítez começou como lateral direito em uma defesa com quatro jogadores.

Era o início da consolidação do 4-4-2 de Vojvoda. Brítez em uma lateral e Juninho Capixaba na outra. Sumiu a figura do meia central avançado do 3-5-2 de antes. Os meias agora jogam abertos, centralizando quando o time sobe em velocidade para o ataque. Lucas Crispim, antes ala pela esquerda, joga agora como meia aberto pela direita, tendo a segurança de Brítez no seu lado do setor defensivo. Romero deixa de ser um atacante centralizado para ser o meia aberto pela esquerda, com função defensiva de fechar a beirada esquerda do meio de campo e sendo um condutor de bola em velocidade na fase ofensiva. Thiago Galhardo chega para ser um dos atacantes centrais e tem a companhia ora de Romarinho e ora de Robson, que vem fazendo gols difíceis e importantes nos últimos jogos.

A mudança de esquema fez com que o time de Vojvoda ficasse com forte marcação no setor central do campo, com duas linhas compactas e sustentadas em bloco baixo, com o time marcando a maior parte do tempo em seu campo e saindo para pressionar em momentos específicos do jogo. Com Thiago Galhardo e Robson as bolas também não vêm mais em quantidade pelos lados, mas conduzidas rente a grama, em velocidade, pelo corredor central do ataque. Para recuperar a bola em bloco baixo, o Fortaleza vem dando o bote, com dois ou até três jogadores, ao menor sinal de que o adversário perdeu o domínio ou se distanciou da bola. Foi assim contra o Inter, mesmo inferiorizado em campo com a expulsão de Romarinho aos 30 minutos de jogo.

É um ótimo começo de segundo turno de um Fortaleza de marcação agressiva e ataque rápido. Bem a cara de Juan Pablo Vojvoda, ainda que com novos mecanismos de ataque, que mais encaixam nas caras novas do Tricolor do Pici.