Federer deseja um último jogo em duplas com Nadal

Roger Federer afirmou nesta quarta-feira que seu último jogo profissional será uma partida de duplas na Laver Cup em Londres e que gostaria de jogar ao lado de Rafael Nadal.

O suíço de 41 anos anunciou na semana passada que decidiu pendurar as raquetes por não conseguir se recuperar fisicamente depois de várias cirurgias no joelho.

Quando uma lenda do esporte se aposenta depois de mais de duas décadas de carreira, com 20 títulos de Grand Slam, cada evento é o último: último jogo, última entrevista coletiva.

Federer atendeu aos jornalistas em Londres na Laver Cup, que de sexta-feira a domingo terá o confronto da equipe europeia formada por ele, Nadal, Novak Djokovic, Stefanos Tsitsipas, Casper Ruud e Andy Murray, contra outra do resto do mundo, integrada por Diego Schwartzman, Alex De Miñaur, Felix Auger-Aliassime, Taylor Fritz, Frances Tiafoe e Jack Sock.

Visivelmente emocionado, com uma mistura de tristeza e alívio na voz, o suíço lembrou de seus primeiros anos como júnior, a partir de 1993.

"Nunca pensei que estaria aqui sentado aos 41 anos dando minha última entrevista coletiva, lembrando todos os momentos e jogos que joguei", afirmou.

Ele não conseguiu enumerar todos os melhores momentos, muitas vezes depois das partidas, dividindo informações com sua equipe. E os encontros com os fãs.

Federer afirmou ter aceitado a difícil aposentadoria: "A parte mais difícil (...) é quando você se dá conta de que é o final". "Não estou satisfeito, mas sim feliz com a decisão, porque é a correta e muito pensada".

- Dupla com Nadal? -

Os seis jogadores de cada equipe da Laver Cup, uma competição que Federer ajudou a criar, devem disputar pelo menos um dos nove jogos de simples previstos durante os três dias do evento.

Mas consciente de suas "limitações", o suíço pediu para jogar só "uma partida de duplas na sexta à noite".

"Obviamente estou nervoso, porque não jogo há muito tempo", admitiu.

Depois, seria substituído pelo italiano Matteo Berrettini.

Os capitães de ambas as equipes, Björn Borg e John McEnroe, deram aval, afirmou.

Este último jogo, Federer quer disputar ao lado de Nadal, seu rival de longa data. "Será uma situação única", disse, ressaltando o respeito mútuo entre ambos.

"Passar pela carreira que tivemos e sermos capazes de manter uma boa relação, creio que é uma grande mensagem, não só para o tênis, mas para o esporte e talvez além".

Os organizadores vão anunciar na quinta-feira a programação do primeiro dia.

A última vez que Federer jogou no circuito internacional foi na edição de 2021 de Wimbledon, antes de passar por sua terceira cirurgia de joelho. Seu último título de Grand Slam foi no Aberto da Austrália de 2018.

Em julho deste ano, ele voltou ao All England Club, mas para participar das comemorações da lendária quadra central de Wimbledon, e para expressar seu desejo de jogar ali mais uma vez.

No entanto, não foi possível. "Estava ficando mais cansado por ter que me esforçar mais para acreditar que ia reverter a situação e comecei a ser pessimista, então recebi o resultado de uma ressonância que não era o que queria", explicou

- "Não serei um fantasma" -

As últimas semanas foram carregadas de emoção, reconheceu, procurando o modo adequado, as palavras "corretas", para anunciar sua aposentadoria e seus sentimentos, uma estranha mescla de "doce e amargo".

"O que não sentirei falta são das coisas que você se sente feliz por não ter que reviver", garantiu, mencionando o "frio na barriga" durante as longas esperas antes de um jogo.

Federer prometeu que não ficará longe do tênis, embora ainda não saiba em qual função.

"Só queria que os fãs soubessem que não serei um fantasma", disse, lembrando como o próprio Borg "não voltou a Wimbledon durante 25 anos".

O suíço lamentou nunca ter enfrentado o novo número 1 do mundo, o espanhol Carlos Alcaraz, com quem treinou por um tempo.

E afirmou que será sempre "fã número um" desta nova geração de tenistas, "mais atlética do que nunca".

acc/psr/cb