Felipão desafia rótulos e faz no Athletico provável última dança como treinador

*ARQUIVO* Brasilia, DF, BRASIL, 11-07-2014 18h32:Tecnico Luis Felipe Scolari responde a perguntas do jornalistas sobre a derrota de 7x1 para a Alemanha no  estadio Mane Garrincha em Brasilia onde, no sabado, Brasil enfrentara a Holanda em disputa pelo terceiro  lugar na Copa do Mundo. (Foto  Eduardo Knapp/Folhapress)
*ARQUIVO* Brasilia, DF, BRASIL, 11-07-2014 18h32:Tecnico Luis Felipe Scolari responde a perguntas do jornalistas sobre a derrota de 7x1 para a Alemanha no estadio Mane Garrincha em Brasilia onde, no sabado, Brasil enfrentara a Holanda em disputa pelo terceiro lugar na Copa do Mundo. (Foto Eduardo Knapp/Folhapress)

SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - O Athletico-PR se prepara para receber o Atlético-GO nesta quarta-feira (20), às 19h30 (de Brasília), na Arena da Baixada, em Curitiba (PR), pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time entra em campo buscando defender a invencibilidade do técnico Luiz Felipe Scolari, 73, como mandante. Foram nove jogos na Arena da Baixada, nos quais o clube paranaense soma sete vitórias e dois empates -no total, o técnico comandou o time em 18 disputadas até agora, somando 12 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. É um cenário bem diferente do que apontava o último ano.

Felipão já dava claros sinais de cansaço e até de um possível fim da vitoriosa carreira como treinador ao final de 2021.

Apontado por críticos como velho demais para o futebol após dois trabalhos de apenas três meses de duração à frente de Cruzeiro e Grêmio, ambos coincidentemente encerrados com 21 jogos, soava como caminho natural -e inevitável- o anúncio do adeus oficial.

O cenário parecia encaminhar para isso quando, em dezembro, em entrevista à TV Bandeirantes, ele deixou claro: "Não parei ainda e estou pronto", disse, sorrindo.

Dono de uma Copa do Mundo, duas Libertadores, dois Brasileiros, quatro Copas do Brasil e inúmeros estaduais, o treinador sentia ainda falta de uma espécie de última conquista: um desfecho perfeito da carreira como treinador. O convite improvável do Athletico-PR era tudo o que precisava.

"Inicialmente fizemos um acordo como diretor esportivo e, também, como treinador. Principalmente neste início, vamos ver, fico até o final do ano. Vou me acostumando, quem sabe, a uma nova função [como diretor], trabalhando com pequenos detalhes que vou acrescentando a minha carreira para que no final do ano, então, defina qual será a minha condição no Athletico", disse à reportagem.

Contratado pelo clube em maio, Felipão fez o improvável e provocou uma espécie de revolução silenciosa em poucos dias de trabalho.

Assumiu o clube na 12ª colocação no Brasileiro e ameaçado de desclassificação precoce na fase de grupos da Libertadores. O time hoje é o sexto no Brasileiro, a cinco pontos do líder Palmeiras -chegou a ocupar a segunda colocação. Também está classificado às quartas de final da Copa do Brasil e da competição continental.

Em 19 jogos, conquistou 12 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas, um aproveitamento de 71,9%.

"Os jogadores entenderam as mensagens rapidamente em termos de posicionamento, de exigências, em termos físicos, de trabalho do dia a dia e uma série de fatores que fizeram com que tivessem uma melhora rapidamente", explica.

"Tudo isso foi dando a eles mais confiança. O grande mérito desse trabalho foi os jogadores tentarem e, aos poucos, fazerem aquilo que estamos pedindo para ter um time razoavelmente competitivo", acrescenta.

Não há grandes inovações táticas ou uma renovação com relação ao que fez nos últimos anos, mas a retomada tem todas as suas digitais.

Dentro de campo, simplificou ideias de jogo em comparação ao que faziam os antecessores Fábio Carille, Alberto Valentim, António Oliveira e outros nomes adeptos ao "jogo CAP", modo como é chamado internamente uma espécie de cartilha conceitual com ideias implementadas no clube.

Entre elas, evitar passes laterais, sufocar a posse de bola adversária durante toda a partida, recuperar a bola em até cinco segundos e finalizar muito a gol.

Felipão fez o que sabe melhor: trabalhou o emocional. Devolveu confiança a jogadores em baixa e pouco utilizados como Vitor Bueno, Vitor Roque, Pedrinho, Orejuela e Rômulo. São frequentes os elogios públicos ao elenco nas entrevistas.

"É o melhor dia da minha vida, gente. Por Deus do céu. É grupo. Quando todos se conscientizarem que o grupo vence, vamos partir para cima desses caras sempre", disse aos atletas em discurso emocionado no vestiário após a classificação às quartas da Libertadores diante do Libertad, no Paraguai.

O novo Athletico reassumiu os chutões e não faz sequer questão de ter a posse de bola. Terminou a partida diante do Palmeiras, no último dia 2 de julho, com apenas 29% de posse contra 71% do rival, segundo dados do Sofascore. Finalizou 13 vezes contra 35 do Palmeiras, mas acabou vitorioso.

O triunfo por 2 a 0 em plano Allianz Parque, poupando cinco titulares, pôs fim a uma longa invencibilidade de 14 jogos sem derrota do Palmeiras do Campeonato Brasileiro.

"Ele tem 73 anos, eu tenho 43 e tenho muito a aprender com ele. Treinador que conhece muito bem o futebol brasileiro, como se ganha", elogiou Abel Ferreira ao final da partida.

Felipão também mostra uma face bem menos preocupada com tensões e embates com jornalistas, outra marca constante na carreira.

Nos últimos dias, o técnico chorou ao lembrar da conquista do pentacampeonato com a seleção na Coreia e no Japão, agradecendo ao apoio de jornalistas e, principalmente, de sua comissão técnica. Também surpreendeu os funcionários do clube paranaense ao comparecer a uma festa organizada por eles.

Ele compara o trabalho atual com sua última passagem pelo Palmeiras, quando conquista o Brasileiro.

"Vejo algumas semelhanças ao trabalho que foi feito no Palmeiras, a colocação de jogadores mais jovens, o entendimento com esses jogadores para acrescentar algumas qualidades básicas necessárias para se tornarem ainda melhores", afirma.

Mesmo com todo o sucesso recente e passado, Felipão indica que a decisão de deixar de ser treinador para se dedicar apenas ao cargo de diretor passa por uma análise de consciência.

"Eu tenho que aprender bastante para me tornar alguém com conhecimentos que não vá causar prejuízo apenas porque gostaria de continuar dentro do ramo futebolístico, não é isso que quero. Se eu souber, se conseguir notar que posso ser um diretor técnico, podemos continuar. Acredito que esse acordo pode ser duradouro", conclui.

Ainda sem saber o que será da carreira depois de dezembro, ele espera só curtir o novo desafio. Uma coisa é certa: não há limites para o interminável Felipão.

Para a partida desta quarta-feira, o Athletico-PR ainda não poderá contar com Christian, Thiago Heleno, Julimar, Reinaldo, Marcelo Cirino e Vitinho, que continuam no departamento médico. Uma possível escalação do time paranaense tem: Bento; Khellven, Pedro Henrique, Nicolás Hernández, e Abner; Hugo Moura, Erick e Terans; Canobbio, Pablo (Vitor Bueno) e Cuello (Pedro Rocha).

O Atlético-GO, por sua vez, segue desfalcado por Ramon Menezes, que se recupera de lesão. Em contrapartida, o técnico Jorginho terá Hayner, que volta de suspensão, à disposição. Uma possível escalação inicial do time goiano tem: Ronaldo; Hayner (Dudu), Wanderson, Edson Felipe e Jefferson; Gabriel Baralhas, Marlon Freitas e Jorginho; Airton, Churín e Wellington Rato.

Estádio: Arena da Baixada, em Curitiba (PR)

Horário: Às 19h30 (de Brasília) desta quarta-feira (20)

Árbitro: Bruno Arleu de Araujo (Fifa/RJ)

VAR: Adriano de Assis Miranda (SP)

Transmissão: Furacão Play

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos