EXCLUSIVO-Catar recruta civis para segurança da Copa do Mundo

Estádio de Lusail da Copa do Mundo no Catar

Por Andrew Mills

DOHA (Reuters) - O Catar convocou centenas de civis, incluindo diplomatas no exterior, ao serviço militar obrigatório para operar pontos de segurança nos estádios da Copa do Mundo, segundo uma fonte e documentos vistos pela Reuters.

A mobilização de recrutas, alguns dos quais normalmente adiariam o serviço militar porque seu trabalho é considerado vital, destaca o desafio logístico enfrentado pelo pequeno Estado do Golfo Árabe que sedia um dos maiores torneios esportivos do mundo.

Os recrutas estão treinando para gerenciar filas de segurança nos estádios, revistar torcedores e detectar contrabando como álcool, drogas ou armas escondidas no cabelo, forros de jaquetas ou até barrigas falsas, de acordo com materiais de treinamento vistos pela Reuters.

O Catar tem uma população de 2,8 milhões, dos quais apenas 380 mil são nativos, e espera um fluxo sem precedentes de 1,2 milhão de visitantes para o torneio. O país já tem um acordo com a Turquia, que está fornecendo 3 mil policias.

No início de setembro, os civis foram obrigados a se apresentar antes do amanhecer no campo de serviço militar ao norte da capital do Catar, Doha, de acordo com documentos vistos pela Reuters, menos de três meses antes do início do torneio de 29 dias.

Os civis foram informados de que foram chamados para ajudar na Copa do Mundo e que é seu "dever patriótico" fazê-lo, disse a fonte. "A maioria das pessoas está lá porque precisa estar, elas não querem ter problemas", afirmou a fonte.

Solicitado a comentar, um funcionário do governo do Catar disse em comunicado que o programa de serviço nacional do Catar continuará normalmente durante a Copa do Mundo.

"Os recrutas fornecerão suporte adicional durante o torneio como parte do programa regular, assim como fazem todos os anos em grandes eventos públicos, como as comemorações do Dia Nacional", acrescentou o comunicado.

Desde 2014, homens do Catar com idades entre 18 e 35 anos têm treinado com os militares por pelo menos quatro meses como parte do serviço militar obrigatório introduzido pelo emir, xeque Tamim bin Hamad al-Thani. Fugir da obrigação pode resultar em um ano de prisão e multa de 13.700 dólares.

Os recrutas se reportam ao campo de serviço militar cinco dias por semana, onde participam de sessões de treinamento conduzidas por funcionários da divisão de segurança dos organizadores da Copa do Mundo do Catar, o Comitê Supremo para Entrega e Legado, disse a fonte.

Eles são ensinados a abordar os torcedores com "linguagem corporal positiva, foco e um sorriso", segundo a fonte, para respeitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos e evitar discriminar os torcedores de qualquer forma, disse a fonte.

(Reportagem de Andrew Mills; Reportagem adicional de Yousef Saba em Dubai)