Edenílson reage ao laudo de perícia: "Já nos calaram. Luta desleal"

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Após a divulgação do laudo de leitura labial da perícia, Edenílson mudou seu nome no Instagram para
Após a divulgação do laudo de leitura labial da perícia, Edenílson mudou seu nome no Instagram para "Macaco". Foto: (SILVIO AVILA/AFP via Getty Images)

Após a divulgação do laudo de leitura labial feito pelo Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul, em que se concluiu que não foi possível identificar o que o lateral direito Rafael Ramos, do Corinthians, falou para Edenílson, meio-campista e capitão do Internacional, na partida entre as duas equipes válida pela sexta rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, o jogador colorado se manifestou, revoltado, em seu perfil oficial no Instagram.

Além de apagar, ou arquivar, todas as fotos publicadas no seu feed, Edenílson mudou o seu nome na rede social para "Macaco Edenilson Andrade dos Santos" e publicou uma foto, no modo stories, em que está de punho cerrado e colocou uma figurinha em sua boca. Na legenda, os seguintes dizeres: "Não iriam nos calar? Já nos calaram. Se ofendidos aceitem, engulam a seco. Finjam que não escutaram, é uma luta desleal, é uma luta inconclusiva". Ao falar que a luta é inconclusiva, o jogador faz menção ao laudo pericial divulgado nesta tarde.

Jogador colorado protestou após laudo indicar não ser possível identificar o que foi dito por Rafael Ramos. Foto: (Reprodução/Instagram)
Jogador colorado protestou após laudo indicar não ser possível identificar o que foi dito por Rafael Ramos. Foto: (Reprodução/Instagram)
Jogador colorado protestou após laudo indicar não ser possível identificar o que foi dito por Rafael Ramos. Foto: (Reprodução/Instagram)
Jogador colorado protestou após laudo indicar não ser possível identificar o que foi dito por Rafael Ramos. Foto: (Reprodução/Instagram)

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No empate em 2 a 2, o jogador colorado, que tem passagem vitoriosa pelo clube do Parque São Jorge, acusou o defensor português de tê-lo chamado de "macaco" em uma disputa de bola na lateral do gramado do Estádio Beira-Rio. Após a partida, o corintiano foi detido em flagrante pela polícia, ainda na casa do Inter, e teve de pagar fiança de R$ 10 mil para ser liberado.

De acordo com o documento produzido pelo órgão público do Rio Grande do Sul, é inviável confirmar que o português tenha dito termos racistas ao jogador colorado: "É tecnicamente inviável localizar todos os vestígios que definem a sequência de consoantes e vogais emitidas (...) Por essas razões, é impróprio que a perícia criminal oficial do Estado afirme, com responsabilidade do ponto de vista processual e científico, o que foi proferido pelo jogador na cena questionada".

Leia o laudo completo do IGP-RS

O Instituto-Geral de Perícias remeteu hoje à 2ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre o Laudo Pericial sobre o pedido de perícia de leitura labial acerca dos fatos ocorridos em jogo no Estádio Beira Rio em 14 de maio.

Quatro vídeos foram enviados para análise. Um deles foi selecionado, por apresentar maior extensão da cena questionada e melhor qualidade de sinal. As imagens foram tratadas com softwares de melhoramento e apresentaram qualidade suficiente para análise. Da cena questionada, foram extraídos 41 frames.

Não sendo possível identificar os movimentos realizados na porção interna da cavidade oral do jogador de camiseta branca, é tecnicamente inviável localizar todos os vestígios que definem a sequência de consoantes e vogais emitidas. A maior parte dos gestos que compõem a fala ocorrem justamente no ambiente intraoral ou em outras porções internas, como a faringe e a laringe. Nem em vídeos com excelente qualidade de imagem é possível obter as informações do que se passa na parte não visível do aparelho fonador.

Sobre o pedido de exame pericial de leitura labial, ressalta-se que não foi encontrada metodologia científica, aplicada à análise forense de vídeos, que sustente esse tipo de trabalho. Existem apenas publicações sobre percepção visual da fala e aprendizagem de leitura labial. Além disso, o registro enviado não possui o som das falas que interessavam à investigação, tornando impossível a perícia de áudio.

Por essas razões, é impróprio que a perícia criminal oficial do Estado afirme, com responsabilidade do ponto de vista processual e científico, o que foi proferido pelo jogador na cena questionada. O Laudo afirma que “sem que haja o respectivo sinal sonoro para realização de adequada análise percepto-auditiva e acústica, é conceitualmente inviável a definição confiável e inequívoca da pauta sonora proferida por um indivíduo a partir, exclusivamente, das informações relativas aos gestos articulatórios componentes que sejam exteriormente visíveis (como os de lábios e mandíbula)”. O documento afirma ainda que “resultados advindos da tentativa de mapeamento do que teria sido enunciado por um locutor questionado em uma imagem sem o áudio de fala associado (e consequente sinal acústico) seriam meramente exploratórios, representando muito mais conjecturas em torno de possibilidades anatomofuncionais do que evidências materiais per se”.

O Laudo Pericial possui 40 páginas e é assinado por dois peritos criminais da Seção de Áudio e Imagens do Departamento de Criminalística do IGP.

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