Entenda por que Sócrates, ídolo do Corinthians, foi escolhido para nomear prêmio da Bola de Ouro

O “Grupo L´Équipe” anunciou que a Bola de Ouro entregará um prêmio que levará o nome de um ídolo brasileiro: Sócrates. A premiação francesa reconhecerá atletas que se destacaram com ações sociais.

Mas por que Sócrates? O ídolo corintiano, que faleceu em 2011, é reconhecido como um dos atletas mais engajados politicamente e socialmente. Na década de 1980, durante a ditadura militar no Brasil, o “Doutor” iniciou, junto com outros companheiros de equipe, o movimento Democracia Corintiana, que lutava pela volta do direito ao voto.

Irmão de Sócrates, Raí será um dos jurados da premiação. O ídolo são-paulino reiterou o impacto que seu irmão teve com o movimento.

– Sócrates sempre acreditou no poder de mobilização e da transformação por meio do esporte, para tornar a sociedade mais igualitária. Ele demonstrou isso como jogador com seu combate pela redemocratização do Brasil durante a experiência revolucionária da democracia corintiana – ele disse.

Raí também destacou a longevidade do impacto de Sócrates.

– Onze anos após sua morte, ele continua sendo o símbolo do campeão comprometido com um mundo mais justo – falou o ex-jogador.

O jornalista Tom Cardoso, que escreveu a biografia “Sócrates” sobre o ídolo, em 2014, especulou, em entrevista ao Lance!, qual seria a reação do ex-jogador a essa homenagem.

– Acho que ele ficaria orgulhoso de ter o nome dele ligado a ações sociais, mas não sei se ele vestiria essa camisa. Ele daria alguma opinião desconcertante – disse ele, lembrando do caráter cético de Sócrates.

Nos anos 1990, o ex-meia chegou a ser secretário de esportes em Ribeirão Preto, cidade onde cresceu, mas desistiu do cargo depois de apenas seis meses, desiludido com a lentidão da máquina pública.

A relação do craque com a medicina também mostra seu perfil idealista. Ele só aceitou ouvir propostas de grandes clubes do futebol brasileiro depois de se formar como médico e voltou a atuar na profissão, depois da aposentadoria dos gramados, para realizar seu sonho.

Cardoso também contou que, ao entrevistar médicos que trabalharam com Sócrates, os colegas sempre destacaram que ele era humano e intuitivo. Quando treinador da Cabofriense, incentivou o ensino de capoeira aos atletas da base e estimulou a leitura entre os jogadores.

Segundo o jornalista, Sócrates nunca se prendeu a levantar bandeiras específicas, mas mostrava sua preocupação social diariamente.

– Ele era um idealista. Em todas as falas e todos os movimentos, esse aspecto humano, que é fundamental, estaria presente – ele disse.

O Troféu Sócrates será entregue na cerimônia da Bola de Ouro, que acontecerá no dia 17 de outubro, no Teatro Chatelet, em Paris.